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Atividade física como ferramenta de inclusão e autonomia

Educadora relata como a prática esportiva impacta positivamente na vida de pessoas com deficiência

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A ADAU mostra na prática o quanto a atividade física transforma vidas, ajudando a garantir autonomia
A dança é uma das atividades praticadas na entidade
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Marcelo V. Chinazzo

A prática de exercícios físicos vai muito além do benefício fisiológico. Para pessoas com deficiência, ela pode representar liberdade, autonomia e, acima de tudo, pertencimento. Segundo Patrícia Malacarne, professora de Educação Física da ADAU (Associação dos Deficientes Físicos do Alto Uruguai), a atividade física contribui diretamente para a saúde física, mental e emocional, além de promover a socialização.

“Quando comecei a trabalhar aqui, parecia que era um trabalho tão difícil, mas a gente vê que através da atividade física, do esporte, da dança, eles podem sim superar os limites que eles têm. A gente está aqui para mostrar que há possibilidade, que não é porque tem um limite físico ou mental que a pessoa precisa ficar em casa ou parada”.

Além da dança, atividades como basquete em cadeira de rodas, atletismo, bocha adaptada e tênis de mesa fazem parte do dia a dia da ADAU. Cada modalidade é adaptada conforme as possibilidades de cada pessoa, respeitando seus limites, mas incentivando suas potencialidades.

Inclusão de verdade

A ADAU trabalha com diferentes tipos de deficiência e promove ações que misturam públicos diversos, o que favorece a inclusão real. Um exemplo é a turma de crianças atendidas às quartas-feiras, que inclui não apenas crianças com deficiência, mas também aquelas em situação de vulnerabilidade social.

“Senão, se a gente acaba trazendo só crianças com deficiência, a gente está excluindo-as da sociedade, porque daí a gente vai fechar só eles”, explica Patrícia. “Então a gente tenta colocar eles juntos com crianças que não possuem nenhuma deficiência pra ter essa inclusão”.

Além das atividades físicas, a convivência entre pessoas com e sem deficiência ajuda a desconstruir preconceitos, desenvolver empatia e tornar a inclusão algo natural desde a infância.

Desenvolvimento físico, cognitivo e emocional

Os ganhos da prática regular de exercícios são muitos. No aspecto físico, há melhora na mobilidade, no tônus muscular e na prevenção de atrofias. Movimentos simples como levantar e abaixar os braços ou caminhar com auxílio já fazem grande diferença, especialmente em casos de doenças degenerativas.

“O nosso corpo é uma máquina, então, se a gente parar de se movimentar, a gente vai travando cada vez mais e para a pessoa com deficiência, a tendência é só aumentar”, destaca a profissional.

No aspecto cognitivo, atividades como dança ajudam na concentração, na memória e no raciocínio. “Eles precisam decorar os passos, prestar atenção no que eu estou fazendo pra eles fazerem também. Isso ajuda no dia a dia deles também”, afirma.

Do ponto de vista emocional, os ganhos são visíveis na autoestima elevada, sensação de pertencimento, alegria e motivação. Muitos participantes relatam que os momentos vividos na ADAU são os únicos em que se sentem verdadeiramente incluídos.

A importância de oportunidades e da valorização

Patrícia reforça que muitas vezes a maior barreira não está na deficiência, mas na falta de oportunidades e na superproteção familiar. “A gente tem alguns casos ainda aqui que os pais são meio receosos, só que não é uma superproteção. Eles acabam excluindo a pessoa da sociedade”.

Ela também destaca que, ao longo dos anos, houve avanços importantes na oferta de modalidades e nas possibilidades oferecidas às pessoas com deficiência. Contudo, ainda há muito a ser feito.

Inclusão precisa sair do discurso e virar prática

Apesar dos avanços internos da entidade, o cenário externo ainda apresenta desafios. Patrícia pontua que a inclusão na educação física nas escolas, por exemplo, ainda é bastante precária. “O aluno que é cadeirante vai ficar ali do ladinho da quadra olhando os outros fazerem uma atividade. A inclusão realmente na educação física é difícil”.

Apesar das evoluções que tivemos, ela observa que a cidade ainda carece de projetos específicos para esse público, além de melhorias básicas em acessibilidade urbana. “A gente fala muito de inclusão e de acessibilidade, mas na prática ainda precisamos avançar muito”.

A paixão de quem faz a diferença

Para Patrícia, trabalhar com pessoas com deficiência transformou sua vida. “Tu mostrar pra eles que eles podem, não existe recompensa maior”. E ainda deixa um recado à sociedade: “Que a gente não tenha ‘peninha’, mas dê possibilidades. Eles só querem ser incluídos como qualquer outra pessoa. Que a gente possa lutar para que eles tenham uma vida normal, mesmo com suas limitações, porque de resto, eles são iguais a nós”.

ADAU incentiva autonomia e inclusão

Lana, uma das associadas da ADAU, tem deficiência física e participa de diversas atividades na associação e mostra entusiasmo com tudo que realiza por lá.

“Gosto de dançar, gosto de jogar basquete, eu jogava muito basquete em casa. Eu gosto de futebol. Eu gosto de caminhada livre também, acho que faz bem”, conta com animação.

Além das atividades físicas, Lana encontrou no desenho uma nova paixão. “Na verdade, eu preciso treinar, porque eu nem sabia desenhar, mas comecei e daí fui pensando em alguma coisa e criando na folha, até pegar o jeito. Agora tô melhorando”.

Ela também fala sobre como os exercícios ajudam no seu bem-estar emocional. “Tem dias que eu acordo meio mole, com preguiça, mas fazer as atividades muda tudo, recarrega minhas baterias. Eu me sinto mais feliz. Eu fico alegre”.

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