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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Nós e os índios

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Que diferenças têm o “homem branco” de um indígena? Por certo que muitas. Bem mais que o “homem negro”. Enquanto acreditamos que os silvícolas são os indígenas, numa absurda ilusão colonialista, os atrasados acabam sendo nós, homens da cidade e do campo, gente que não vive em harmonia com a natureza, mas que dela extrai tudo em nome do conforto. Um conforto que nunca parece ser o suficiente.

A lei natural

Sem entrar em questões de natureza religiosa, Allan Kardec, quando da elaboração do chamado “Livro dos Espíritos” (um compêndio de perguntas e respostas), indagou na questão 621: “Onde está escrita a lei de Deus?”. Os espíritos então responderam com uma só palavra: “na consciência”. Ora, se a lei de Deus é a lei da natureza (pergunta 614), viver em harmonia com a natureza é o mesmo que viver conforme a lei de Deus. Por esta razão, tenho a dizer que os indígenas são seres espiritualmente mais evoluídos do que nós, homens brancos, descendentes da cultura judaico-cristã.

Os selvagens

Partindo dessa analogia, onde quem vive de acordo com a lei de Deus é o ser mais elevado, mesmo não precisando acreditar Nele, podemos afirmar que o “homem branco”, em verdade, é um selvagem. Somos “selvagens” justamente por vivermos em permanente estado de alerta e risco, como os homens das cavernas. Vivemos à custa do medo. Criamos nossa sociedade com esses valores atrasados, reproduzindo em nossa atmosfera as mesmas condições de vida dos primeiros humanoides. Parece um pouco exagerado, mas basta ver: os indígenas têm depressão? Cometem suicídio? Abandonam suas crias? Desmatam? Exploram? Fazem guerras? São corruptos? Quem é o verdadeiro selvagem nessa história?

As religiões

Por mais importantes que sejam, as religiões, além de fazer o bem e manter a ordem e “os costumes”, também se aproveitam de seus fiéis. Falam “em nome de Deus” o tempo todo, mas não conseguem aproximar o homem da natureza. Por que razão? Porque se assim o fizerem, perdem a razão de ser. É mais fácil, então, falar de pecado, de perdão, de erro, de crescimento espiritual, de céu e de inferno, enquanto os indígenas vivem o inalcançável: a harmonia com a natureza.

A consciência

Se a lei natural ou a lei de Deus está gravada em nossa consciência, por que razão não somos “seres conscientes”? A resposta talvez esteja em nosso modo de vida, nos costumes que socialmente vamos copiando, replicando e errando. Em nome do “bem-estar”, descolamo-nos da nossa essência. Esquecemo-nos da nossa natureza individual. Influenciados por uma sociedade perdida, que não vai para lugar algum, liderada por homens loucos, eleitos por conseguirem influenciar, sem transformar, caminhamos para o fim. E a sorte, por onde anda? A sorte, ao menos, serve de salvação para quem acredita em reencarnação. Aos demais, os que nela não acreditam, a vida termina assim, niilista, sem sentido, sem respostas, sem Deus.

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