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Geral

‘O Brasil deve se aproximar cada vez mais de Israel’

Declaração é do novo presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, FIRS, Sebastian Watenberg, em entrevista exclusiva ao jornal Bom Dia

Sebastian Watenberg
Por Salus Loch
Foto Divulgação

A Federação Israelita do Rio Grande do Sul, FIRS, elegeu sua diretoria para o biênio 2019-20. Para a presidência foi escolhido por aclamação o empresário e advogado Sebastian Watenberg. No total, a entidade conta com 25 diretores.

Em entrevista ao jornal Bom Dia – concedida por email de Nova Iorque/EUA, Watenberg antecipou que dará continuidade ao trabalho realizado pelas gestões anteriores, valorizando a cultura e as origens do povo judaico, com aumento do intercâmbio político acadêmico e comercial entre Brasil e Israel, além de combate ao antissemitismo. Ele também defende a instalação da Embaixada do Brasil em Jerusalém e disse estar aberto a parcerias com o município de Quatro Irmãos a fim de resgatar e valorizar a cultura judaica no Norte do RS. Confirma os principais trechos do bate-papo:

A FIRS foi fundada no início dos anos 60. De lá para cá, como o Sr vê o papel da Federação e quais devem ser os principais desafios de sua gestão?

Temos como principio representar institucionalmente nossa comunidade, de maneira apolítica e apartidária. Temos feito muito esforço para trazer os grandes temas para a realidade e buscar iniciativas práticas sobre temas cruciais para o futuro da comunidade judaica e da sociedade em geral. Cada vez mais temos nos voltado “para fora”. As instituições têm que ter lado e posição nos assuntos, mesmo correndo o risco de desagradar a uns e a outros em determinado momento. Isso faz parte de uma trajetória e você não define uma instituição por um momento. Cabe a nós tornarmos a nossa voz relevante. Os principais desafios serão, certamente, combater o antissemitismo, que ressurge globalmente em grandes proporções; combate ao movimento BDS; defesa do Estado de Israel; e a defesa de toda e qualquer minoria que esteja sendo atacada.

De que forma o Sr entende que seja possível aproximar Brasil (e em especial o RS) de Israel?

O Brasil deve se aproximar cada vez mais de Israel. É crucial que esse intercâmbio continue crescendo a cada ano. Israel tem muito a oferecer ao Brasil, em especial no que diz respeito à tecnologia e inovação. E o Brasil precisa desse aporte israelense, que tem se mostrado extremamente bem sucedido mundialmente para deixar de ser apenas um exportador de commodities e passar a ser um exportador de tecnologia. Não podemos perder esta oportunidade, sob pena de pagarmos caro por isso no futuro. O Brasil deve buscar transformar-se numa economia rica, como faz a China. Deve focar em hi-tech, em exportar tecnologia, software. O Brasil deve se aproximar de países ricos, fazer negócios com quem pode lhe trazer vantagens.

Qual sua avaliação a respeito dos discursos antissemitas que se espalham pelo mundo?

Quando nossos valores mais preciosos estiverem sob ataque, a FIRS sempre se levantará para defendê-los. Nunca devemos ceder ao mal, não importa o quão sombrias as chances de superá-lo possam parecer. Em vez disso, devemos encontrar nossa força interior, aproveitar o momento e lutar implacavelmente e com inteligência. É isso que fazemos, e continuaremos a fazer.

Quatro Irmãos recebeu entre 1908 e 1909 a segunda leva de judeus do RS. O Sr pensa em valorizar/resgatar de alguma forma esta parte da história judaica, promovendo, por exemplo, eventos e discussões no município?

A reforma do antigo hospital de Quatro Irmãos, que hoje virou museu, é obra de iniciativa da FIRS. O cemitério também se encontra em excelente estado de conservação. É nosso dever preservar esta memória, pois a comunidade judaica é parte da história do próprio RS. Gostaríamos muito de poder ir além, especialmente em parceria com o Município. Nossas portas estão abertas.

Qual sua opinião a respeito da possível troca da Embaixada do Brasil em Israel (saindo de Tel Aviv e indo para Jerusalém), anunciada pelo governo Bolsonaro?

O Brasil é um Estado soberano, assim como Israel.  A Palestina,  não é um  país  soberano. Isso não  é um posicionamento político, mas um fato. Logo, Israel tem total direito de escolher qual cidade será a sua capital. Quando a Palestina for um Estado soberano, poderá escolher onde quer colocar a sua Embaixada, se em Ramallah ou em Jerusalém Oriental. Ou em qualquer outra cidade que entender conveniente. Há 70 anos, Israel definiu que a sua capital seria em Jerusalém Ocidental. Aliás, toda a Administração Pública israelense fica em Jerusalém Ocidental. Jerusalém Ocidental, por sinal, não é reivindicada pelos palestinos ou árabes. E nem Israel reivindica que Jerusalém Oriental seja parte do seu território por ocasião da criação do Estado Palestino. A mudança das embaixadas de Tel Aviv para Jerusalém remonta à década de 80 quando, após a anexação de Jerusalém Oriental por Israel (fazendo de Jerusalém “capital indivisível”), a ONU solicitou aos países membros que retirassem de lá as suas embaixadas, até que a questão relativa a Jerusalém fosse resolvida. Quase 40 anos depois, nenhum avanço concreto rumo à paz adveio desta medida! Reconhecer Jerusalém Ocidental como capital de Israel apenas reforça o reconhecimento futuro que haveria de Jerusalém Oriental como capital do futuro Estado Palestino. Ainda, pressiona Israel nesse caminho! De todas as formas, acho pouco relevante onde se localizará a embaixada. Como referi antes, o mais importante é continuar ampliando as relações bilaterais entre Israel e o Brasil. A possível mudança da embaixada do Brasil mimetiza movimento realizado em maio por Donald Trump, que levou a embaixada dos EUA para Jerusalém. O gesto de Trump respondia também às aspirações de grupos evangélicos.  Não é diferente no caso de Bolsonaro.

Quem é Sebastian Watenberg:

Advogado e empresário, o novo presidente possui MBA Internacional em Gestão Executiva pela ESPM e Marketing e especialização em Liderança pelo Insper. Também como diretor da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, além de ser membro da liderança jovem global do American Jewish Committee.

A FIRS

Com 57 anos de fundação, a FIRS tem atuado a fim de promover e fortalecer a representatividade judaica no Estado, desenvolvendo atividades culturais e de relevância perante a sociedade gaúcha.

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