A Escola Estadual de Ensino Fundamental Antonio Burin, localizada no Povoado Coan, interior de Erechim está correndo o risco de ser fechada a partir do ano letivo de 2020. Na quinta-feira (19), a instituição recebeu um comunicado da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) informando que a medida está em processo de análises e, seguindo os trâmites legais, as atividades deverão encerrar dentro de seis meses.
No entanto, para a reportagem do Jornal Bom Dia, a Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (Seduc) insiste em negar a informação. Em contrapartida, a presidente do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers), Helenir Schurer, afirmou na audiência realizada na Câmara de Vereadores na última terça-feira (24), que a proposta já está sendo articulada em outros municípios do Estado.
De acordo com a diretora da Escola Antonio Burin, Maria Terezinha Graichen, a justificativa da decisão está atrelada ao número de estudantes. “Nós temos 17 alunos, mas teve momentos em que tínhamos mais de 300. Claro que o fechamento já era esperado, porque outras escolas já passaram por isso, contudo, achamos que seja primordial o diálogo. Afinal, outras alternativas e sugestões já surgiram, tais como, ofertar o Ensino Médio e a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no período noturno”, contou.
Atualmente, a instituição atende alunos em turmas multisseriadas do primeiro ao nono ano do Ensino Fundamental. Além dos conteúdos regulares, ela se destaca por atuar como uma escola de campo, desenvolvendo técnicas agrícolas. “Transferindo-os para estudar na cidade eles irão perder o contato com as experiências voltadas ao campo, porque oferecemos aprendizados para vida deles e, se isso for interrompido, provavelmente vão perder a vontade de trabalhar com os pais. Com relação as salas multisseriadas, nós já trabalhamos muitos anos nesse modelo e já tem estudantes formados dessa forma, então não é um problema para a questão pedagógica”, complementou Maria.
A apreensão com a notícia se estende, ainda, aos pais e responsáveis. “Realizamos uma reunião com a comunidade na terça-feira (24), e os familiares também estão preocupados. Nesse dia, um pai comentou que o Estado sempre opta por enviar as crianças para a cidade quando deveria estar estimulando e oferecendo condições para que os estudantes possam permanecer no campo”, concluiu.
De acordo com a coordenadora da 15ª CRE, Juliane Bonez, há cinco anos a Escola atua em turno único. “São turmas multisseriadas e a diminuição do número de filhos por parte das famílias é uma realidade que vivemos, sobretudo no meio rural. Iniciamos um processo para avaliar as possibilidades de encerrar as atividades uma vez que todos os estudantes dependem de transporte escolar e isto significa que não são moradores da comunidade onde a escola está instalada, ou seja, complementam sua vida social em outros lugares. Tendo em vista que o trajeto é feito com o transporte escolar do município de Erechim através de convênio com o Estado, em contato prévio com a Secretaria Municipal de Educação, foi sinalizado a possibilidade de atender a demanda desses alunos com escolas de campo da rede municipal”, pontuou.
Com relação aos prazos, a coordenadora afirma que o processo está sendo iniciado e deverá ser concluído em seis meses. “Sobre oferecer o Ensino Médio noturno, nós faremos um levantamento prévio da demanda. Destacamos que é um processo em construção, que surgiu da preocupação em garantir a qualidade de aprendizagem e organizar o quadro de recursos humanos que pertence a 15ª CRE. Por fim, enquanto gestores precisamos ter clareza de todos os aspectos que envolvem a manutenção de uma estrutura educacional e manter o foco de atendimento com qualidade aos estudantes, seja nesta ou em outra escola”, concluiu Juliane.