Tabernáculo e Santuário
O tabernáculo, no Antigo Testamento, foi o templo móvel dos israelitas. Foi uma grande tenda equipada para serviços sagrados. Santuário é uma palavra que se refere a esse tabernáculo ou ao templo permanente em Jerusalém que tomou seu lugar. Os dois termos também assumem significados figurados em falar sobre o lugar da habitação de Deus, seja seu santuário celestial, a igreja de Jesus ou a vida do servo do Senhor. As palavras são usadas intercambiavelmente em muitos textos bíblicos.
Há um caso curioso, porém, no qual aparecem essas duas palavras em sentidos diferentes:
“Quando, porém, Cristo veio como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos humanas, quer dizer, não desta criação, e não pelo sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santuário, uma vez por todas, e obteve uma eterna redenção” (Hebreus 9:11-12).
No contexto de Hebreus, entendemos que o Santuário no qual Jesus entrou, o destino citado no versículo 12, é o “verdadeiro tabernáculo” celestial, onde Deus ocupa seu trono (Hebreus 8:1-2). Mas, o “mais perfeito tabernáculo” mencionado no versículo anterior não é o destino, e sim o meio da realização da sua obra sacerdotal. Para compreender o que as Escrituras ensinam, precisamos considerar outros textos.
Quando João afirmou que o Verbo (Jesus) habitou entre nós, ele usou uma forma da palavra tabernáculo (João 1:14). Quando Jesus expulsou os comerciantes do templo, ele fez um comentário enigmático à sua própria morte e ressurreição: “Destruam este santuário, e em três dias eu o levantarei”. João explica que ele “se referia ao santuário do seu corpo” (João 2:19-22). Paulo acrescenta: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9).
Agora, o texto de Hebreus 9:11-12 fica claro. Mediante o seu tabernáculo perfeito, um corpo que nunca foi profanado pelo pecado, Jesus cumpriu sua missão redentora (Hebreus 10:20). Ele se qualificou como Sumo Sacerdote e levou o sangue do seu sacrifício perfeito ao Santuário celestial, onde ele entrou uma vez por todas. Desta maneira, ele fez o único sacrifício suficiente para perdoar os nossos pecados, e continua agindo como nosso sacerdote, fazendo intercessão pelos filhos do Senhor. Paulo disse: “É Cristo Jesus quem morreu, ou melhor, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Romanos 8:34).