Uma das matérias que eu mais gostava de fazer na escola era a geografia. Até hoje, sou capaz de reconhecer os países pelas suas bandeiras, mapas, capitais e até mesmo hinos. Mas a minha paixão vexilológica não fica restrita apenas a essa disciplina.
Como já expressei algumas vezes aqui, tenho um gosto muito forte pelo futebol. E desde criança, os interesses se cruzam. Sou fascinado pelas épocas de Copas do Mundo, tenho como coleção os guias da Revista Placar desde 1990 e os álbuns completos da Panini desde 2010. Também adoro preencher aquelas tabelas de bolso, que geralmente ganhamos na farmácia ou no posto de gasolina. Todo esse material vem repleto de bandeiras. É fácil decorar os grupos e os jogos só olhando para elas.
Geografia e futebol andam de mãos dadas mais vezes do que você poderia imaginar. Um complementa o outro. O problema é que as Copas do Mundo só acontecem a cada quatro anos. Ou a cada três, se levarmos em conta também a competição feminina. Nas temporadas sem Copa, ou se estuda geografia por si só, ou se improvisa com outros eventos esportivos, como os Jogos Olímpicos, a Eurocopa e a Copa América. A primeira vai começar semana que vem, as outras duas acabaram semana passada, sendo que a última eu contei a história desde o início, em quatro partes, aqui neste espaço.
Um novo capítulo foi escrito no velho e no novo mundo. Na Europa, a Espanha voltou a mostrar mais alto o vermelho e o amarelo de sua bandeira e chegou ao quarto título continental. Dentro da Alemanha, os espanhóis desempataram a disputa histórica com a própria dona de casa e agora são os maiores campeões de maneira isolada. Em 2024, eles repetiram 1964, 2008 e 2012. Foram sete vitórias em sete jogos. Na final, a vítima foi a Inglaterra, um país que só existe dentro do futebol. E que não jogou bola para merecer estar na decisão, muito menos para ganhá-la. Ao contrário da Espanha, que foi a seleção que mais jogou bola na Eurocopa e sem dúvidas mereceu o tetra.
Na América do Sul, deu Argentina mais uma vez, a 16ª. O listrado de azul e branco da bandeira portenha se sobressaiu às demais, e o título desempatou a corrida histórica com o Uruguai, que parou na semifinal. Na final, os argentinos tiveram uma suada e difícil vitória de 1 a 0 sobre a Colômbia.
Porém, diferentemente da Espanha, que foi de fato a melhor equipe da Eurocopa, a Argentina não foi a melhor seleção da Copa América. Os resultados não foram grande coisa, chegando inclusive ao ponto de apenas empatar com o Equador nas quartas de final, precisando dos pênaltis para passar de fase. Ou mesmo na própria decisão, que só foi vencida na prorrogação, no maior costume argentino em jogar finais e no peso da camisa.
O melhor futebol da Copa América pertenceu à própria Colômbia, que foi líder de chave, empurrando o Brasil ao vice, mas que na final sofreu com o pouco costume de jogar decisões. Foi um grande momento para o amarelo, azul e vermelho da bandeira colombiana.
Por um momento, Madri, Buenos Aires e Bogotá pareceram tão próximas, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância uma da outra. Mas daqui a pouco vem a Copa de 2026 para unir tudo de novo. Que venham junto mais bandeiras!