Na tarde desta sexta-feira, dia 17, no Salão Nobre da Prefeitura de Erechim, autoridades municipais e regionais anunciaram a realização de um mutirão de cirurgias de prótese de joelho. A iniciativa tem como objetivo enfrentar a grande demanda por procedimentos ortopédicos no Alto Uruguai, onde atualmente cerca de 630 pessoas aguardam na fila.
A ação é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Erechim, a Associação dos Municípios do Alto Uruguai (AMAU), o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (COSEMS/RS), a Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (FHSTE) e a 11ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS).
O momento contou com a presença do prefeito de Erechim, Paulo Polis, o vice-prefeito Flávio Tirello, o secretário municipal de Saúde, Vianei Mueller; o diretor executivo da Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (FHSTE), Rafael Ayub, o presidente da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (AMAU) e prefeito de Centenário, Genoir Florek (Neninho), a presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (COSEMS/RS), Rosane Detofol, o coordenador da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), Dimas Aldino Dandolini e o presidente da Câmara de Vereadores, Carlinhos Magrão.
Demanda histórica preocupa autoridades
O tema já vinha sendo tratado como prioridade desde reunião realizada há cerca de um mês com representantes do governo estadual. Na ocasião, foi discutida a necessidade de alternativas para reduzir o tempo de espera por cirurgias ortopédicas.
O prefeito de Erechim destacou as dificuldades enfrentadas pelo sistema público de saúde. “Nós temos uma limitação humana, financeira e física e nós precisávamos achar alternativas para mudar esse quadro”, afirmou. Ele também ressaltou o impacto da longa espera na vida dos pacientes: “Há pessoas que estão esperando há dois, três, até quatro anos na fila por uma cirurgia e quanto mais demorar, mais demora para a pessoa voltar à vida normal”. Segundo ele, “para resolver um problema complexo, não há solução simples”.
Estratégia envolve diferentes frentes
O secretário municipal de Saúde explicou que a situação da fila foi um dos pontos que mais o impactou ao assumir a pasta. “Hoje, olhando esse momento acontecer, realmente me deixa muito feliz”, disse.
Ele também destacou que a demora nas cirurgias gera pressão em outras áreas da rede municipal. “A gente precisa dar amparo para esses pacientes aqui dentro, enquanto a cirurgia não acontece, desde a fisioterapia até exames”, explicou, ressaltando avanços recentes. “Hoje a fila dentro do ambiente público de saúde do município de Erechim para as ressonâncias e tomografias não passa de 30 pessoas e não são exames simples”.
Primeira etapa começa em Marau
Como medida inicial, parte dos pacientes será atendida em outro município. “Nós já estamos em contato com os pacientes e já liberamos uma lista com os 48 nomes mais antigos para poder fazer uma transferência de fila para o município de Marau”, informou o secretário. Esses pacientes iniciarão os exames pré-operatórios e avaliações cardiológicas.
Ele reforçou que, neste momento, o programa contempla apenas cirurgias de prótese de joelho. “A fila nunca vai ser zerada, porque sempre entra paciente novo, mas a gente não pode mais ficar 5 anos esperando por uma cirurgia de joelho”, afirmou.
Segunda etapa será realizada em Erechim
Paralelamente, uma segunda etapa do mutirão está sendo organizada para ocorrer no Hospital Santa Terezinha, com previsão de 135 cirurgias. Apesar disso, o número ainda é insuficiente para zerar a fila atual.
O diretor executivo da fundação hospitalar explicou a complexidade da operação. “A nossa ideia é fazer oito cirurgias por dia, ou seja, 16 por final de semana. Isso requer leito de internação, porque um paciente fica pelo menos 2 dias internado”, detalhou. Ele também destacou desafios logísticos, como a necessidade de materiais e instrumentais cirúrgicos adequados.
União de esforços para enfrentar o problema
As autoridades ressaltaram a importância da articulação entre diferentes esferas de governo. “O poder público precisa se mobilizar, precisa unir forças, precisa tratar desses temas”, afirmou o prefeito.
O presidente da AMAU destacou que “as demandas represadas da saúde precisam ser solucionadas dessa forma com diálogo e trabalho em conjunto”.
Já o coordenador regional de saúde lembrou que a ortopedia é um dos principais gargalos no estado. “A ortopedia é um desses gargalos, com tempo de espera de três a quatro anos, o que é inadmissível”, afirmou, acrescentando que novos mutirões devem ser anunciados em breve, incluindo procedimentos de prótese de quadril.
A expectativa é que, com a soma dos esforços, seja possível reduzir significativamente o tempo de espera e melhorar a qualidade de vida dos pacientes da região.