Introspecção e obsessão
Meu artigo de hoje não tem nada de especial, divertido ou animado. Para quem escreve é assim: quando as ideias nos vêm à cabeça, é preciso organizá-las e, sobretudo, comunicá-las. Como praticante da doutrina espírita, tenho percebido que as questões de natureza espiritual precisam ser encaradas previamente, a exemplo dos problemas de saúde. Foi por esta razão que decidi compartilhar esta opinião.
Comportamento tímido
Há pessoas que, num dado momento da vida, apresentam uma certa timidez, passível de ser caracterizada como introspecção. Do nada, mudam o comportamento, ficam mais fechadas, isolam-se e passam a dizer poucas palavras. Nota-se esta atitude, inclusive, na qualidade e na frequência das postagens nas redes sociais. A mudança é como uma fuga sutil e a diminuição do contato social, em vez de proteger, acaba por fragilizar a pessoa, num indicativo de que algo pode não estar bem.
Timidez ou instrospecção
Para começar, é preciso compreender o que é timidez e o que é introspecção. A primeira faz parte do temperamento da pessoa. É da sua natureza. A segunda é um estágio no qual a pessoa se encontra. Podemos dizer que todo sujeito que é tímido é introspectivo, mas a recíproca não é verdadeira. Num mundo em que as atenções deixam de estar voltadas às pessoas e passam a ser dedicadas às telas, podemos ignorar situações em que o sofrimento começa a encontrar lugar no coração das pessoas que nos rodeiam. Mas claro, nem toda introspecção é sinal de algo ruim. Em certos casos, com o devido propósito, até faz bem.
Doença da alma
Neste momento, há muitas pessoas iniciando a trajetória da depressão. As estatísticas não falham. Esta é considerada “a doença do século”. No entanto, sabemos que não se trata de algo contagioso como uma gripe. Não tem causa biológica externa. Não é provocada por vírus ou bactéria e esquecemos que as causas podem ser espirituais. Preliminarmente, é preciso aceitar que a vida espiritual continua depois da vida física. O que morre é o corpo. Logo, a obsessão pode ser a porta de entrada para a depressão. Tanto é que a Organização Mundial da Saúde reconhece como doença (CID-11) estes fenômenos espirituais relacionados aos transtornos de transe e possessão.
Introspecção e depressão
A depressão, quando em fase inicial - e muito antes do diagnóstico - tem na introspecção e na mudança repentina de comportamento, indícios de que algo não vai bem. Trata-se de um quadro que pode indicar que a pessoa já esteja sofrendo de algum processo de obsessão espiritual. Para os espíritas, quanto mais cedo forem realizados os “tratamentos” espirituais, melhores serão as chances de recuperação e cura. Em estágio avançado, a obsessão muda de patamar e a pessoa que sofre tende, aos poucos, a perder o controle da própria consciência, passando ao espírito obsessor o comando de suas capacidades mentais. Nestes estágios de alienação, nem mesmo a caridade espiritual consegue ajudar com assertividade, pois tudo depende da “reforma íntima”, difícil de ser implementada por aquele que foi envolvido pela doença.
Ciência e saúde
Buscar ajuda profissional é sempre a alternativa correta para enfrentar os quadros de depressão. No entanto, a busca de ajuda e amparo espiritual pode ser muito útil quando a doença ainda não evoluiu para patamares mais avançados e visíveis. Em estágios iniciais, uma simples apatia ou mudança repentina de comportamento que resulte em introspecção pode ser sintoma de uma obsessão espiritual. Uma situação que é considerada comum pelos praticantes do espiritismo. A vantagem de procurar ajuda nestas fases iniciais é que os centros espíritas nada cobram pela orientação, tratamento e acompanhamento. Para que não restem dúvidas, convém observar a introspecção repentina. Esta pode indicar um processo obsessivo, que, na maioria das vezes, faz adoecer o obsediado, sendo a depressão a mais comum das consequências da obsessão.