"Não à corrupção e à impunidade" é o que pede o movimento que coleta assinaturas para elaboração de projeto de lei de iniciativa popular
Aos 85 anos, a professora aposentada Ondina Maria Piaia se diz esperançosa por um mundo melhor. Ontem (9), ela esteve na esquina da Avenida Maurício Cardoso com a Rua Itália, popularmente conhecida como "esquina democrática", onde convidava a comunidade através do megafone para participar de um abaixo assinado. Integrante do projeto de ação social nominado "A voz do povo", ela diz lutar por uma sociedade justa e igualitária. "É uma contribuição que estou dando no final de minha vida", disse ela à reportagem do jornal Bom Dia.
Os responsáveis pelo movimento estão propondo uma redução de 50% nos cargos de assessoria no Legislativo erechinense, pagamento de diárias apenas para missões oficiais e com ressarcimento de valores, não ao turno único na prefeitura, redução dos cargos comissionados e funções gratificadas na Câmara de Vereadores e na prefeitura. "Queremos reunir aproximadamente seis mil assinaturas dos cidadãos que estão descontentes com a situação política no cenário nacional. Somos contra a corrupção, contra a desigualdade social, contra a impunidade, e contra a desordem que está havendo no País. Estamos lutando para contribuir, enquanto cidadãos, para lutar contra isto", disse dona Ondina.
Para protocolar um projeto de iniciativa popular no poder Legislativo, será necessário coletar um número de assinatura que corresponda a 5% do eleitorado erechinense.
Antônio Andriolli também é responsável pelo projeto que, segundo ele, tem como foco principal combater a corrupção. "Ninguém mais admite tanto desmando e tanta corrupção no Brasil. Aqui trabalhamos melhor que os europeus e a riqueza fica nas mãos de meia dúzia de pessoas. Quando é para tapar os buracos financeiros os políticos vêm até nós, população, aumentando os impostos. O governo e a política só funcionam se o povo mandar. Este povo não é o representante do povo, como temos. É o representante honesto, digno, que não rouba, não desvia, não mente e, inclusive, não aumenta seu próprio salário. Este é o representante do povo, mas que infelizmente não existe mais", argumentou Andriolli.
"Diárias: se o povo pressionar, eles fazem", aponta Andriolli
Na sessão de segunda-feira (7), os 17 vereadores que compõem a atual legislatura votaram favorável ao projeto de lei que dispõe sobre a concessão de diárias, reduzindo em 49% os valores pagos aos parlamentares e 20% dos servidores.
Uma das propostas do movimento é que seja realizado o pagamento de diárias apenas para missões oficiais, com ressarcimento de valores. Mas Andriolli diz não se iludir com o projeto de lei aprovado. "Ninguém deve se iludir e achar que o vereador amanheceu bom e que começou a reduzir porque está consciente. Não! Eles estão reduzindo por pressão do povo, do mesmo povo que assinou e que está assinando aqui conosco. É isto que está ocasionando a mudança. Eu não me iludo mais pensando que os políticos farão algo em benefício do povo sem pressão. Se o povo pressionar, eles fazem. Caso não houver pressão, eles vão continuar corrompendo, desviando, sujando, prostituindo e apodrecendo este país que é belo e riquíssimo", disse.
"Economia de R$2,8 milhões com o turno único", afirma Polis
Contrários ao turno único, o abaixo assinado vem ao encontro de acabar com o expediente reduzido dos poderes Legislativo e Executivo. Com relação ao assunto, o prefeito Paulo Polis (PT) se pronunciou dizendo que a adoção do horário diferenciado possibilitou uma economia de aproximadamente R$ 2,8 milhões em 2015, ou seja, aproximadamente, R$ 230 mil por mês. Segundo dados da Secretaria da Fazenda, em 2014, a economia foi de R$ 1,6 milhão.
"Com os R$ 2,8 milhões economizados em 2015, foi possível a realização do início das obras do Pró-Erechim (que está asfaltando as principais vias de ligação da cidade), além do repasse direto de R$ 2 milhões à Fundação Hospitalar Santa Terezinha. Vale lembrar que todas as secretarias municipais e seus departamentos continuam funcionando em sistema de plantão, com equipes fazendo escalas de serviço para atendimento ao público até as 18h, com exceção da Secretaria de Saúde que atende até às 17h, sem prejuízo no atendimento à comunidade" frisou o prefeito.
Se não chover durante o dia de hoje, os responsáveis pelo movimento "A voz do povo" estarão na esquina democrática novamente, colhendo assinaturas. "O objetivo são as seis mil assinaturas, mas acredito que chegaremos em 25 mil. Passaremos nas casas explicando nossa causa e contamos com o apoio do povo", finalizou Andriolli.

Vereador Lucas Farina (PT), Presidente da Câmara de Vereadores
"No meu entendimento é preciso respeitar a opinião e a visão das pessoas e deixar claro que a Câmara de Vereadores tem respeitado constitucionalmente todas as leis a nível local, estadual e federal, tanto que no ano passado, a casa legislativa usou de orçamento constitucional apenas 56%, garantindo efetividade no trabalho e economia nos recursos públicos".
Vereador Leandro Basso (PRB)
"Quanto aos temas, eu entendo que em relação as diárias eu já propus que deva haver somente um ressarcimento, como é na iniciativa privada, mas não acontece hoje. A forma mais correta seria o ressarcimento das despesas, que é o que mercado faz. Quanto aos honorários, eu entendo que o que deve se cobrar é capacidade, conhecimento, entendimento da lei, horário de disponibilidade a população. Tenho visto que se deve reduzir o salário e, no caso de Erechim, os vereadores fiscalizam R$ 200 milhões. Quem vai fiscalizar este valor com 15 ou 20 minutos de trabalho voluntário? É uma proposta fraca. Temos que defender o fortalecimento do Legislativo, que é o maior poder da democracia. Hoje se encontra corrompido e submisso ao Executivo, seja por troca de cargos ou de favores. Porém se a população quer uma democracia forte, tem que defender este fortalecimento, que é onde as leis são feitas e fiscalizadas".