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Rural

Aviação agrícola: tratando a lavoura pelo ar

Aviação agrícola ganha espaço no Alto Uruguai e apresenta crescimento de cerca de 15% a cada ano

Com aviação agrícola, produtor tem lucro de 3,14 sc/ha
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

O agricultor Jorge Roque Pedrebon, 66 anos, de Getúlio Vargas, tem uma área agrícola de 450 hectares e outros 560 ha arrendados, onde cultiva trigo, milho e soja nos municípios de Quatro Irmãos e Sertão. Ele faz aplicação de defensivos agrícolas via aérea há 20 anos.

“Faço as duas primeiras aplicações terrestre e depois duas ou três aplicações aéreas, conforme a necessidade. Opto pela aplicação aérea pela rapidez, principalmente. Com a máquina você entra hoje na lavoura, se chover amanhã você tem que interromper o processo  e com o avião, você faz tudo no mesmo dia”, diz. Outro fator que levou o produtor a optar pela aplicação aérea é para evitar o amassamento das culturas, impedindo perdas, que variam de 3% a 5%.

Em Erechim, uma empresa somente presta este serviço, a Aerodinâmica aviação agrícola. Segundo o administrador, Mário Capacchi, o volume de voo aumenta a cada ano entre 10% a 15% na região do Alto Uruguai. Mas hoje a empresa também atende o estado de Santa Catarina. São cinco aeronaves, com piloto e técnico agrícola.

“A cada ano que passa as doenças estão mais severas e a demanda das culturas é muito grande. Tem que ter milho para ração. E o custo é muito alto para estas lavouras. O agricultor tem que investir para proteger a lavoura para ter alta produtividade. E a aviação agrícola é uma ferramenta que vem a somar nessa cadeia”, pontua.

Apesar desse crescimento, ele ainda é pequeno se comparado a países desenvolvidos. No Brasil, são 2 mil aeronaves e 20% das aplicações são feitas por esse método. Já nos Estados Unidos são 6 mil aviões e 60% das aplicações são feitas pela aviação agrícola.

Conforme Capacchi, há muitos mitos em torno do assunto, mas explica que há muitos benefícios trazidos pela aplicação de defensivos pela aplicação aérea ao invés da terrestre. Uma delas é a uniformidade da aplicação, a segurança, a agilidade, evita danos na lavoura, não transporta fungos e bactérias de uma lavoura para outra.

Agilidade

Com relação a agilidade, ele exemplifica que o avião faz 70 hectares em 1 hora e um trator auto propelido faz 200 hectares em um dia. “Então podemos ver que é muito grande a diferença de trabalho de ambas ferramentas”, diz.

Evitando danos na lavoura

No que diz respeito aos danos na lavoura, depende da largura da barra do pulverizador e do tamanho da propriedade. “Se tiver propriedade grande aonde não precisa fazer tantas curvas o amassamento é menor, já aonde tem que fazer mais curvas, o amassamento é maior. Mas com trator grande, na região o amassamento fica em 4,5% a 5% de amassamento”, comenta.

 

Economizando água

“A pulverização aérea é mais eficiente se somar todos os contribuintes: rapidez, horário, produção de gotas. O espectro de gotas é uniforme e o trator não consegue. Quase todas saem assim com 150 micrômetros e é possível uma penetração maior, somando todos fatores torna ela eficiente. Já a aplicação terrestre não consegue essa penetração tão uniforme e utiliza um volume de água muito maior, ou seja, o produto usado não fica tão concentrado. A diferença é que a aplicação aérea é 3,2 vezes mais concentrada do que a o pulverizador terrestre”, diz.

Culturas

De acordo com o piloto, qualquer cultura pode receber a aviação agrícola, desde que seja de larga escala. Ele já fez aplicação em rosas, girassol, feijão, milho, soja laranja, batata, eucalipto. Na região do Alto Uruguai, as aplicações mais procuradas são para soja e milho.

Quais áreas podem receber aplicação

A aplicação é determinada por distâncias. O administrador da Aerodinâmica explica que se a área é muito pequena e se tem casa, escola, manancial, tem que ficar uma área de 250m de distância. Quando a propriedade é muito pequena não tem como fazer aplicação aérea. Na empresa tem a regra de no mínimo 30 hectares a porção da lavoura, pois o avião faz 5 ha em 1min.

Custo x benefício

No comparativo da eficiência da aplicação aérea e terrestre na cultura de soja por exemplo,  150 diâmetro de gotas pelo aéreo com 10 litros de água e 250 micrometro pelo terrestre, com  150 litros de água, logo, o número de gotas por área em cm² 57 aérea e 183 terrestre. A estimativa teórica da concentração da gota é de 3,2 vezes mais concentrada do que a do trator. “O trator usa muito mais água do que a aplicação aérea, que é ecologicamente correta, com isso não provoca o escorrimento, ficando somente nas folhas. O produto é muito caro para cair no chão e concentra só nas folhas. Por isso que torna mais eficiente”, acrescenta.

“A aviação agrícola é uma ferramenta aliada ao agricultor podendo usar paralelamente a aplicação terrestre para obter mais lucro. Utilizando apenas a aplicação terrestre o dano com o amassamento chega a 4,54%, ou seja 2,92 sacas/hectare. E com a aplicação aérea, além de evitar o dano, o produtor ainda tem o lucro de 3,14 sc/ha”, conclui.

Sem riscos

No mercado há 10 anos, a Aerodinâmica tem licença nos órgãos ambientais e possui o CASII (Certificado de Aviação Agrícola Sustentável II). “A avião agrícola vai de acordo com todas leis vigentes e todas exigências da Fepam e Ibama, não tem risco ambiental porque temos pátio para lavar avião e abastecer o avião, além de termos acompanhamento de técnico agrícola e agrônomo que se responsabilizam pela aplicação aérea”, comenta Capacchi.

 

 

 

 

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