A Doença de Crohn é uma enfermidade inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do sistema digestivo, da boca ao ânus. Os sintomas incluem inflamação, diarreia, dores abdominais e até feridas que podem estreitar ou perfurar os órgãos. Apesar de não ter cura, a doença possui tratamento e os avanços terapêuticos têm reduzido significativamente a necessidade de cirurgias.
Sintomas exigem atenção
Entre os principais sinais de alerta estão diarreia frequente, dores abdominais persistentes, perda de peso, cansaço e alterações intestinais recorrentes. Em casos mais graves, a doença pode causar perfurações e fístulas no intestino.
Idade mais comum para diagnóstico
“Não existe um perfil específico para pessoas diagnosticadas com a doença, mas a idade sim é mais comum que aconteça entre os 15 e os 30 anos, o diagnóstico, podendo ter um segundo pico de diagnóstico dos 45 aos 60 anos, mas a idade mais comum é entre a segunda e a terceira décadas de vida”, explica o médico proctologista, Dr. Enzo Taglietti.
Causas e fatores de risco
A origem da doença está relacionada principalmente à genética. Pessoas com familiares diagnosticados apresentam maior risco de desenvolver o problema. Apesar de não existir cura definitiva, os tratamentos atuais permitem controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da Doença de Crohn envolve uma combinação de exames clínicos e laboratoriais. Colonoscopia, exames de sangue e exames de imagem costumam ser os principais recursos utilizados. “E eventualmente, alguns casos, pode ser necessário endoscopia digestiva alta, sendo fundamentais para confirmar a doença associado aos achados e associado aos sintomas, junto com o resultado dos exames”, coloca o médico.
Diferenças entre Crohn e outras doenças intestinais
Muitas pessoas confundem a Doença de Crohn com problemas mais comuns, como intolerância à lactose e síndrome do intestino irritável. No entanto, essas condições não provocam lesões profundas no intestino.
“A principal diferença é que a doença de Crohn tem uma inflamação verdadeira que acomete a parede intestinal e que inflama todas as camadas da parede, podendo ultrapassar todas elas e perfurar”, salienta.
Complicações da falta de tratamento
Sem diagnóstico ou tratamento adequado, a doença pode evoluir para complicações graves, como estenoses (estreitamento do intestino), desnutrição causada pela diarreia persistente, além de perfurações e fístulas.
Essas complicações podem exigir intervenções cirúrgicas e impactar diretamente a qualidade de vida do paciente.
Avanços nos tratamentos reduziram cirurgias
Nos últimos anos, o tratamento da Doença de Crohn evoluiu de forma significativa. Atualmente, existem desde medicamentos orais até terapias biológicas injetáveis, consideradas as mais modernas e eficazes.
“E foi muito importante a introdução dela, porque antigamente o índice de necessidade de cirurgia passava de 30% e hoje menos de 10% dos pacientes precisam ser operados. E esses 10% muitas vezes ficam bons com uma cirurgia apenas, sendo que antigamente dos 30% operados a maioria precisava novas cirurgias”, frisa o Dr. Enzo.
Alimentação e estilo de vida
Embora alimentação e hábitos não sejam fatores determinantes para o surgimento da doença, eles podem contribuir para melhorar os sintomas e o bem-estar do paciente.
Redução do estresse, alimentação equilibrada, evitar excesso de bebida alcoólica e manter hábitos saudáveis ajudam na qualidade de vida e no controle das crises.
Cirurgia
“A cirurgia é necessária na doença de Crohn quando existe uma fístula que é uma perfuração do intestino para um outro órgão ou para a pele ou quando tem um estreitamento que impede a passagem das fezes e assim como alguns casos em que a doença não é tratada pela medicação quando não tem resposta ao tratamento”, explica o médico.
Orientação
“Os pacientes devem fazer o tratamento de forma adequada, seguindo as orientações médicas para que se consiga o melhor resultado possível e só seja necessária a troca de medicação realmente na falha do tratamento. Porque são indicações que tem um custo elevado e tem muitas vezes efeitos colaterais que podem, em alguns casos, serem graves, então, quanto melhor o resultado com a primeira terapêutica e com a medicação mais inócua melhor”, finaliza Dr. Enzo Taglietti.