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Erechim

Jornada de capacitação enfatizou feridas crônicas no Hospital de Caridade

Evento abordou novos métodos no tratamento de lesões da pele e úlceras por pressão

Cirurgião vascular Fernando Savegnago
Enfermeira Alesssanda Sonda.jpg
Enfermeira Andréia Locatelli.jpg
Por Da redação jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

O Hospital de Caridade de Erechim promoveu, de 14 a 16 de junho, a sua XV Jornada de Capacitação, que teve as feridas crônicas como enfoque. O evento, realizado no Auditório do Centro Clínico HC, contou com palestras proferidas por especialistas com o objetivo de promover a aprendizagem, discussão e apresentação de novos métodos através de equipe multidisciplinar no tratamento das feridas crônicas. 

A intensa programação visou, de forma geral, a capacitar enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, nutricionistas, técnicos de enfermagem e demais profissionais da área da saúde de Erechim e Região. Especificamente, a Jornada objetivou nortear os cuidados com a prevenção de lesões da pele, visando à diminuição de custos, não desperdício e qualidade na assistência prestada; prevenir o desenvolvimento e/ou agravamento de lesões da pele; e apresentar e discutir os diversos tratamentos das lesões da pele e úlceras por pressão.

A abertura oficial do Evento foi realizada por Claudiomiro Carus, Superintendente Geral da Instituição, que deu as boas-vindas aos presentes, falou sobre os objetivos do Hospital na realização das Jornadas – já em sua 15ª edição – e desejou um bom evento. Em seguida, a Palestra Magna “Feridas” na visão do Dermatologista, foi proferida pela Dra. Elisiane Magnabosco, médica dermatologista e membro do Corpo Clínico do HC.

Feridas crônicas nos membros inferiores (pernas)

À noite, o cirurgião vascular Fernando Savegnago falou sobre feridas crônicas dos membros inferiores, as chamadas “Úlceras Vasculares”. Ele iniciou definindo úlcera crônica de perna como qualquer ferimento abaixo do joelho (incluindo o pé) que não cicatriza em um período menor que seis semanas. Savegnago também abordou insuficiência venosa crônica e a importância do tratamento, afirmando que 1% da população tem úlcera e há cerca de 2,5% da população com úlcera cicatrizada ou em atividade. Apresentou e detalhou, ainda, os métodos diagnósticos e enfatizou que, atualmente, o mais usado é o Mapeamento Dúplex – Eco Doppler. Finalizando, diferenciou úlcera de origem venosa e úlcera de origem arterial.

Dando prosseguimento, a enfermeira Andréia Locatelli, responsável pelo serviço da Angiocenter Erechim, palestrou sobre “Tratamento Percutâneo das Úlceras Vasculares na Perspectiva da Hemodinâmica”. Em sua fala, foi abordada a Doença Arterial Periférica (DAP), que provoca estreitamento e endurecimento do vaso, redução do fluxo sanguíneo, obstrução da aorta ou ramos, o que resulta em claudicação (insuficiência da circulação), isquemia (falta de fornecimento sanguíneo) e úlceras (feridas). De acordo com a enfermeira, 16% da população acima de 55 anos desenvolve DAP, sendo que a artéria femoral superficial é a mais acometida por DAP e doença aterosclerótica. O diagnóstico é feito por meio de exame clínico, exames não invasivos (ITB, eco doppler) e Arteriografia Periférica, um exame invasivo, que estuda as artérias dos membros inferiores com auxílio de subtração digital. Andréia também falou sobre a Angioplastia Periférica, um procedimento de tratamento da lesão, realizado com anestesia local: foram enfatizadas as vantagens do exame, como é realizado, os resultados e os tipos de stents que podem ser utilizados.

Desnutrição e a relação com úlceras de pressão

No segundo dia da Jornada, à tarde, foi a vez de Laura Rissi (nutricionista e representante da Danone) e Vanessa Schmidt (nutricionista e representante da Nutriport) explanarem sobre “A Importância da Terapia Nutricional na Cicatrização de Feridas”. Elas destacaram as consequências da desnutrição, especialmente em idosos, e sua relação com as úlceras (feridas) de pressão. Um estudo brasileiro realizado em 2013, com 476 pacientes de sete hospitais, concluiu que em 16,9% dos envolvidos havia prevalência de úlceras por pressão; alta prevalência de desnutrição em 52,4% dos pacientes; severa desnutrição em 22,4%. Estavam desnutridos 98% dos pacientes com úlceras por pressão. Como solução, as nutricionistas recomendaram a avaliação e terapia nutricional, além de monitoramento.

Fechando a tarde, Michael V. do Amarante – enfermeiro assessor da Gerência de Enfermagem e Coordenador do Grupo de Pele do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo – palestrou sobre “Comissão Intra-hospitalar de Feridas: Oportunidades e Desafios”. A partir de suas considerações, a Comissão tem como objetivo melhorar a qualidade assistencial, promover a recuperação rápida e alta precoce. Essa equipe é formada por uma equipe multidisciplinar e tem como desafios melhorar a qualidade de vida dos pacientes, manter-se  motivada e coesa, buscar resolutividade, comunicação eficaz e atualização constante.

Tratamento de queimados

À noite, o médico cirurgião plástico e membro do Corpo Clínico do HC, Rinede Luiz Manfredini, abordou o “Tratamento de Queimaduras”. Ele falou sobre tipos de queimaduras, casos em que há indicação de remoção do paciente para centro especializado, procedimentos no tratamento ambulatorial e no hospitalar – queimado grave. Segundo o cirurgião plástico, é necessário ver o grande queimado como um doente grave, que requer cuidados intensivos por uma equipe multidisciplinar. Rinede apresentou diversos casos de queimados atendidos por ele, detalhando o tratamento de cada paciente.

Encerrando o turno, a enfermeira Alesssanda Sonda – gerente de relacionamento da Unimed Erechim – palestrou sobre “Prevenção de Lesões da Pele”. Alessandra considera que a prevenção das lesões está em primeiro lugar. Por isso, citou 10 passos para evitar úlceras por pressão e feridas: 1) manter o paciente sempre higienizado, limpo e seco; 2) realizar massagem corporal após banho; 3) manter os lençóis limpos, secos e livres de rugas; 4) usar colchão piramidal sobre o colchão da cama do paciente; 5) proceder com banho de sol antes das 10h e após as 16h, por 20 minutos, sempre que possível; 6) alternar o decúbito de 2h em 2h; 7) manter a cabeceira elevada em 30 graus; 8) assegurar ingesta alimentar adequada; 9) realizar exercícios diários; 10) seguir orientação sobre o uso correto de medicamentos.

Mesa redonda

No último dia da Jornada de Capacitação do HC, a tarde iniciou com a palestra “Mobilização de Pacientes na Prevenção de Úlcera por Pressão”, com Bruno Pogorzeski Rocha e Diogo Felipe Tapia, fisioterapeutas do HC.

Na sequência, foi realizada a Mesa Redonda “Atuação da Equipe Multidisciplinar no Tratamento das Lesões de Pele”, da qual participaram a enfermeira Solange Sobbis, a farmacêutica Gisele Fátima Szupka e a nutricionista Letícia Tomick Zyger (representando a Comissão de Pele do HC); a enfermeira Anamaria C. Bortola (Grupo de Pele da Unimed – Erechim); o enfermeiro Willian Gerhard (Centromedhi – Medicina Hiperbárica); as enfermeiras Sandra de Ré Busatta e Elusenete Vaz (Fundação Hospitalar Santa Terezinha); e Michel Artur Agers (Secretaria Municipal de Saúde).

A palestra de encerramento foi do médico oncologista Juliano Sartori, que falou sobre “Toxicidade Cutânea no Tratamento Oncológico – Quimioterapia e Radioterapia”. Juliano apresentou o cenário dos cânceres no Brasil e no mundo, fatores epidemiológicos, oncogênese (alterações celulares responsáveis pelo desenvolvimento do câncer) e tratamento oncológico. Mostrou como é a pele e os efeitos tóxicos cutâneos provocados pelos tratamentos oncológicos, tanto radioterapia, como quimioterapia. Ele também foi enfático ao afirmar que um estado nutricional adequado é fundamental para evitar e minimizar as lesões.

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