Há cerca de oito meses, eu estava dentro de um ônibus vendo da janela minha mãe se afastar na plataforma da rodoviária de Porto Alegre. Após doze horas de estrada, desembarquei em Erechim com duas malas e uma mochila nas costas.
Tudo era novo: ruas, pessoas, sotaques, casa e trabalho. Definitivamente, a forma de falar algumas palavras foi o maior motivo de estranhamento no primeiro mês. O "r" carregado e o "de" batido me lembravam constantemente da distância entre o sul e o norte do Rio Grande do Sul. Depois de três semanas, uma vitória: eu já conseguia fazer o trajeto de casa ao trabalho sem me perder.
Para alguém que já morou em uma casa cheia de familiares, chegar do trabalho e encontrar o ambiente vazio me lembrava mais uma vez do distanciamento de tudo o que um dia foi familiar. Uma, duas, três vezes pensei em fazer as malas pela saudade, mas a vida começa onde termina a zona de conforto.
Por sorte, encontrei uma boa equipe. Pessoas que me direcionaram sobre onde ir, deram indicações de locais para conhecer, foram companhias para aproveitar o final de semana e até me indicaram um bom eletricista.
Erechim, Marcelino Ramos, Áurea, Ponte Preta, Jacutinga, Três Arroios, Aratiba e Centenário. Mais viagens pelo Alto Uruguai do que estava acostumada, e de fato, a notícia está me trazendo novas experiências. Não seria verdade dizer que todas as vivências foram flores na Capital da Amizade, mas é o mais próximo de um lar que tenho neste momento.