Esta semana completo dois meses sem fumar. É uma árdua caminhada, no pesar dos dias a vontade de acender e tragar um cigarro é grande. Por três anos, os maços têm sido minha forma de espairecer as angústias, ou pelo menos fingir que elas não existem. Uma ilusão, é isso que este vício é, nos dá a falsa ideia de relaxamento, além dos tantos malefícios já comprovados cientificamente pelo uso do tabaco. E é uma droga, porque você abre espaço na sua rotina para o cigarro ficar e a ausência dele é perceptível.
Enfim, se eu soubesse que seria tão terrível tentar largar o vício eu não tinha nem colocado um cigarro na boca, deveria ter me afastado a partir do momento que o cheiro não me agradava. Mas a curiosidade falou mais alto, além do meu grupo de amigos serem em sua grande maioria fumantes. De início, era aquela “pitada” em festas, inclusive eu tinha dores de cabeça ao usar o “danado”, só que a quantidade foi aumentando até eu comprar a minha primeira carteira.
Tenho que agradecer ao programa do SUS antitabagismo, pois fornece os adesivos e a medicação para reduzir os sintomas da abstinência. Ano passado tentei largar o cigarro, mas não aguentei 10 dias sem o seu uso, agora vejo que não é tão simples como algumas pessoas ousam dizer “que é só largar” ou é “falta de vergonha na cara”, coisas que não se devem dizer a quem tem algum vício.
Nos últimos meses, eu sentia uma grande culpa e pensava no meu bem-estar, e pensei naqueles que se importavam comigo e como poderiam sofrer se eu adoecesse pelo simples fato de ceder a uma tragada de cigarro. Isso me motivou a parar. Não vou ser hipócrita e falar frases motivacionais, é uma luta diária, porque todos os dias sinto vontade de voltar a fumar e tenho que ser forte para não ceder. Talvez seja assim até o fim dos meus dias, talvez após escrever este texto eu possa ter uma recaída, bem como posso seguir firme na minha decisão de cuidar de mim.