A gastrite atrófica é uma condição crônica marcada pelo afinamento progressivo da mucosa do estômago, o que compromete suas funções digestivas e de proteção. Muitas vezes, pode evoluir ao longo de anos sem sintomas evidentes, mas está associada a complicações relevantes, como anemias e aumento do risco de câncer gástrico.
Dois tipos com origens distintas
A doença se divide em duas formas principais. A gastrite atrófica ambiental está relacionada a fatores externos, sobretudo à infecção persistente pela bactéria Helicobacter pylori. Com o tempo, essa infecção enfraquece a barreira de proteção do estômago, permitindo que o ácido gástrico lesione a mucosa de forma progressiva.
Já a gastrite atrófica autoimune ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca as células parietais do estômago, responsáveis pela produção de ácido e do fator intrínseco. Essa agressão reduz a acidez gástrica e prejudica a absorção de vitamina B12, essencial para a formação das células sanguíneas.
Impacto e prevalência
A forma ambiental é mais comum e pode afetar até um quarto da população mundial, dependendo da região e da prevalência da infecção bacteriana. A forma autoimune é mais rara, atingindo cerca de 2% das pessoas, com maior incidência em mulheres e idosos. Apesar disso, muitos casos seguem sem diagnóstico.
Ambas as formas estão associadas a maior risco de tumores neuroendócrinos gástricos e câncer de estômago, o que reforça a necessidade de monitoramento médico regular.
Sintomas nem sempre aparecem
Um dos principais desafios é o caráter assintomático da doença em muitos pacientes. Quando presentes, os sintomas variam conforme o tipo.
Na forma ambiental, podem surgir dor abdominal, azia, sensação de estufamento, náuseas, vômitos e perda de apetite, além de anemia por deficiência de ferro.
Na forma autoimune, além de desconforto digestivo, é comum a deficiência de vitamina B12, que pode evoluir para anemia perniciosa e sintomas neurológicos, como formigamentos e alterações cognitivas.
Fatores de risco
Na gastrite atrófica ambiental, o principal fator de risco é a infecção por H. pylori, especialmente em populações com maior vulnerabilidade sanitária. Dietas ricas em sal, alimentos defumados e baixo consumo de frutas e vegetais também contribuem para o desenvolvimento da doença.
Na forma autoimune, há influência genética e associação com outras doenças autoimunes, como distúrbios da tireoide, diabetes tipo 1, vitiligo e doença de Addison.
Diagnóstico e investigação
O diagnóstico envolve exames laboratoriais e endoscopia digestiva alta com biópsia, que permite avaliar diretamente a mucosa gástrica. Exames de sangue ajudam a identificar deficiências de vitamina B12 e ferro, além de alterações hormonais e presença de autoanticorpos.
Tratamento e controle
O tratamento depende do tipo da doença. Na forma ambiental, o objetivo é erradicar o H. pylori com antibióticos associados a medicamentos que reduzem a acidez do estômago.
Na forma autoimune, não há cura, mas é possível controlar as consequências, especialmente com reposição de vitamina B12 e ferro quando necessário.
Em ambos os casos, recomenda-se mudança de hábitos, como evitar álcool, tabaco, alimentos irritativos e adotar refeições mais leves e fracionadas.
Acompanhamento contínuo
A gastrite atrófica ambiental pode ser revertida com tratamento adequado, enquanto a forma autoimune tende a ser permanente. Ainda assim, muitos pacientes mantêm boa qualidade de vida com acompanhamento regular.
A vigilância médica é fundamental para prevenir complicações e reduzir riscos associados. Por ser uma doença frequentemente silenciosa, a atenção aos sinais do corpo e a realização de exames periódicos são as principais ferramentas de controle.