A perda neonatal é uma experiência profundamente dolorosa, que envolve um turbilhão de emoções e desafios. A psicóloga Marjana Gasparin explica que o luto não é linear: “Daqui 10 anos pode ser que tu vais lembrar e reviver um pequeno luto. Não é uma história que vai se apagar”. O processo é cíclico e pode se manifestar em diferentes momentos da vida, exigindo acolhimento e compreensão.
Por isso também, a importância da Lei do Luto Parental nº 15.139/2025, que instituiu a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, marcando uma mudança significativa no tratamento jurídico e institucional oferecido a famílias que enfrentam perdas gestacionais, fetais ou neonatais, modificando a forma como esse momento doloroso é tratado e vivido.
Emoções, relações e apoio
Após a perda, é comum vivenciar fases como negação, raiva, tristeza e aceitação, além de sentimentos de culpa e confusão. Marjana alerta que o luto pode se tornar patológico quando paralisa a vida por longos períodos. A dor também afeta os relacionamentos onde alguns casais se fortalecem, outros se distanciam. Ter uma rede de apoio, seja de familiares, amigos, terapia e grupos de acolhimento, é essencial para a reconstrução emocional.
A psicóloga lembra que o impacto do luto não depende apenas do papel de mãe ou pai, mas do significado atribuído àquela vida. “A gente perde o que a gente idealizou e talvez essa seja a parte mais difícil. O que a gente esperava, o que a gente sonhou, o lugar que a gente construiu e a gente não sabe muito bem como desconstruir”.
Honrar e falar sobre a perda
Ritualizar a lembrança do bebê com cartas, doações ou gestos simbólicos pode ajudar a seguir adiante sem apagar a memória. “Honrar é seguir a vida. É ser feliz tendo esse buraquinho dentro. É seguir construindo, é seguir sendo feliz”, ressalta a psicóloga. Ela reforça que o sofrimento não precisa “passar”, mas pode coexistir com novas alegrias e falar sobre o tema é essencial para quebrar tabus e educar sobre o luto.