A energia é um insumo fundamental para funcionamento das tecnologias e deste novo formato de sociedade, consumo, produção e trabalho. A estrutura tecnológica está intrinsicamente ligada ao consumo deste insumo presente nas mais diversas tarefas diárias, como celulares, computadores e a mais recente Inteligência Artificial (IA). A dependência já é muito grande tanto por mais energia quanto das tecnologias para questões simples do dia a dia, ao pagar o pão na padaria. Para falar sobre este assunto, o Jornal Bom Dia conversou com o doutor em Engenharia Eletrônica e Computação, pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), José Mario Vicensi Grzybowski, e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul.
Como será
“Sem energia elétrica não fazemos mais nada. Essa é uma expressão comum de se ouvir em um posto, loja ou até mesmo em casa, quando ‘falta luz’. E quando isso acontece, sentimos o quanto somos reféns de nossos dispositivos tecnológicos em nossas rotinas de trabalho, estudo, transporte e lazer”, afirma o professor.
Conforme José Mario, ao mesmo tempo em que a tecnologia facilita muito as coisas, especialmente, em tempos de inteligência artificial, a crescente dependência em relação à tecnologia gera um pouco de apreensão. “Conseguiremos gerar energia suficiente para a crescente demanda desse mundo tecnológico? Não qualquer energia: energia limpa e segura. Estaremos seguros diante dessa dependência completa em relação à tecnologia? ”, pergunta José Mario.
Consumo elevado
Ele comenta que condicionadores de ar, data centers, treinamento de modelos de Inteligência Artificial, cobertura de Rede 5G, entre outros, tem movido o ponteiro do consumo energético para cima. “Espera-se que a demanda por eletricidade no planeta cresça 4% até 2027. Nesse contexto, o conjunto das fontes renováveis deve superar o carvão na matriz mundial já em 2025, e a participação do carvão deve ficar abaixo de 33%, pela primeira vez, em um século. O Brasil, rico em recursos naturais está, especialmente, privilegiado nesse contexto, tendo recebido amplos investimentos em energia renovável nos últimos anos”, observa.
Avanços
“O avanço tecnológico que causa aumento demanda é o mesmo que permite e comanda o avanço na geração de energia limpa. O exemplo mais recente é a disseminação da geração de energia ‘solar’, que está por trás de boa parte do avanço da geração de energia limpa no mundo. Da madeira ao carvão em milênios, do carvão ao petróleo em séculos, ao nuclear em décadas, ao solar e hidrogênio nos últimos anos e, em breve, potencialmente, à fusão. O avanço tecnológico é a base sobre a qual a geração de energia limpa se desenvolve, e de forma cada vez mais acelerada”, ressalta o professor José Mario.
Tecnologia é a saída
“Assim, diante da crescente demanda por energia, a própria tecnologia nos provê potencial, sem precedentes, para descobrir e aperfeiçoar nossas formas de gerar energia limpa e segura. Nunca estivemos em época mais propícia para avanços tecnológicos. Cada pesquisa utilizando inteligência artificial consome energia, é verdade, mas tem potencial de simplificar processos, gerar respostas e avançar o conhecimento de forma acelerada. Ganhamos tempo, eficiência, produtividade e escala”, destaca ele.
O professor José Mario ressalta que a humanidade sempre se colocou à altura dos desafios que enfrentou. “A revolução da Inteligência Artificial trouxe um potencial tecnológico gigantesco, ainda difícil de mensurar. A Revolução Industrial encontrou formas de transformar energia em força física, enquanto a revolução de I.A. está transformando energia em poder cognitivo. Com energia e inteligência disponíveis, o futuro pode ser de muita abundância. Produtos, serviços, ciência, descobertas na área da saúde, por exemplo, que podem ampliar o bem-estar, a longevidade, e o padrão de vida global. Sim, isso aumenta a nossa dependência em relação à tecnologia, mas também amplia largamente nossas possibilidades”, enfatiza.