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38ª Romaria de Nossa Senhora da Santa Cruz reúne milhares de fiéis

Mesmo com chuva, encontro foi marcado por fé, partilha e esperança no Lajeado Paca

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Mais do que uma tradição religiosa, a romaria no Santuário da Santa Cruz é um espaço de encontro, or
Arthur é responsável pela ornamentação e pelo transporte do quadro de Santa Doroteia
Por Gabriela de Freitas
Foto Gabriela de Freitas; Arquivo pessoal

O Santuário da Santa Cruz, em Lajeado Paca, interior de Erechim, recebeu no domingo (14) milhares de peregrinos para a 38ª Romaria de Nossa Senhora da Santa Cruz. O tema deste ano foi “Com Nossa Senhora da Santa Cruz e Santa Dorothea, peregrinos de esperança”, inspirado na passagem bíblica “A esperança não decepciona!” (Rm 5,5).

Localizado às margens da ERS-420, entre Erechim e Aratiba, o espaço se consolidou como centro de devoção. O santuário guarda a memória de Dorotéia Menegon Farina, vidente que relatava aparições de Nossa Senhora e que pediu, antes de falecer em 1988, a construção do local. Entre os relatos ligados à sua história estão episódios de morte e retorno à vida, sinais como uma cruz formada no chão — destruída e reaparecida diversas vezes — e até o surgimento de uma fonte de água. Dorotéia também teria apresentado estigmas durante a quaresma e afirmava ter recebido de Nossa Senhora uma medalha, ainda não encontrada. Atualmente, a antiga residência da vidente é preservada e o santuário recebe visitantes semanalmente, com fluxo que se multiplica a cada romaria anual.

Mesmo com a chuva, que caiu ao longo da manhã e parte da tarde, os fiéis se reuniram no local, muitos deles chegando a pé, carregando pedidos, agradecimentos e intenções pessoais. A caminhada, enfrentada sob condições climáticas desafiadoras, tornou-se ainda mais simbólica, reafirmando a confiança e a devoção daqueles que participam anualmente do encontro.

Tríduo de preparação

A romaria foi antecedida por três dias de oração. No dia 11 de setembro, a primeira noite teve como tema a renovação do Batismo, com participação das comunidades de Santo Isidoro, São Francisco, Cristo Rei, São Roque, Catedral e Espírito Santo. No dia 12, o foco foi a reconciliação, reunindo fiéis das comunidades de São José Operário, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora do Caravaggio, Nossa Senhora de Fátima e Catedral. Já no dia 13, à tarde, aconteceu a unção dos enfermos, reunindo pessoas em busca de força espiritual e cura.

Programação do dia

A programação iniciou às 8h, com a Missa na Cruz presidida pelo padre Clair Favreto, seguida de confissões e bênçãos. A Via-Sacra e o terço meditado com consagração das famílias foram conduzidos por agentes da comunidade como Zaira Piccoli, Maria Marinelo e Luciane Biazi, e após houve a missa penitencial conduzida pelo Pe. Paulo Caovilla. A bênção dos pães e alimentos ocorreu pouco antes do meio-dia, realizada pelo Pe. André Lopes, seguida pelo almoço partilhado, que reuniu famílias em um momento de convivência e comunhão.

Durante a tarde, os fiéis acompanharam a narrativa da história das aparições, participaram da adoração e receberam a bênção com o Santíssimo Sacramento por Pe. Edinaldo dos Santos Bruno. Às 14h, teve início a procissão da Cruz até o Santuário, seguida da missa presidida pelo monsenhor Agostinho F. Dors. A acolhida da imagem de Nossa Senhora de Santa Cruz aconteceu no altar externo, e os agradecimentos finais foram feitos pelo padre Clair Favreto.

Peregrinação que emociona

De acordo com a Brigada Militar, cerca de 9 mil romeiros estiveram presentes, enfrentando a chuva para renovar a fé. Para muitos, a experiência foi marcada por emoção e testemunhos pessoais.

“Já participei da Romaria outras vezes. Visito o local há cerca de 20 anos, não lembro exatamente. Moro no Bairro Atlântico, em Erechim, e já tive graças alcançadas há alguns anos”, contou Jacir Luiz Grando, 53 anos.

A devoção também passa de geração em geração. Gissele Maria, 43 anos, destacou a participação da família no serviço voluntário. “Eu, meu marido Tiago Tubin, 44 anos, e meu filho Arthur Ângelo Tubin, 12 anos, já fazemos há alguns anos um serviço voluntário lá e é muito gratificante. Meu filho Arthur carrega todos os anos o quadro de Santa Doroteia. Ele enfeita o quadro e o leva na procissão. Desde muito pequeno já serve lá e adora o que faz, se emociona toda vez”.

Gissele contou que a relação de Arthur com o Santuário começou cedo, após o diagnóstico de paralisia cerebral. “Na primeira vez em que fomos, ele tinha cerca de 3 anos. Caminhava pelo espaço na companhia do senhor Piccoli, quando pegou o microfone e começou a falar sobre a Santa. Foram palavras inesperadas, que surpreenderam a todos. Desde aquele dia, ele nunca mais parou de se envolver.”

Hoje, Arthur é responsável pela ornamentação e pelo transporte do quadro de Santa Doroteia, tarefa que cumpre com emoção e zelo. “Ele é quem prepara a decoração, organiza e carrega o quadro. Para ele, isso tem um significado muito forte e o emociona profundamente.”

A mãe reforçou que a experiência não partiu dos pais, mas do próprio Arthur.
“Foi ele quem descobriu o Santuário e nos levou até lá pela primeira vez. É a fé dele que nos motiva e nos conduz. É lindo de ver a emoção que sente, o prazer que tem em servir. Ele está sempre atento, ajudando, cuidando dos fiéis ao redor da imagem. Carregar o quadro da Santa Doroteia é, para ele, uma grande responsabilidade que cumpre com alegria.”

Fé viva na região

Mais do que uma tradição religiosa, a romaria no Santuário da Santa Cruz é um espaço de encontro, oração e fortalecimento da esperança. Faça chuva, faça sol, não há empecilho para que milhares de fiéis mantivessem vivo o compromisso de caminhar juntos, renovando a fé e a devoção na Cruz de Cristo.

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