A redação do Jornal Bom Dia recebeu nesta semana, membros de movimentos sindicais que compõem o Fórum Popular em Defesa da Água em Erechim. Estiveram presentes, os representantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado do Rio Grande do Sul (Sindiágua), Neori Pavan, do Sindicato dos Metalúrgicos de Erechim (Sindimetalúrgicos), Fábio Adamczuk e do Sindicato dos Comerciários de Erechim (Sindicomerciários), Gaudino Graczik. O grupo se posiciona contra a privatização da água, e pretende realizar audiências públicas e reuniões nos bairros do município para esclarecer os moradores sobre os prejuízos que a concessão para a iniciativa privada poderá trazer.
"O contrato que o município de Erechim firmou em 2012 com a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) está suspenso por decisão judicial para ser ajustado. Ao invés de fazer os devidos ajustes com a Corsan, a administração municipal publicou edital de licitação para privatizar a água em Erechim. Vale lembrar que nas cidades onde a água foi privatizada, como por exemplo em Uruguaiana, em pouco tempo a conta duplicou de valor. Além disso, a água é um bem de todos e não pode ser tratada como mercadoria. É inaceitável que Erechim caminhe na contramão e privatize a água no nosso município, pois se isso ocorrer, quem pagará caro essa conta será a população", disseram os líderes sindicais.
"A Corsan, juntamente com o município de Erechim, através do contrato de 2012, já garantiu várias obras para a nossa cidade, como a transposição da bacia do Rio Cravo. Obra que está pronta para o uso. Esta tão esperada obra, que consta no atual contrato, teve um investimento de mais de R$ 32 milhões e irá garantir o abastecimento de água em Erechim, sem qualquer possibilidade de futuros racionamentos. Será que se uma empresa privada assumir o contrato da água e do esgoto haverá continuidade de investimentos como o do Rio Cravo em Erechim?", questionaram os sindicalistas.
Edital
A publicação do edital para a concessão dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário em Erechim, que deve acontecer no dia 16 de janeiro em 2018, provocou reações de entidades sociais, sindicais, populares, lideranças políticas, estudantis e comunitárias que integram o fórum. As entidades são contra a exploração da água por empresa privada, pois segundo disseram, entendem que o saneamento básico deve ser tratado como política pública.
O valor estimado do contrato é de R$ 2,9 bilhões e corresponde à receita bruta previsível para a cobrança de tarifas e remuneração pelos serviços complementares. A empresa vencedora da licitação terá que pagar R$ 15 milhões ao município a título de outorga, e poderá explorar o abastecimento de água durante 30 anos.