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Expressão Plural

Os dias mais longos

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Everton Ruchel
Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

É difícil se acostumar com certas coisas. O mundo não para de andar, mas ele nunca anda para o sentido que queremos. O que era comum, normal e despercebido no passado tornou-se uma infinita lembrança no presente. Nada mais será igual ao que foi um dia.

As imagens de uma infância e juventude alegres, de integração e espera ansiosa estão se apagando aos poucos. Aquelas pessoas que já estavam ali quando chegamos no mundo estão indo embora de uma hora para outra e sem deixar nenhuma chance para darmos um tchau. Até apareceram outras pessoas na caminhada, mas não é a mesma coisa, infelizmente.

Não foi com isso que nos acostumamos. As peças do xadrez estão se movimentando muito rápido e estamos perdendo a partida. E o pior, não podemos fazer nada para reverter a derrota. A única coisa que está ao nosso alcance são os moldes para uma nova, dura e forçada realidade.

O recomeço é sempre a parte mais difícil. A rotina muda e alguns hábitos são substituídos. Com o tempo, tudo vai se ajustando, até que o vazio que ficou não seja mais diretamente sentido. Porém, indiretamente, a lacuna estará aberta para sempre. No máximo, abriremos novos espaços ou incrementaremos os outros já existentes. Esta etapa às vezes pode ser longa, mais do que apenas as 24 horas de um dia, os 30 dias de um mês e os 365 dias de um ano. O tempo utilizado aqui dependerá de como lidar com todos os sentimentos envolvidos. E o mundo não nos ajuda nesta tarefa.

Afinal, cada dia que passa parece que fica um pouco mais longo. Talvez seja porque ficamos mais velhos a cada amanhecer, e a vida vai se acumulando. Isso não faz sentido no começo, pois, um ano para uma criança de dois equivale à metade da vida, enquanto para um adulto de 30 equivale a somente 0,33%. A lógica aqui só começa a prevalecer quando nos damos conta de que são os anos que estão passando muito rápido, e não os dias.

Os dias são mais longos porque o trabalho está ficando repetitivo, o lazer está sumindo e as pessoas ao redor estão rumando para lugares inalcançáveis. E os anos são mais curtos pelos mesmos motivos, é difícil explicar. A esperança (e expectativa) que fica é a de que existe algo do outro lado nos esperando, mas que só conheceremos quando for a nossa vez de ir para lá.

Os dias estão rastejando muito devagar. E ficam mais lentos a cada golpe que a vida aplica. Por outro lado, os anos estão voando tão depressa que fica difícil acompanhar as mudanças impostas pela mesma vida. A maioria acontece a contragosto, e aí voltamos para o início do texto. Somos meros passageiros desse trem, que viaja sem estação final. A única coisa que nos sobra são as imagens que passam pela janela e grudam na memória, sendo eternas mesmo que teimem em se apagar.

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