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Expressão Plural

O 183º dia

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Gerson Severo
Por Gerson Severo
Foto Arquivo pessoal

Eu quero partilhar com o leitor/a um texto com que me deparei na última terça-feira, dia 2 de julho:

“Quem chega ao meio domina o todo.

Hoje é o 183º dia. É exatamente o dia do meio em 365. Tão logo você atinge o centro de qualquer coisa, consegue dominar o todo da maneira que quiser. No xadrez, quem chega ao meio do tabuleiro geralmente está em vantagem. Aquele que alcança o olho do furacão está seguro. Ao tomar decisões, quem se mantém no centro é sábio.

Para perfazer um ano, há 182 dias de cada lado do dia de hoje. Não há dia do meio em um período par. É o conjunto ímpar que tem um centro. É o conjunto ímpar que é dinâmico.

Em todas as áreas da vida, é bom estabelecer objetivos e parâmetros. Defina o escopo de qualquer coisa que fizer. Dessa maneira, você saberá quando chegou ao centro, e a perseverança será mais fácil.” Deng Ming-Dao, em “Tao – Meditações diárias”.

É bem comum ficarmos, estarmos, nos situarmos, entre o sentimento de "nossa, como este ano está passando rápido!" e o de "quer saber? Não vejo a hora de este ano chegar ao fim...". É bem comum, também, oscilarmos entre esses dois sentimentos, cultivando-os ao mesmíssimo tempo, sem nenhuma contradição: haverá aspectos do ano que desejamos curtir mais longamente, e há outros que desejamos ver concluídos - não necessariamente encerrados em definitivo ou abandonados, mas concluídos, no sentido de ser-lhes dado um fecho. Afinal, como aprendemos com Zeca Baleiro e Chico César, "nada terminou; nunca termina."

Se se tem a sorte de se ter um intervalo nesta meiuca de ano, um tipo de recesso ou férias de inverno - bem, aí é um tantão melhor. Dá para fazer um balanço "da estrada até aqui", com um reconhecimento do que se fez, do que se tentou fazer, algum ajuste ou correção de direção se necessário, e mesmo novos e quem sabe ampliados planos.

Agora: eu não sei o que o caro/leitor achou do texto, mas, para mim, ele deixa um "retrogosto" amadeirado, com algo de ácido. São duas coisas: ele considera que é melhor tu teres sido responsável e minimamente diligente com a tua vida, com as tuas coisas, com o teu tempo: que tu tenhas "dominado o centro", de modo a avançar pelo território (agora suficientemente mapeado, ou esboçado) da segunda metade, como quem chegou ao miolo de um livro, de um filme, havendo chegado a um entendimento lúcido da narrativa, esboçando as "linhas de futuro" possíveis - e guardando espaço para se deixar surpreender no fim. Como diz a canção de Bon Jovi, “we’re half way there”, já andamos meio caminho, estamos quase lá.

Mas é preciso admitir: nem sempre somos responsáveis e minimamente diligentes, não é mesmo? De qualquer modo, é como escreveu Lya Luft: "Um suspiro para o que foi, um sorriso para o que virá." E 'bora, demorô'.

E quanto ao toque ácido do retrogosto deixado pelo texto? É que o autor, numa camada mais interior de sua reflexão, pode estar se referindo não a um ano terrestre, mas à vida, à nossa vida; ou à da nossa espécie; ou à vida na Terra; ou à própria Terra. Então... Então o quê?

Caro leitor/a: termine tu este texto. Como o próprio ano, e tudo o mais, ele é uma obra em aberto.

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