Continuando com a minissérie sobre a Copa América, para matar a saudade do futebol, contarei a partir de agora sobre o período entre 1975 e 1983, quando o campeonato ficou melhor organizado.
Antes, entre 1916 e 1967, tudo ocorreu de maneira mambembe, principalmente no fim desse período. Ao mesmo tempo, na década de 1960, a Conmebol iniciou a Copa Libertadores, competição de clubes da América do Sul. Esta passou a fazer muito sucesso, tanto que fez a entidade despejar mais atenção nela do que no torneio de seleções, que ficou esquecido por oito anos. Para completar, do outro lado do Oceano Atlântico estava em andamento a Eurocopa, outro certame de países, a cada quatro temporadas.
Vendo o êxito alheio, a Conmebol resolveu ressuscitar o Campeonato Sul-Americano em 1975, de modo reformulado e com regras fixas. Se até 1967 não existia um número exato de participantes e a disputa variava entre uma e duas semanas, a partir de então a competição teria a presença de todos os dez países filiados, a duração de vários meses e a volta da periodicidade quadrienal. Mas o mais simbólico talvez tenha sido a mudança do nome para Copa América.
O torneio renovado passou a ser disputado durante um semestre inteiro, sem país-sede. Ou seja, as seleções jogavam tanto em casa quanto fora, em dois turnos. Também houve a divisão em três grupos de três países, com o décimo time (o defensor do título) entrando direto na semifinal. Antes, não havia divisão e todos se enfrentavam uma vez, os chamados “pontos corridos”.
Em 1975, a taça foi conquistada pelo Peru, que chegou ao bicampeonato. Na primeira fase, o time superou Chile e Bolívia. Na semifinal, eliminou o Brasil de maneira engraçada. No primeiro jogo, os peruanos venceram por 3 a 1 em Belo Horizonte. No segundo, perderam por 2 a 0 em Lima. Cada equipe venceu uma partida, só que não havia saldo de gols nem disputa de pênaltis nas regras da semi. Então, a Conmebol desempatou a semifinal no cara ou coroa, com a sorte sorrindo aos peruanos. Na final, a seleção bateu a Colômbia em três partidas na decisão: derrota por 1 a 0 em Bogotá, vitória por 2 a 0 em Lima e vitória por 1 a 0 no desempate (sem moeda) em Caracas, na Venezuela.
A nova fórmula agradou, e a Copa América retornou em 1979, desta vez premiando o Paraguai com o segundo título. Na primeira fase, a equipe ficou à frente de Uruguai e Equador, com duas vitórias e dois empates. Na semifinal, passou pelo Brasil ao vencer por 2 a 1 em Assunção e empatar em 2 a 2 no Rio de Janeiro. Na final, a taça foi vencida em cima do Chile, com vitória por 3 a 0 em Assunção, derrota por 1 a 0 em Santiago e empate em 0 a 0 em Buenos Aires.
Em 1983, foi a vez do Uruguai voltar a ser campeão, pela 12ª vez. Na primeira fase, eliminou Chile e Venezuela. Na semifinal, bateu o Peru com vitória por 1 a 0 em Lima e empate em 1 a 1 em Montevidéu. Na final, conquistou o título contra o Brasil ao vencer por 2 a 0 em Montevidéu e empatar em 1 a 1 em Salvador.
Após três edições de sucesso, a Copa América estava bem de saúde e pronta para voltar em quatro anos. Porém, a Conmebol mudaria os planos mais uma vez. É o que contarei na terceira parte da história, entre 1987 e 2007.