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Poços tubulares: desafio é ampliar e qualificar o tratamento dos recursos hídricos

Segundo a bióloga que coordena as ações Vigiagua na região de abrangência da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde, Cláudia Santin Zanchett, há 85 mil pessoas que dependem da exploração da captação da água subterrânea

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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

As águas subterrâneas localizam-se nos espaços vazios das rochas e formações geológicas. Então, elas podem estar presentes nos poros das rochas sedimentares ou nas fraturas, fendas e falhas das rochas compactas. Na região Alto Uruguai há uma formação específica de rochas que tem algumas peculiaridades.

A bióloga que coordena as ações do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua) na região de abrangência da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde, Cláudia Santin Zanchett, explica que o aquífero tem uma formação de rochas subterrâneas capaz de armazenar água que possua uma permeabilidade suficiente para permitir que essa se movimente. “Temos vários tipos de aquífero, entre eles, o livre – que tem sua superfície sob a pressão atmosférica, que não possui uma camada superior impermeável e é também chamado de aquífero freático; além disso há o aquífero suspenso, confinado, entre outros”, pontua.

Utilização da água subterrânea e a importância para a saúde pública

A água subterrânea apresenta, na maioria das vezes, uma qualidade superior e quando não é distribuída em rede, e é apenas para uma família, em uma propriedade, por exemplo, como há alguns exemplos no interior, é dispensado o tratamento. Contudo, é preciso a comprovação por meio de análises dos recursos hídricos. “Isso acontece porque esse tipo de água tem uma depuração por processos físico-químicos e eliminação de muitos microrganismos devido a ausência de nutrientes e oxigênio. A depuração aumenta conforme a profundidade onde essa água é captada”, comenta Cláudia.

Nesse âmbito, a bióloga assinala que a água acaba sendo relativamente fácil de explorar, contudo, representa um difícil controle, principalmente para os profissionais da saúde, considerando que praticamente todas as pessoas podem ter acesso a um poço, seguindo a legislação. “Isso, para o meio ambiente, muitas vezes, é complicado, devido a legislação”, pontua.

Abastecimento

Por meio do Vigiagua, estão cadastrados todos os mananciais do Alto Uruguai. “Nós dependemos muito dos poços (chamados comumente de artesianos) que abastecem as residências. Na região de abrangência da 11ª CRS, a qual contempla em torno de 233 mil pessoas, aproximadamente 50 mil são abastecidas por SACs (Soluções Alternativas Coletivas) sob a responsabilidade das prefeituras”, relata a coordenadora do Vigiagua, citando que cada SAC é composta por um poço tubular profundo. “No meio rural ela é distribuída para várias famílias da comunidade por meio de uma canalização simplificada. Nesse sistema há cerca de 630 poços tubulares profundos”, completa.

Distribuição coletiva, tratamento obrigatório

De acordo com a legislação vigente, toda água distribuída de forma coletiva, deve passar por tratamento.

As SACs precisam estar de acordo com a legislação ambiental e de saúde, e deve distribuir água com cloração. “Isso porque, cada vez que é realizada a distribuição para mais pessoas, há uma chance maior de contaminação. Por isso, o uso do cloro é uma determinação do Ministério da Saúde”, reforça.

De acordo com Cláudia, a maior parte dessa distribuição está sendo tratada na região. Contudo, há um grande desafio para ampliar o tratamento das SACs nos municípios.  “Por isso, é fundamental esse olhar para todas as pessoas, de forma igualitária, sendo que todos têm direito, minimamente, de água tratada. Muitos municípios tem uma longa história, porém, ainda não conseguiram evoluir nessa questão básica”, alerta.

Na região há 36 poços sob responsabilidade da Corsan e há várias sedes de municípios que dependem da captação de poços tubulares profundos. No somatório desse potencial, há 665 poços cadastrados pelo Vigiagua, que abastece 629 SACs. Se ampliar para a população, há 85 mil pessoas que dependem da exploração da captação da água subterrânea.

Outros desafios

Claudia pontua, ainda, que há outras questões relacionados à dependência das águas subterrâneas que devem ser observadas. “Acredito que entre os desafios das administrações está a regularização desses poços junto ao Departamento de Recursos Hídricos, pois muitos não têm outorga. Há prefeituras que já estão fazendo o encaminhamento”, salienta.

Já nos municípios onde há 100% da população com recebimento de água tratada, o desafio é a qualificação desse processo e o controle da distribuição, melhorando cada vez mais as formas de contratação das empresas que prestam esse serviço. Tudo isso para melhorar a qualidade da água que chega à população. “Enquanto Vigiagua, evoluímos muito nos últimos anos, em todos os municípios. Desde o cuidado com a captação, reservação, tratamento e distribuição da água. Isso se refere desde as estruturas, profissionais, enfim, a todo formato de redes coletivas”, destaca Cláudia.

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