Com a chegada do inverno, muitas pessoas percebem um aumento no desconforto ocular. Ardência, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, coceira e visão embaçada podem se tornar mais frequentes nesta época do ano. Mas afinal, existe realmente uma relação entre o inverno e o ressecamento dos olhos?
A resposta é sim. Durante os meses mais frios, fatores ambientais favorecem a evaporação da lágrima e contribuem para o aparecimento ou agravamento da chamada síndrome do olho seco, uma das condições oftalmológicas mais comuns na população.
No inverno, a umidade relativa do ar costuma diminuir, especialmente durante períodos de estiagem. Além disso, o aumento da exposição ao vento e o uso frequente de aquecedores e aparelhos de ar-condicionado reduzem ainda mais a umidade do ambiente. Como consequência, a película lacrimal que protege a superfície ocular evapora mais rapidamente, deixando os olhos menos lubrificados.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Sensação de areia ou corpo estranho nos olhos;
- Ardência e queimação;
- Vermelhidão ocular;
- Sensibilidade à luz;
- Lacrimejamento excessivo;
- Visão embaçada que melhora ao piscar.
Embora possa parecer contraditório, o excesso de lágrimas também pode ser um sinal de olho seco. Isso acontece porque o olho tenta compensar a falta de lubrificação produzindo lágrimas reflexas, que possuem menor qualidade e não conseguem proteger adequadamente a superfície ocular.
Alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver a doença, incluindo pessoas acima dos 50 anos, mulheres após a menopausa, usuários de lentes de contato, pacientes que permanecem longos períodos em frente a telas e indivíduos com doenças autoimunes.
O uso prolongado de computadores, celulares e tablets merece atenção especial. Quando estamos concentrados em uma tela, piscamos menos vezes por minuto, favorecendo a evaporação da lágrima e aumentando o desconforto ocular. Durante o inverno, esse efeito pode se tornar ainda mais evidente.
Como prevenir o ressecamento ocular?
Algumas medidas simples podem ajudar a proteger os olhos durante os meses frios:
- Manter-se bem hidratado;
- Evitar exposição direta ao vento;
- Utilizar umidificadores de ambiente quando necessário;
- Fazer pausas regulares durante o uso de telas;
- Piscar conscientemente com mais frequência;
- Utilizar lágrimas artificiais quando recomendadas pelo oftalmologista.
É importante lembrar que nem toda irritação ocular é causada por olho seco. Alergias, infecções e outras doenças da superfície ocular podem apresentar sintomas semelhantes. Por isso, quando os sintomas persistem ou causam desconforto significativo, a avaliação oftalmológica é fundamental.
Segundo Dr Lucas Baldissera Tochetto, especialista em superfície ocular, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado ajudam a controlar os sintomas e evitar complicações que podem comprometer a qualidade de vida e a saúde ocular.
Dr Lucas Baldissera Tochetto – especialista em Córnea e superfície Ocular na CODI – Clínica de Oftalmologia e Dermatologia Integrada
CODI – Clínica de Oftalmologia e Dermatologia Integrada
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