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Ensino

Comunicação como alternativa à inclusão

O ingresso de um surdo no curso de Psicologia de uma instituição particular de Erechim, mobilizou estudantes ouvintes a aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Projeto visa integrar acadêmicos ouvintes e surdos
Acadêmica Cheila Maria Suelo
Estudante surdo, Eduardo dos Santos, ingressou na instituição neste ano
Intérprete e acadêmica Claudia da Silva
Coordenadora do curso de Psicologia, Juliana Jaboinski
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

O caminho para a inclusão efetiva de pessoas com necessidades específicas transcende a garantia do acesso às instituições de ensino e ao mercado de trabalho. Nesse processo, é preciso viabilizar a fluidez das relações sociais. O ingresso de um surdo no curso de Psicologia de uma instituição particular de Erechim, mobilizou estudantes ouvintes a aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras). 
De acordo com a coordenadora do curso da Faculdade Anglicana de Erechim (FAE), Juliana Jaboinski, o desejo de estabelecer relações próximas sem a necessidade de mediação da intérprete, motivou os acadêmicos. "A instituição obedece a diretriz do Ministério da Educação (MEC), que obriga a presença de uma intérprete para garantir sucesso na aprendizagem. Contudo, sentimos o desejo de que essa troca e conversas fossem realizadas diretamente com o Eduardo (ingressante surdo)", pontuou em entrevista ao Bom Dia. 
A coordenadora contou ainda, que a aprovação de Eduardo Ribeiro dos Santos no início deste ano demandou à instituição a contratação da intérprete (Claudia da Silva) que o acompanha integralmente. 
Até para a Claudia o ingresso de Eduardo foi especial. Considerando que teria que acompanhá-lo, também decidiu cursar Psicologia. "Eu estou muito feliz porque essa área sempre esteve em meu horizonte profissional, no entanto, nunca tive oportunidade. Com o ingresso do Eduardo, estou realizando duas coisas que amo, trabalhando como intérprete e cursando mais uma graduação. Está sendo uma experiência indescritível com crescimento pessoal e profissional imensuráveis", relatou a intérprete. 
A iniciativa também estimula o convívio com a diversidade. Isso é o que acredita a estudante, Cheila Maria Suelo, que observa nesta proposta uma possibilidade de crescimento intelectual. "Mesmo no primeiro semestre, nossa interação está sendo bem significativa e nós também queremos conversar com o Eduardo, bem como, sabemos dos preconceitos que existem com pessoas com deficiência. Desse modo, é uma forma de quebrar esses paradigmas. Estou muito ansiosa e espero estar fluente em Libras até o fim do curso", reforçou. 
Com auxílio da intérprete, Eduardo contou à reportagem do Bom Dia que o projeto foi recebido com muita felicidade e demonstra apoio em sua ascensão profissional. "Era um sonho muito antigo, acredito que todos os surdos têm capacidade para conquistar aquilo que desejam. Mas há muitas barreiras na formação acadêmica e até no mercado de trabalho, bem como, discussões sobre o desenvolvimento dos surdos", reforçou. 
O futuro psicólogo citou ainda, que a comunicação é o ponto de partida para a inclusão. "Os surdos precisam lutar e conquistar todos seus sonhos, porque é um direito independente da área. Eu serei o primeiro psicólogo com foco total na comunidade surda, porque acredito na comunicação como alternativa na luta contra o preconceito", concluiu Eduardo. 
A formação será realizada por meio de um curso de extensão, com 100 horas de certificação. O projeto ainda está em fase de planejamento, mas deve iniciar as atividades a partir do mês de maio. Serão cerca de 100 vagas disponíveis a todos os interessados. 

 

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