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Saúde

Junho Vermelho alerta para necessidade constante de sangue e plaquetas

A demanda por esses componentes é contínua nos hospitais devido ao aumento de cirurgias e doenças hematológicas

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Manter uma rotina de doação de sangue, pode salvar muitas vidas
A médica lembra que muitas vezes quem recebe uma transfusão não tem como agradecer pessoalmente ao d
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Marcelo V. Chinazzo e Arquivo Pessoal/Dra. Carolina

A campanha Junho Vermelho vem a público para chamar a atenção da população para a importância da doação de sangue e plaquetas, especialmente em períodos em que os estoques tendem a cair. Em hospitais da região, a necessidade desses componentes tem sido constante, acompanhando o aumento de procedimentos cirúrgicos, acidentes e casos de doenças hematológicas.

Alta demanda por transfusões em Erechim

No Hospital Santa Terezinha, em Erechim, a rotina inclui um volume elevado de transfusões. Segundo a médica hematologista e hemoterapeuta Dra. Carolina Fusinato Molin, a média chega a cerca de 30 transfusões por dia, ou seja, são praticamente de 20 a 30 pessoas precisando de sangue todos os dias.

“Isso cresceu muito porque aumentaram as cirurgias, infelizmente aumentaram os acidentes e as doenças oncohematológicas, então principalmente pelo aumento de demanda de certas doenças e de certos traumas também”.

Campanha Junho Vermelho e queda dos estoques no inverno

O Junho Vermelho busca estimular a doação regular e manter os estoques abastecidos ao longo do ano. No inverno, a redução nas doações é comum devido às temperaturas mais baixas e ao aumento de infecções respiratórias, o que impossibilita muito as pessoas de doarem.
“É necessária uma conscientização global de manter uma doação regular e principalmente porque todos os tratamentos oncológicos, causam um grau de mielotoxicidade, ou seja, eles dificultam a produção das células do sangue ou eles lentificam essa produção e nisso os pacientes podem, ao longo do tratamento, necessitar de mais transfusão”,  coloca Dra Carolina.

Leucemia e necessidade constante de transfusões

A leucemia compromete diretamente a produção das células sanguíneas, o que torna frequente a necessidade de transfusões durante o tratamento. Além disso, a quimioterapia também interfere na produção da medula óssea.

“A leucemia é um câncer da medula em que para a produção das células sanguíneas. E nisso, os pacientes necessitam da transfusão de sangue, plaqueta e outros hemoderivados, principalmente porque a doença não deixa a medula produzir mais.
Se nós não transfundimos esses pacientes já no início, eles vão vir a falecer dos distúrbios da coagulação e da anemia severa. Porém, durante o tratamento, pelo uso da quimioterapia, é necessário manter as transfusões regulares para controle dessas células sanguíneas”.

Plaquetas e riscos em caso de baixa contagem

As plaquetas são fundamentais no processo de coagulação do sangue, evitando sangramentos graves e descontrolados. Durante tratamentos oncológicos, a queda desses componentes pode gerar complicações graves.

Nos tratamentos oncológicos é necessária uma quantidade mínima de plaquetas. Quando essa quantidade cai absurdamente, o paciente fica suscetível a esses sangramentos e nem sempre eles são provocados, “então eles podem ter hemorragia digestiva ou cerebral e as mucosas podem ficar sangrando, levando o paciente ao óbito”, explica a médica.

Doação de plaquetas

A doação de plaquetas pode ocorrer de duas formas, ou a partir do sangue total ou por aférese. O segundo método é mais específico e permite a coleta de maior quantidade de plaquetas de um único doador.

Quando o doador vai ao banco de sangue doar uma unidade de sangue total é extraído uma unidade de plaqueta. Então todo mundo que doa uma unidade de sangue total, sempre será retirada uma unidade de plaqueta, porém quando um paciente necessita de plaquetas, ele necessita de uma unidade a cada 10 kg, ou seja, uma pessoa de 60 kg precisa de seis doadores para reverter o distúrbio da coagulação, “por isso que a gente precisa muito de plaqueta e detalhe, a plaqueta é uma célula que não tem um tempo de vida útil, é em torno de 5 dias. Então, os pacientes que doam na segunda-feira, as plaquetas tem que ser usada até sexta-feira”, aponta Dra. Carolina.
O outro método de doação de plaquetas é por aférese, que é um procedimento um pouquinho mais complexo, que não é feito em Erechim e nem em Passo Fundo, apenas nos grandes hemocentros aonde o paciente é conectado a uma máquina aonde é retirado o sangue e ao mesmo tempo é filtrado apenas as plaquetas. Esse processo de coleta dura duas horas em média. “O paciente fica retirando as plaquetas, devolvendo o volume, retira mais um pouco, devolve o volume e nesse tempo nós conseguimos retirar as seis unidades de plaquetas. Então, apenas um doador consegue doar seis unidades, que seria mais ou menos a quantidade para uma pessoa de 60 kg”, coloca.
Esse método que seria doação de plaquetas por aférese, é um método que nem todo mundo consegue fazer e tem critérios mais rigorosos e “a gente deixa esse método principalmente para pacientes de transplante de medula”, complementa a médica.

Segurança na doação de plaquetas

Apesar de dúvidas frequentes entre doadores, o procedimento de coleta de plaquetas é seguro e não traz prejuízos ao organismo.

“Quando é realizada essa doação de plaquetas por aférese, há um mito em que serão retiradas todas as plaquetas do doador e ele terá sangramentos. Isso não acontece. No processo, é retirado o quantitativo de mais ou menos seis unidades de plaquetas, mas o nosso organismo recupera isso em 48, 72 horas, então não se tem um aumento real do risco de sangramentos por ter doado as plaquetas”, enfatiza Dra. Caroline.
Durante esse procedimento, que é um pouquinho mais demorado, o paciente recebe soro fisiológico, que é a única infusão que o doador recebe e que por ser neutro, não traz nenhum risco. Além do mais, “todo material usado é estéril e único do paciente e os pré-requisitos para doação de plaquetas não fogem dos pré-requisitos de uma doação normal de um sangue total”.

Importância das doações no tratamento da leucemia

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam mais de 12 mil novos casos de leucemia por ano no Brasil no triênio 2026-2028. A disponibilidade de sangue e plaquetas é decisiva para a continuidade dos tratamentos.

Sem sangue e os hemocomponentes, que seriam as plaquetas, o plasma, o crioprecipitado, não é possível tratar leucemia aguda. Esses pacientes, têm uma falha total da produção dessas células e muitos pacientes não são nem candidatos a tratamentos intensivos, como quimioterapia e a única possibilidade para esses pacientes, muitas vezes, é a transfusão sanguínea, “então, tem muitos pacientes que têm o diagnóstico dessas doenças que fazem tratamento com quimio ou sem quimio que necessitam da transfusão para sobreviver”, pontua.

Doação

Diariamente pessoas em tratamento de câncer, submetidas a cirurgias, vítimas de acidente de carro, bebês na UTI neonatal, dependem das doações, por isso é muito importante que se mantenha os estoques abastecidos o ano todo.

“Eu gostaria de convidar todas as pessoas que tem condições de doar, que reflitam sobre o poder desse gesto. A doação de sangue é simples, segura e pode fazer a diferença entre a vida e a morte para muitos pacientes”, conclui a Dra Carolina.

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