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Expressão Plural

Longe de nossa vista

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Gerson Severo
Por Gerson Severo
Foto Arquivo pessoal

Caro leitor/a: hoje eu queria escrever o mínimo, está bem? Eu sei que havia prometido seguir explorando as lâminas do tarô literário “Tagrot”, que ganhei, mas houve uma intercorrência nesta semana: a morte do filho de uma amiga, de um casal de amigos, e o impacto que essa notícia teve sobre mim. Antes de saber do fato, apenas umas horas antes, eu havia lido e copiado em um caderno de apontamentos o poema que trago no lugar do texto que já tinha preparado – texto que trarei no próximo sábado.

Eu estava em um Café folheando as poucas folhas que faltam para terminar o livro que estou lendo, desejando concluí-lo logo e apanhar o próximo, e o poema de Henry Van Dike saltou-me aos olhos. Abro agora o caderno e vejo que anotei junto ao poema um lembrete: o quão precioso é estarmos, encontrarmo-nos aqui, e o quão misterioso isso é. E escrevi: “O que é o aqui? Que tamanho tem?”. Mais: que bobagem, que frivolidade é essa de se apressar em terminar um livro e ansiar pelo que virá a seguir?

"Longe da minha vista

Eu estou de pé à beira mar. Um navio, ao meu lado,

espalha suas velas brancas na brisa em movimento e avança

para o oceano azul. Ele é um objeto de beleza e força.

Eu fico olhando para ele até que, ao longe, sua figura parece uma mancha de nuvem branca, exatamente onde o mar e o céu se misturam.

Então, alguém ao meu lado diz "Ele se foi."

Se foi para onde?

Se foi para longe da minha vista. Apenas isso. Ele continua com seus grandes mastros, casco e estrutura, assim como estava antes de deixar meu lado.

E ele é capaz de carregar sua carga viva até o porto destinado.

O pequeno tamanho está em mim - não nele.

E, no momento que alguém fala "Ele se foi", existem outros olhos vendo-o chegar, e outras vozes prontas para gritar "Aqui está ele!"

E isso é morrer."

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