O “efeito borboleta” é uma metáfora da Teoria do Caos que surge a partir de questionamento se “o bater das asas de uma borboleta no Brasil pode causar um tornado no Texas?”. Essa analogia quase poética é atribuída ao meteorologista Edward Lorenz e se trata de uma pergunta retórica, que ilustra as consequências de pequenos atos, aparentemente insignificantes, efetuados por indivíduos, mas que podem levar a perturbações ou caos futuramente.
As borboletas, insetos que, diferentemente da maioria, despertam simpatia e até mesmo admiração humana, não causam fenômenos climáticos extremos mas, ao contrário, podem ser eficientes indicadores de saúde e estabilidade do ambiente.
Partindo do caráter sinalizador de equilíbrio ambiental das borboletas, o biólogo Samuel Zukowski, graduado neste ano pela UFFS campus Erechim, desenvolveu o trabalho de conclusão do curso em torno desses insetos, em investigação que estimou a composição de espécies de borboletas no Parque Natural Municipal Longines Malinowski, unidade de conservação localizada no centro de Erechim.
Para o desenvolvimento do estudo, Samuel fez a captura das borboletas no Parque, em coletas que ocorreram ao longo de seis meses, entre outubro de 2024 e março de 2025. As atividades foram concentradas em períodos mensais de dois a quatro dias consecutivos, totalizando 18 dias de amostragem, sempre entre 8h e 16h, faixa considerada de maior atividade desses insetos.
A metodologia da pesquisa incluiu duas estratégias complementares: a coleta ativa, com uso de rede entomológica em trilhas e diferentes ambientes do parque, e a coleta passiva, por meio da instalação de 10 armadilhas com isca à base de caldo de cana e banana fermentada. Esses dispositivos foram posicionados a 1,5 metro do solo, distribuídos a cada 20 metros, em dois transectos de 100 metros, contemplando tanto áreas internas da mata quanto regiões de borda.
O levantamento de Samuel resultou na identificação de 127 espécies de borboletas, número que, conforme o pesquisador, permite caracterizar a diversidade desses insetos na área. Entre os registros, ele destaca que foi possível observar a ocorrência tanto de espécies associadas a ambientes mais preservados quanto daquelas adaptadas a áreas com interferência humana, aspecto que sinaliza, ao mesmo tempo, a importância ecológica do parque em meio ao contexto urbano e os impactos decorrentes da pressão antrópica.
Ainda conforme o biólogo, os dados obtidos na pesquisa compõem agora o conjunto de informações que podem contribuir para futuras ações de conservação, também ampliam o conhecimento sobre a fauna de borboletas na região Norte do Rio Grande do Sul. Além disso, o estudo evidencia a relevância das unidades de conservação ambiental, como o Parque Longines Malinowski, na preservação da biodiversidade.