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Expressão Plural

Literatura: Litarôtura?

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Gerson Severo
Por Gerson Severo
Foto Arquivo pessoal

O interfone tocou no fim de tarde dessa última quinta-feira e eu ganhei o dia, o mês, o ano: era a entrega do livro de abril de um dos mais legais clubes de livros e de assinatura de livros do Brasil. E o que havia de tão incrível desta vez? Não propriamente o livro – excelente como sempre, e tal -, mas o “mimo” que veio junto: um “tarô literário” original, com uma arte de tirar o fôlego, criado pela editora desse clube do livro. O “Tagrot”.

Eu dialoguei muito, no passado, com meu amigo e mestre do tarô Rafael Medeiros sobre a confecção de um tarô literário, quer dizer: um tarô que, é claro, seguisse a estrutura formal do tarô clássico, o Tarot de Marselha, mas que usasse autores/as e personagens ficcionais literários para ilustrar e multiplicar os significados possíveis (e as leituras, portanto) das cartas dos 22 arcanos maiores – no mínimo (há outros 56 arcanos menores).

Como se sabe, há muitos e diferentes tipos de tarô, obedecendo às mais diversas inspirações. Do “Tarot Mitológico”, baseado nas narrativas da mitologia grega, e do “Tarot dos Filósofos” (em que Hegel é “O Diabo”, o arcano 15), até o “Tarot de Nosotras”, um tarô feminista, e ao “Tarô Mangá Místico”, que usa referências de mangás e animes, são virtualmente infinitas possibilidades. Com um tarô literário, porém, eu nunca tinha topado.

O “Tagrot” assume uma das interpretações mais tradicionais do tarô (não a única): a de que ele(s) revela os sentidos e aspectos da “jornada” de uma vida humana, que se inicia com “O Louco”, o arcano zero, e segue por vinte e uma paisagens, situações ou “pontos de parada”, individuais e sociais, até o arcano vinte e um, “O Mundo”. De modo interessante, o libreto que acompanha as cartas diz: “É inevitável lembrar que essa é a própria jornada do leitor: cada livro, cada autor, é uma revelação sobre a jornada da nossa vida.” Precisamente. Precisa mente.

Então, eu fiquei bem feliz com a existência de um tarô literários e irei, nesta e nas próximas duas semanas, explorar brevemente as vinte e duas lâminas contigo, caro leitor/a. Pode ser?

No lugar d’O Louco, ou melhor, representando “O Louco”, temos, portanto, “O Leitor”. O Louco é um arcano que traz a ideia de inícios: ele tem um entusiasmo infantil pela vida (Barlett). É impulsivo, espontâneo e despreocupado, não tem nenhum medo do que lhe é desconhecido (tudo lhe é desconhecido) ou da jornada à frente e seus perigos. “Está sempre aberto a todas as experiências”, segundo o libreto em exame. Osho acrescenta: a posição “zero”, ocupada pelo Louco/Leitor aqui, é a do “número inumerável”, em que a confiança e a inocência é que são os guias, e não o ceticismo e a experiência passada. Isso lembra muito a figura do jovem leitor/a, e/ou mesmo a do jovem estudante, cujos olhos brilham virginalmente diante de uma livraria ou biblioteca, ou diante da expectativa de um primeiro ano na universidade depois das primeiras aulas. Se tu tiras essa lâmina, tu estás um pouco – ou um muito – nessa posição. Tu tens toda a energia para empreender o primeiro passo, a viagem. E tu tens a vantagem de não possuir ideias pré-concebidas sobre nada. Mas não sabe que o mundo é um lugar perigoso.

Adianto que o arcano de número 2, “O Mago”, está representado no “Tagrot” por Machado de Assis. Ele mesmo, “o bruxo do Cosme Velho”, o autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Que conexões fascinantes estarão ali?

A partir do próximo sábado, e em duas colunas, “abriremos” os demais vinte e um arcanos, num exercício radical de leitura.

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