22°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,58 Dólar R$ 4,10
22°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,58 Dólar R$ 4,10

Publicidade

Erechim

10 milhões de vezes, Cavaletti!

A Cavaletti S/A chega ao seu 45º aniversário nesta sexta-feira (15) com um feito histórico: 10 milhões de assentos produzidos

CAVALETTI
Diretores da Cavaletti, Jair, João, Jairo, Mário, Gilmar e Loivo, durante o Showroom Worklab, em São
Cavaletti: a força que vem da famíliaFámilia
Empresa reconhece a importância da inovação e tecnologia, mas valoriza, acima de tudo, seu capital h
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Da primeira reforma de sofá num porão alugado nos altos da Avenida Maurício Cardoso, em Erechim, nos idos de 1974, até hoje, a empresa registra, ano a ano, taxa de crescimento exponencial que a colocou como líder nacional no segmento de cadeiras profissionais, além de exportar para 13 países das Américas do Sul e Central, e Europa.

A Cavaletti, que ultrapassou os R$ 202 milhões de faturamento em 2018 (crescimento de 30% em relação ao ano anterior) trabalha para engordar suas receitas em mais 25% em 2019.

Para falar sobre os 45 anos, projetar o futuro e revelar, em partes, a fórmula de seu sucesso, os irmãos fundadores Gilmar, atual presidente; e Mário, vice, receberam a equipe de reportagem do Grupo Bom Dia (Jornal e TV) na sede da empresa na última semana.

A seguir, reproduzimos os principais trechos deste bate papo, que logo estará disponível, também, em meio digital. Sente-se (de preferência numa cadeira Cavaletti), leia e guarde esta reportagem especial.

 

O começo

Eles não tinham barba na cara. Eram garotos do interior vindos de Maximiliano de Almeida que, a fim de buscar trabalho e uma forma de sustento, resolveram abrir seu próprio negócio na Erechim de 1974.

E assim, Mario e Gilmar, com 18 e 15 anos, respectivamente, fundaram uma diminuta estofaria no fundo de um porão de 30 m² para reformar sofás e bancos de automóveis. De lá para cá, muita coisa mudou; parceiros vieram e ajudaram a impulsionar o negócio. Hoje, a Cavaletti emprega mais de 500 colaboradores (chegando a 700 se consideramos outras empresas do grupo) e figura há uma década entre as 500 maiores empresas do Sul do Brasil. Desde o início, porém, alguns valores sempre acompanharam o empreendimento: qualidade, inovação e pioneirismo. Cada irmão que veio integrar a empresa - outros cinco, ao longo do tempo - já chegava sabendo a linha de atuação. O importante era fazer um produto resistente, seguindo à risca o conselho do pai: "Façam um produto bom; não olhem o preço. Deixa o cliente reclamar do preço; mas jamais deixe que eles reclamem do produto". Dito - e bem feito.

 

Um belo trator

"No início, o pessoal falava que nossa cadeira era um trator. Não era muito bonita, mas não quebrava. Hoje, ela é um trator bonito, que segue resistente e conta com os melhores recursos de tecnologia e design do mercado. Entendemos que agradar os olhos também é importante".

 

Pioneirismo

"Sempre fomos pioneiros em inovar. Na questão de processos produtivos, sempre que detectávamos um problema, o estudávamos e nos socorríamos de alguém que era mais experiente do que nós. A ideia era inovar fazendo o simples e garantindo a qualidade".

 

Fórmula do sucesso

"É um composto que envolve muito trabalho, simplicidade e resiliência. Sempre damos continuidade nos investimentos, cuidamos da família, do crédito e, claro, fazemos um produto bem feito, valorizando a equipe e o que cada um tem de melhor".

 

Estratégia para liderança

"Estamos presentes em todos os mercados. Temos um produto básico, mais acessível, e temos o produto top. Soma-se a isso uma rede de lojistas muito boa, que cultivamos no Brasil desde os anos 80 e que, agora, está se expandindo também para o exterior".

 

Inovação diária

"Temos um desafio na empresa: promovermos uma melhoria diária; seja no processo, em uma cadeira, em um pequeno detalhe".
Incentivo à capacitação dos colaboradores

"Falamos de igual para igual com nossos colaboradores. Esta simplicidade está em nossa essência. Além disso, sempre incentivamos (inclusive financeiramente) para que nossas equipes se capacitem e busquem treinamento e conhecimento. Quem chega antes toma água limpa".

 

Design

"Em termos estratégicos, temos parceria com um profissional suíço, que, por estar na Europa, consegue antecipar tendências, colaborando com a equipe local, que também é extremamente qualificada. Aliás, hoje não deixamos de ir a nenhuma Feira, seja de design ou produtos. A evolução é constante".

 

Futuro dos escritórios

"É uma incógnita. Nosso começo está ligado aos sofás, passamos para cadeiras e hoje o mercado está voltando para o sofá. A juventude não quer mais ficar na frente de uma tela de computador; eles não precisam, necessariamente, de mesa - com o tablet e o celular o jovem senta em qualquer lugar. Alguns produtos que hoje são fabricados, deixarão de sê-lo".

 

Cases que marcaram

"Coube à Cavaletti a remodelação das agências a partir da junção Unibanco e Itaú, em 2010. Este foi um momento importante da empresa. Diria que um ícone que representou um salto de faturamento, produção e rentabilidade. Antes, no ano 2000, já havíamos registrado avanço ao participarmos do Projeto 500 da Caixa Econômica Federal - com a entrega de mais de 10 mil cadeiras em mais de 3 mil agências em todo o Brasil, que continuam em uso até hoje".

 

Mundo digital e as pessoas

"Temos um projeto interno que está sendo gestado, que é a indústria 4.0, pela qual um equipamento se comunica com o outro. Temos, também, 11 robôs na linha de produção. Mas, antes da máquina e da tecnologia, existem as pessoas. E isso não perdemos de vista nunca; o ser humano é insubstituível - o que pode, e estamos buscando, é tornar o trabalho menos pesado. Veja o nosso exemplo, quando iniciamos o processo de automação há dez anos tínhamos 150 funcionários, hoje temos 500. A tendência é ter mais pessoas fazendo menos esforço físico".

 

Loucuras, avião e passos firmes

"Já fizemos muitas loucuras no passado - e com elas aprendemos que não dá para desistir e é preciso ousar. Hoje, porém, estamos procurando atuar mais com os 'pés no chão'. Criamos uma alegoria interna de que a Cavaletti é um grande avião (A380) e, hoje, estamos voando bem. Precisamos cuidar para que consigamos nos manter no ar. Avião só cai uma vez".

 

Ampliação

"Vamos revelar em primeira mão para vocês, então, que estamos adquirindo a área da Triel HT, aqui ao lado. Isso permitirá uma série de avanços, entre eles nossa ferramentaria e refeitório, que já está defasado e que hoje completa 19 anos (a Cavaletti foi uma das pioneiras em construir um refeitório para seus colaboradores no Distrito Industrial)".

 

Energia solar

"Para 2019 estamos  ampliando o aproveitamento da luz solar (através de mais placas fotovoltaicas). Com isso, vamos gerar de 50 a 60% da energia que consumimos".

 

Novos produtos

"Temos quatro produtos sendo gestados e que devem ser lançados nos próximos dias. Procuramos fazer o que o cliente quer e precisa. Estamos sempre atentos ao mercado".

 

O que mais atrapalha: logística ou burocracia?

"Sem dúvida, a burocracia. A logística a gente adapta".

 

Participação social

"Estar inserido em nossa sociedade faz bem para nós, para nossos funcionários e para toda a comunidade. Viemos de um meio muito carente e sabemos das dificuldades das pessoas - na cultura, no esporte, até nas escolas. É importante estarmos presentes e ajudar sempre que possível'.

 

Sucessão

"Nossos rapazes, Mateus (24 anos, engenheiro mecânico, filho de Mario) e Leonardo (23, administrador, filho de Gilmar) estão se inserindo aos poucos na empresa. Sem pressão. Não queremos nada forçado, vimos exemplos aqui em Erechim onde isto aconteceu e não deu certo. Vale lembrar, porém, que iniciamos a transição já em 2008, quando transformarmos a Cavaletti em S/A, profissionalizando a gestão com pessoas competentes, de confiança e que não são da família".

 

Sem medo

"O limite do ser humano é o medo. A Cavaletti, em 45 anos, nunca se amedrontou. Por isso, o futuro nos desafia e vamos encará-lo pelos próximos 45 anos sem medo, de cabeça erguida e com muito trabalho".

 

Saiba mais

Cinco anos depois da abertura da empresa, em 1979, Jair Cavaletti, então com 19 anos, uniu-se ao negócio. Àquela altura, a Cavaletti contava com sete colaboradores. Toda a atividade era manual, desde o corte até a solda, costura, pintura e montagem. Os desafios industriais e logísticos eram grandes, mas inspiraram um aumento da estrutura - que se redistribuiu em três pavilhões. A partir de 1994, a Estofaria Erechim passou a se chamar Cavaletti Estofados para Escritório Ltda., com a cisão da empresa, saindo o 'tio' Fábio Lino Cavaletti e entrando mais um Irmão, João Paulo Cavaletti. Um passo importante seria dado em 1996, na contratação do primeiro engenheiro mecânico, Jairo Roque Benincá, que permanece até hoje como diretor de Engenharia e Sistemas.

Desde então, a Cavaletti passou a utilizar ferramentas específicas de engenharia, como os softwares AutoCAD, e foram criados equipamentos e máquinas que viabilizaram o aumento da produtividade.

Atualmente, a empresa opera no mesmo nível tecnológico high-end de desenvolvimento.

Nos anos 2000, a Cavaletti já se posicionava entre as maiores fábricas de cadeiras para escritório do Brasil. A marca, porém, ainda era associada a uma empresa de pequeno porte. Como resolver?

Contratação de um profissional na Área Comercial, Loivo Bombana, hoje diretor comercial. A solução veio em um amplo diagnóstico sobre o real status da marca junto aos seus públicos. Assim, foram desenvolvidas a nova marca e a identidade visual da, agora, Cavaletti S/A Cadeiras Profissionais.

A Cavaletti foi, também, uma das primeiras empresas da região a adotar o sistema robotizado - hoje, são 11 robôs de soldagem, do mesmo tipo que produzem automóveis de última geração. Todos os processos industriais são assistidos por um time de profissionais que garantem a conformidade de cada cadeira aos padrões de qualidade exigidos pela ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001.

A própria Cavaletti se encarrega da produção de componentes metálicos, plásticos, espumas e outros itens - que chegam a compor, em média, 95% de cada produto, assim como matrizes, moldes de injeção e máquinas específicas para determinados processos através da Empresa Fermatec.

A Cavaletti ocupa um moderno parque fabril no Distrito Industrial Irany Jayme Farina, às margens da BR-153, em Erechim com 82.000 m² de área e de 37.000 m² de área construída, um centro logístico em Itapevi/SP, com 10.000 m²; e um showroom no Bairro do Brooklin, no 24º andar do CENU, em São Paulo/SP, com 510 m².  A estrutura já supera os 700 colaboradores em diversas áreas.

A automação é um dos diferenciais da fábrica, mas não é o único: a fórmula de sucesso dos produtos Cavaletti vem justamente da união entre a vanguarda tecnológica e o investimento em qualificação de pessoas. Para a Cavaletti, o importante são as pessoas, por isso a empresa possui uma série de programas e projetos socioambientais e de sustentabilidade.

Publicidade

Blog dos Colunistas