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Saúde

Erechim registra aumento de casos de HIV em 2025

Profissionais de saúde destacam alta nas infecções, abandono de tratamento e avanço das estratégias de prevenção na região

teste
Testes rápidos e preservativos são distribuídos na Serviço de Atendimento Especializado em DSTs e Ai
O médico infectologista, Dr. Vanderlei Madalozzo entende que a prevenção é o melhor caminho e que a
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Marcelo V. Chinazzo

No Dia Mundial de Combate à Aids, em 1º de dezembro, Erechim acendeu um alerta para a situação do HIV na região. O Serviço de Atendimento Especializado em DSTs e Aids (SAE), referência para toda a 11ª Coordenadoria de Saúde, registrou um aumento expressivo de novos casos em 2025, tendência que preocupa os profissionais.

Segundo o infectologista Dr. Vanderlei Madalozzo, foram 52 novos pacientes cadastrados somente neste ano. “Então tu pega, vamos arredondar ali para 55, dividido por 12, dá quase 4,5 casos por mês, um a cada 6 ou 7 dias e, geralmente, a gente tinha dois ou três a cada mês, então deu uma subida”, afirma.

Óbitos e causas associadas

Dos sete óbitos registrados neste período, ao menos três estiveram diretamente ligados ao HIV. Os demais ocorreram por outros motivos de saúde. Conforme explica Dr. Vanderlei, “hoje a maioria dos pacientes HIV estão morrendo não pelo HIV, estão morrendo por doenças habituais, infarto, câncer ou até acidente de trânsito, mas no caso dos portadores da doença, vai constar na certidão de óbito que o paciente era HIV positivo”. O médico reforça que mortes por meningite, criptococos ou toxoplasmose cerebral são as consideradas diretamente relacionadas ao vírus.

Gestantes, crianças e abandono do tratamento

O SAE acompanha atualmente 11 gestantes vivendo com HIV, número considerado elevado pela equipe. Enquanto isso, o abandono do tratamento também preocupa, são 50 pacientes que deixaram de buscar medicação. Dr. Vanderlei e a enfermeira Sandra de Ré Busatta relatam que, por trás desse abandono, geralmente há questões sociais, emocionais e até mesmo de violência, onde o homem proíbe que a mulher busque um tratamento de saúde.

No total, são 516 pacientes em Erechim e 137 no interior, somando 653 acompanhados na região. Entre as crianças até 12 anos, três seguem em tratamento, todas oriundas de outros municípios. “Todas as gestantes que a gente teve foram acompanhadas, algumas já tiveram seus filhos e deu tudo certo”, pontua o médico.

A chance de transmissão vertical, segundo ele, é mínima quando o protocolo é seguido. “Se tu fizer o tratamento e manter carga viral indetectável, as chances do bebê ser portador do vírus, são de 0,01%”.

Atualmente o país, registra mais de 1 milhão de pessoas vivendo com HIV. Em 2025, foram contabilizados mais de 46 mil novos casos, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior. Entre pessoas de 15 a 24 anos, a incidência foi de 23,2%. Entre homens, 49,3% dos casos ocorreram na faixa de 20 a 29 anos.

Tratamento e qualidade de vida

Com o avanço dos antirretrovirais, viver com HIV não significa perder qualidade de vida. O médico destaca que hoje o tratamento consiste, para muitos, em apenas dois comprimidos por dia, com quase nenhum efeito colateral.

Mesmo assim, o perfil dos infectados surpreende. “O que chama a atenção em tudo isso é que a maioria dos casos não são de pacientes de rua. São pacientes com informação, pacientes de nível superior, que têm acesso à internet. Então não é paciente desinformado. Na realidade é falta de cuidado, falta de prevenção, falta do uso do preservativo”, avalia Dr. Vanderlei.

PrEP e PEP se expandem na região

A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e a PEP (Pós-Exposição) vêm ganhando espaço como alternativas de prevenção. Em Erechim, o acesso à PrEP se tornou mais simples a partir do final de 2023.

Sandra lembra: “Aqui em Erechim, nós começamos a usar no final de 2023, quando tivemos o primeiro paciente”. O número aumentou em 2024 e cresceu ainda mais em 2025, após maior divulgação. Dr. Vanderlei explica que antes era necessário ir a Porto Alegre para obter a medicação, mas “agora não, o Ministério da Saúde transferiu para os outros municípios também”.

Para a enfermeira, a expansão da PrEP acompanha mudanças de comportamento: “A minha impressão é que a PrEP veio em função de que as pessoas não se cuidam, não se protegem e aí é uma forma de tentar prevenção, de cortar a cadeia de transmissão”. Ela destaca ainda que, no início, o medicamento era pensado principalmente para casais sorodiscordantes que desejavam ter filhos, mas hoje o acesso é amplo.

Dezembro Vermelho e ações contínuas

Apesar do cancelamento de algumas ações do Dezembro Vermelho devido ao temporal de granizo, a rede municipal segue distribuindo testes rápidos, preservativos e materiais educativos nas UBSs e hospitais. Empresas também aderiram à campanha, levando ao ambiente de trabalho folders e preservativos.

Sandra reforça que o combate ao HIV não se limita a uma data, “apesar do dia 1 ser o dia alusivo, deve-se trabalhar por essa questão o ano inteiro”.

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