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Saúde

Menstruação retrógrada levanta debate sobre endometriose

Fenômeno natural do ciclo menstrual ajuda a explicar parte dos casos da doença, que afeta milhões de mulheres

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A menstruação retrógrada é um fenômeno natural em que parte do fluxo menstrual retorna à cavidade ab
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação IA

Menstruar é um processo fisiológico natural, mas alguns mecanismos envolvidos nesse período ainda despertam dúvidas. Um deles é a chamada menstruação retrógrada, fenômeno em que parte do sangue menstrual e fragmentos do endométrio não são eliminados apenas pela vagina. Em vez disso, retornam pelas tubas uterinas em direção à cavidade abdominal.

Embora o tema seja frequentemente associado à endometriose, a menstruação retrógrada não é considerada uma doença. Estudos indicam que ela pode ocorrer em muitas mulheres sem provocar qualquer alteração na saúde. O fenômeno está relacionado às contrações do útero durante o período menstrual, à anatomia do sistema reprodutor feminino e à dinâmica natural do fluxo.

A ligação com a endometriose

O interesse científico sobre a menstruação retrógrada ganhou força a partir da teoria proposta pelo médico John Sampson, em 1927. Segundo essa hipótese, células do endométrio presentes no fluxo que retorna pelas tubas poderiam alcançar a cavidade pélvica, aderir a órgãos como ovários, intestino, bexiga e peritônio e continuar se desenvolvendo fora do útero.

A teoria ajuda a compreender parte dos casos de endometriose, mas não explica a doença em sua totalidade. Atualmente, especialistas consideram que a condição tem origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais, imunológicos e inflamatórios.

Entre os elementos associados ao aumento do risco estão a menarca precoce, ciclos menstruais curtos e histórico familiar da doença. Pesquisas também buscam identificar possíveis diferenças na quantidade ou nas características do material menstrual que retorna pelas tubas em mulheres com e sem endometriose.

Uma condição que afeta milhões de mulheres

A relevância desse debate está ligada à frequência da endometriose na população. De acordo com o Ministério da Saúde, em consonância com estimativas internacionais, a doença afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.

Apesar de comum, o diagnóstico ainda costuma demorar anos. Muitas pacientes convivem por longos períodos com sintomas importantes antes de receberem avaliação adequada, frequentemente porque sinais de alerta são interpretados como parte normal da menstruação.

Sinais que merecem atenção

Cólicas leves ou moderadas costumam fazer parte do ciclo menstrual. No entanto, dores intensas ou sintomas que comprometem a rotina não devem ser ignorados. Entre os principais sinais que justificam investigação médica estão cólicas incapacitantes, dor pélvica persistente, desconforto durante as relações sexuais, dor ao evacuar ou urinar durante a menstruação, sangramentos urinários ou intestinais relacionados ao ciclo, fadiga significativa e dificuldade para engravidar.

O atraso no diagnóstico também está relacionado à disseminação de informações incorretas. Entre os mitos mais comuns estão a ideia de que a gravidez elimina a endometriose, de que exames de imagem normais descartam a doença ou de que toda mulher com a condição será infértil.

Especialistas orientam que sintomas capazes de interferir nos estudos, no trabalho, na prática de atividades físicas ou na vida sexual sejam avaliados por um profissional de saúde. A recomendação vale também para adolescentes. A investigação precoce permite controlar a dor, preservar a qualidade de vida e planejar o tratamento de forma mais adequada.

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