O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é também um momento de reconhecer trajetórias que unem vocação, sensibilidade e coragem para trilhar caminhos que, nem sempre, estiveram abertos às mulheres. A história da médica Scheila Seady é um desses exemplos que mostram como determinação e propósito podem transformar não apenas carreiras, mas também vidas.
Natural de Passo Fundo, mas criada em Getúlio Vargas, Scheila encontrou cedo seu chamado na medicina. Ainda durante a faculdade, cursada em Porto Alegre, imaginava-se na cirurgia. No entanto, foi na Medicina Comunitária que construiu seus primeiros anos de atuação profissional, uma escolha que marcaria profundamente sua forma de enxergar o cuidado com o paciente.
Ao chegar em Erechim, cidade onde sempre sonhou viver, dedicou 14 anos ao atendimento comunitário, aproximando-se da realidade das pessoas, de suas histórias e de suas necessidades. Foi nesse contato direto com a vida cotidiana que surgiu o desejo de explorar novas possibilidades dentro da área médica, levando-a à dermatologia.
Após uma pós-graduação de dois anos, passou a atuar simultaneamente nas duas áreas. Com o tempo e diante das demandas profissionais, concentrou-se na dermatologia, campo onde hoje encontra realização plena. “Fui muito feliz na Medicina Comunitária e sou muito realizada na dermatologia, pois faço o que amo”, resume.
Scheila também expandiu sua atuação para a área de perícias médicas, reforçando uma característica que ela própria define como essencial: a inquietação. “Estou sempre pensando em fazer algo diferente. Gosto muito de estudar e de buscar novos caminhos.”
Casada, mãe e residente em Erechim há 18 anos, construiu na cidade não apenas sua carreira, mas também sua vida. E, ao olhar para a medicina sob a perspectiva feminina, reconhece que vive um momento histórico de transformação.
Se nas décadas passadas a profissão era predominantemente masculina, hoje a presença feminina é marcante — e traz consigo novas formas de cuidado. “As mulheres trouxeram um olhar mais detalhista, mais delicado, especialmente em áreas que exigem sensibilidade, como a dermatologia”, destaca.
Seu foco principal está no tratamento de doenças de pele. Embora também atue na área estética, é na recuperação da saúde que encontra maior satisfação. “Ver o paciente chegar com uma doença e acompanhar sua melhora, sua felicidade, é o que mais me motiva.”
Para Scheila, o vínculo entre médica e paciente ganha ainda mais profundidade quando se trata do atendimento entre mulheres. Há identificação, empatia e compreensão de aspectos que vão além do diagnóstico clínico.
Em tempos de avanço da Inteligência Artificial na medicina, ela reconhece o potencial da tecnologia, mas ressalta seus limites. “A IA será uma ferramenta importante, uma biblioteca infinita. Mas nenhuma máquina será capaz de substituir o toque humano, de sentir uma lesão ou perceber nuances que só o olhar clínico consegue captar.”
Ao refletir sobre o papel da mulher na sociedade, Scheila lembra que, independentemente da profissão, todas compartilham desafios semelhantes: equilibrar a vida pessoal, familiar e profissional. Por isso, acredita que o futuro passa menos pela competição e mais pela união.
“Que possamos ser escadas umas para as outras. Precisamos de mais tranquilidade, mais apoio e menos julgamento.”
Neste 8 de março, sua trajetória simboliza o que muitas mulheres representam diariamente: força silenciosa, cuidado atento e a capacidade de transformar o mundo a partir do olhar humano.