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Estado

Por atrair poucas pessoas, RS já perdeu 700 mil habitantes nas trocas migratórias, aponta estudo

Conforme a secretária Leany, RS não tem se mostrado atrativo para reter pessoas, especialmente os ma
Por Assessoria
Foto Carolina Greiwe/Ascom

Com a menor taxa de crescimento populacional do país, o Rio Grande do Sul vê o percentual de idosos aumentar, ao mesmo tempo em que diminui o número de pessoas que integram o grupo em idade potencialmente ativa (15 a 64 anos). Esse movimento demográfico tem causas que vão além da baixa natalidade e da maior expectativa de vida dos gaúchos em relação ao cenário nacional: o RS é um Estado que pode ser considerado “fechado” para as trocas migratórias, pois tem baixos percentuais de emigrantes e, principalmente, de imigrantes, resultando na menor taxa líquida migratória fora do Nordeste brasileiro.

Dos atuais 11,3 milhões de habitantes, o RS ultrapassaria o número de 12 milhões se todos os gaúchos aqui nascidos, em qualquer época, retornassem ao Estado (isso com todos imigrantes também retornando aos Estados de origem). É o que mostra estudo divulgado nesta segunda-feira (15/7) pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) sobre o movimento migratório e o quanto esta transição demográfica gera impactos tanto do ponto de vista econômico como em termos de desafios de políticas públicas para os próximos anos.

“O Rio Grande não tem se mostrado atrativo para reter pessoas, especialmente os mais jovens, muito menos para cativar gente de fora. O Estado precisará ´importar´ pessoas”, define a secretária Leany Lemos.

Queda em oito anos

Um aspecto que se destaca no trabalho elaborado pelo pesquisador Pedro Zuanazzi, do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Seplag, mostra que em oito anos (2010–2018) o RS é o que mais perdeu participação perante a população brasileira na comparação com os demais Estados do Sul e Sudeste. Passou de 5,6% em 2010, para 5,4% no ano passado, dois décimos que representam 347 mil pessoas.

a nota que elaborou, Zuanazzi observa que o processo de envelhecimento da população gaúcha (20% da população terá mais de 65 anos em 2035, por conta das baixas taxas de fecundidade e da maior expectativa de vida) é similar aos estados vizinhos. Porém, esse recuo em termos de participação nacional deve ser creditado também às trocas migratórias, pois o RS tem um fluxo reduzido nos dois sentidos. “O problema não é o número que sai, pois a emigração não é elevada em relação às outras unidades da federação. Esta reduzida taxa líquida decorre, principalmente, pelo baixo ingresso de pessoas”, destaca.

Destinos

 

Considerando o critério de migração que confronta local de residência e local de nascimento, ou seja, que engloba as trocas migratórias das últimas décadas, Santa Catarina lidera o ranking dos destinos dos gaúchos que decidem morar acima do rio Mampituba: entre saídas e chegadas, o saldo é negativo em mais de 280 mil pessoas. Em seguida estão Paraná (saldo migratório de -177 mil), do Mato Grosso (-90 mil), de São Paulo (-37 mil) e Mato Grosso do Sul (-33 mil), que fecham a lista dos cinco principais destinos.

O estudo também avalia que os municípios da Fronteira Oeste e Noroeste têm as maiores perdas populacionais dos últimos anos, em parte migrando para outros Estados, em parte devido à migração interna em favor de cidades próximas a Porto Alegre, Caxias do Sul, Lajeado e Litoral Norte. Das dez cidades que mais tiveram variação proporcional de suas populações (2010-2017), seis estão localizadas próximas às praias.

Impactos

Historicamente o RS apresenta déficit migratório, causando, apenas em 2018, diminuição de 0,12% da população. Em Santa Catarina, por exemplo, o processo foi inverso: cresceu 0,41%. Conforme Zuanazzi, “o saldo migratório passa a ter um papel ainda mais relevante uma vez que a maioria dos migrantes é formada por pessoas de 20 a 35 anos, que estão no começo de seus períodos produtivos, contribuindo para o crescimento da região por um longo período”.

Na avaliação do pesquisador, esse fator tem impacto direto não apenas no crescimento do PIB do RS, “mas no longo prazo dificultará ainda mais compromissos obrigatórios, que não reduzem seus valores conjuntamente com a redução populacional, como é o caso da Previdência e da dívida pública”. Haveria a necessidade, segundo ele, de um salto em termos de produtividade por trabalhador para compensar estes reflexos.

Na visão da secretária Leany, o RS tem um grande desafio, após superar as questões fiscais, tornar-se capaz de atrair novos investimentos, reduzir a burocracia estatal e estimular a inovação. “Precisamos, acima de tudo, atrair jovens de outros Estados e manter aqui nossos talentos”, acrescentou.

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