Chove lá fora e dentro de mim
A saudade toma conta do meu ser
Um misto de vazio e interrogações
Vem à mente.
Uma dor que não cabe no peito
Um nó na garganta
E uma vontade de sair correndo
Para me aconchegar no teu abraço,
Mas sei que é impossível tal desejo.
Os últimos e terríveis acontecimentos
Deixam minha alma mais triste
E por consequência tua falta
Dói mais do que de costume.
Ao lembrar tua partida,
No momento mais angustiante
O vento da madrugada
Levava todos os meus sonhos
E a certeza de que minha vida
Mudaria para sempre.
E então, sem nenhuma despedida,
Te perdi...
Não consegui dar o último adeus
Falar da gratidão que sempre senti
E do meu amor que é tão imenso
E que será infinito.
Não consegui amenizar tua dor
No momento mais doloroso,
Não havia mais comunicação entre nós
Já não me reconhecias.
Não consegui saciar tua sede
E matar tua fome
Estavas sedada a espera do fim.
E a morte foi se aproximando lentamente
E as horas que ainda restavam para estar na tua presença
Passaram tão rápido como um raio furioso em dias de tempestade
E da tua boca não ouvi mais palavras de amor
E o teu carinho já não existia mais
Estavas quase sem vida.
No vazio daquela madrugada
Ao acompanhar o carro fúnebre
Tive que encontrar forças em Deus,
Porque só ELE poderia restituir o meu coração
Que estava ferido e desconsolado.
Meus gritos de desespero e dor
Se misturavam com as minhas lágrimas.
E na hora da despedida senti minha alegria de viver
Indo embora...
Todas as palavras que poderiam ser ditas
Ficaram guardadas na minha mente
E, dia após dia, relembro de cada expressão não pronunciada
E cada gesto de carinho não realizado.
Ah! Quem dera ter outra chance
De agradecer pelo gesto nobre
De ter sido minha mãe
Mesmo não vindo do teu ventre.
Sim, minha saudade tem um nome
E ela se chama GERTRUDES MIKULSKI.
*Errata: na minha poesia do dia 18 de maio, escrevi o título "Aonde está Deus?", porém, o correto é "Onde está Deus?".