Celebrado em 19 de junho, o Dia do Migrante é uma data destinada a reconhecer e promover a reflexão sobre a trajetória e os direitos das pessoas que se deslocam internamente ou internacionalmente por diversos motivos — conflitos, crises econômicas, ambientais, oportunidades ou educação. No RS, essa é uma pauta essencial diante do crescente fluxo migratório e da necessidade de integração e garantia de direitos.
Quem são os migrantes no RS?
Segundo dados do Sistema de Registro Nacional Migratório (Sismigra), 127.301 migrantes, refugiados e apátridas residem atualmente no estado — o que representa 7,4% do total no Brasil e cerca de 1,2% da população gaúcha.
A composição é pluricultural: uruguaios, haitianos, venezuelanos, argentinos, senegaleses, colombianos, cubanos, portugueses, chilenos, alemães, italianos e paraguaios estão no topo dos registros. Nesta diversidade, percebe-se um reflexo da história — como os mais de 150 anos da imigração italiana, ainda lembrados em 2025 — e das crises recentes, como as venezuelanas e haitianas.
Trabalho formal
Foi observado um crescimento significativo da formalização no mercado de trabalho:
- Em 2024, houve um aumento de 31% na contratação de migrantes, saltando de 6.653 (2023) para 9.717 postos formais
- A indústria é o setor que mais contrata, absorvendo 54% dos vínculos, especialmente em frigoríficos (20% dos migrantes formais trabalham no abate de aves, suínos e bovinos)
- A presença migrante se intensificou em cidades como Caxias do Sul, Erechim, Passo Fundo e Marau, que concentram quase metade das novas contratações.
- Mulheres migrantes também tiveram ganhos expressivos, com 4.004 novas vagas (27% de crescimento)
Planos municipais e estaduais
A Famurs destaca que municípios estão ampliando políticas locais integradas, em linha com metas dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Uma proposta de lei já tramita na Assembleia Legislativa para instituir o Conselho Estadual de Migração e criar um Fundo Estadual de Acolhimento.
Perfil migrante em Erechim
- A cidade conta com cerca de 4.500 imigrantes — especialmente venezuelanos, haitianos e senegaleses — empregados na indústria e serviços locais.
- Já há estimativa de que mais de 3.000 migrantes residam no município, segundo dados do IBGE citados pela Prefeitura.
Trabalho, educação e acolhimento
- Para suprir a demanda por mão de obra, a Prefeitura oferece qualificação em português e cultura local, além de garantir que nenhuma criança migrante fique sem vaga na escola.
- Um curso da URI – Campus Erechim foi lançado em abril de 2025 com a temática migração e refúgio, dando origem ao projeto CAMURI, que oferece assistência jurídica gratuita a migrantes
Políticas públicas e serviços de apoio
- Em 2023, foi lançada a plataforma digital “Erechim Sem Fronteiras”, com informações em Português, Espanhol, Inglês e Francês, para auxiliar na regularização documental e navegação por serviços públicos .
- O CRAS Itinerante, desde 2023, já atendeu mais de 1.000 famílias no interior, oferecendo orientações e cadastramento em programas sociais.
Reconhecimento e governança
- Em janeiro de 2025, Erechim recebeu o Selo Migracidades, da plataforma da ONU e UFRGS, como reconhecimento da excelência em suas políticas e diagnósticos migratórios
Erechim se insere como modelo regional de política migratória, com forte articulação entre educação, trabalho e assistência. A gestão municipal alia serviços presenciais, digitais e jurídicos com reconhecimento internacional – um cenário promissor, ainda que exijam manutenção de esforços para ampliar e sustentar esse acolhimento.