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Saúde

Novembro Azul amplia o debate sobre a saúde mental dos homens

Além da prevenção ao câncer de próstata, é importante falar sobre sentimentos, quebrar tabus e cuidar da mente

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É preciso quebrar tabus e buscar por ajuda profissional para cuidar da saúde mental
“Além da saúde física, é fundamental olhar também para a dimensão emocional. Cuidar da mente também
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação

No mês de novembro, as atenções se voltam para a saúde do homem, em especial à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata. No entanto, ainda há um aspecto muitas vezes negligenciado que é a saúde mental masculina. A dificuldade de reconhecer fragilidades, o peso dos estereótipos de masculinidade e o silêncio emocional são barreiras que afastam muitos homens do autocuidado e da busca por ajuda psicológica.

A psicóloga Fernanda Lira, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e com atuação clínica junto a adolescentes e adultos, alerta que cuidar da mente é parte essencial do cuidado integral com o corpo e a vida.

O desafio de reconhecer a vulnerabilidade

Para muitos homens, admitir sentimentos e vulnerabilidades ainda é um tabu. “Muitos foram ensinados a associar força com autocontrole e silêncio, o que dificulta a busca por ajuda e a expressão de sentimentos”, explica Fernanda Lira.

Os estereótipos de masculinidade, que valorizam a racionalidade e a autossuficiência, contribuem para o isolamento emocional. “Buscar ajuda é, muitas vezes, percebido como sinal de fraqueza, o que gera resistência e sofrimento silencioso”, acrescenta.

A repressão emocional, segundo a psicóloga, não afeta apenas a mente, mas também o corpo. “O corpo sente o que a mente não expressa”, ressalta. O acúmulo de tensões pode causar sintomas como insônia, irritabilidade, dores de cabeça e até problemas cardiovasculares.

O impacto emocional do diagnóstico de câncer de próstata

Durante o Novembro Azul, muito se fala sobre exames preventivos e tratamento do câncer de próstata, mas pouco se aborda o efeito emocional que o diagnóstico provoca. “Muitos homens associam a virilidade à potência física e sexual, e o medo de perder essas referências pode gerar angústia, vergonha e retraimento social”, observa Fernanda.

Entre os sentimentos mais comuns estão o medo da morte, da impotência sexual e da perda de autonomia. Esses temores, segundo a psicóloga, podem vir acompanhados de culpa, negação e isolamento, aspectos que precisam ser acolhidos com sensibilidade no processo terapêutico.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, Fernanda explica que o foco está em identificar e reestruturar pensamentos que alimentam o medo e o sofrimento. “O objetivo é fortalecer o senso de controle e promover significado e qualidade de vida, mesmo diante da doença”, afirma.

O papel do apoio emocional e da psicologia no tratamento

O equilíbrio emocional é um grande aliado da recuperação. De acordo com Fernanda, pacientes que recebem suporte psicológico tendem a aderir melhor ao tratamento médico, apresentando maior bem-estar e imunidade.

O apoio da família e dos amigos também é essencial nesse processo. “Escutar sem julgamentos, respeitar o tempo emocional do paciente e estimular a busca por ajuda profissional são atitudes que fortalecem o vínculo e reduzem o isolamento”, orienta.

A integração entre profissionais de saúde é outro ponto-chave. “O trabalho interdisciplinar permite um olhar mais amplo sobre o paciente. Enquanto a equipe médica cuida do corpo, o psicólogo contribui para o manejo emocional, ajudando na comunicação, adesão e enfrentamento do tratamento”, pontua Fernanda.

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