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Economia

A Praça da Bandeira e a necessidade de cuidados após restauração

Obras junto ao local deverão iniciar depois do término dos canteiros centrais, mas já é bom pensar no problema

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MOSAICO.jpg
Por Carlos Silveira
Foto Ilustrativa

 O centro de Erechim tem, aos poucos, passado por uma renovação e revitalização histórica com a restauração dos canteiros centrais confeccionados com pedra portuguesa e que remetem um pouco da história de nossos antepassados, ou seja, o povo que chegou aqui e construiu o que hoje chamamos de nossa cidade.

         Este processo, que veio em boa hora, visto a atual situação em que se encontravam os canteiros centrais com obstrução de raízes das árvores, desnível acentuado e muitas pedras faltando, tem se tornado uma referência para o município, como para a administração municipal que teve a grande iniciativa por um projeto piloto no canteiro localizado defronte ao Clube do Comércio e agora se estende a todos os demais.

Seu Luiz

         Num trabalho meticuloso e artístico, já que não existem tantos profissionais competentes no mercado para executar este tipo de trabalho, seu Luiz demonstra paciência, competência e assertividade naquilo que está fazendo e entregando para a comunidade.

         Mas como nem tudo são calçadas em um município, nesta nova gestão de sua administração, o prefeito Paulo Polis avançou no tema restauração e foi colocado no edital para a contratação nesta nova etapa a restauração da Praça da Bandeira onde, de acordo com a professora e historiadora, Neusa Cidade Garcez, se encontra o sonho de Riopardense concretizado no Mosaico que se encontra na praça e representa o trabalho dos imigrantes que por aqui aportaram no passado.

O livro

         De acordo com Neusa Cidade Garcez, no livro “Um Mosaico em Erechim”, o painel que recobre parte do solo da Praça da Bandeira foi obra de um jovem recém-formado em engenharia na capital do estado, que veio trabalhar em Erechim no início dos anos 50. O mesmo nasceu em 1921.

         “Francisco Riopardense de Macedo, então trabalhando na Secretaria de Obras, elaborou um projeto de revitalização da cidade. As calçadas e passeios da Praça da Bandeira e dos canteiros centrais foram revestidas com pedras portuguesas, o mosaico português. Técnica que consistia na formação de desenhos e padrões por meio do contraste entre pedras de cores diferentes. O projeto de Macedo conciliava as tendências européias mais recentes com as concepções dominantes nas grandes cidades brasileiras”, pontua a historiadora.

Arte Musiva

         “A arte Musiva (Mosaico), como é chamada, existe há séculos. Os mesopotâmios a usavam 3500 ac, os maias e astecas, também, igualmente bizantinos, egípcios, persas, gregos e romanos enfeitavam templos, igrejas e sarcófagos”, disse Macedo quando esteve em visita a cidade de Erechim em conversa com Neusa Garcez.

         Mas, o tempo passou e como todos os lugares, a Praça da Bandeira também tem sofrido com a ação do tempo, mas também sofre pela ação humana, ou seja, se tornou um hábito, não desta administração, mas de todas que passaram pela prefeitura municipal, liberar ou até mesmo colocar veículos em cima da praça, sejam eles, leves ou pesados, seja para exposição ou para colocação da árvore de Natal, ou seja, há peso excessivo junto a praça em várias oportunidades.

E quando chegar a hora

         Mas, e com a restauração que irá ocorrer após seu Luiz terminar os canteiros centrais e focar seu esforço e dedicação para restaurar um de nossos maiores cartões postais. Como vai ficar a situação, ou seja, haverá novamente o trânsito sobre a Praça da Bandeira, haverá a retirada de pedras para a instalação de toldos para as mais diversas atividades, haverá a exposição de veículos, seja da municipalidade, das forças militares ou ambulâncias?

Futuro

         Para tanto, após ouvir algumas manifestações de pessoas ligadas a preservação histórica de Erechim, como de populares que veem como errada a colocação de peso sobre a praça, procuramos o secretário de Cultura, Esporte e Economia Criativa, Walase Soares e o prefeito Paulo Polis para saber o que pensam sobre o tema e qual será o futuro da praça após o término dos trabalhos, mas que até o final desta edição não retornaram as mensagens enviadas via whats zap, mas o Jornal Bom Dia está em aberto para receber as manifestações junto a redação.

Vanda Groch

         Procurada pela reportagem, uma das figuras ilustres de Erechim, quando o tema é história, Vanda Groch lembra de quando o professor de arquitetura da UFRGS. Luis Albano Wolkmer vinha nos finais de semana para Erechim, oportunidade em que ministrava aulas em plena rua e calçadas sobre a riqueza da arquitetura de Erechim, em especial sobre a Art`Deco, já que o município desponta sobre sua riqueza. A referência mundial é Havana em Cuba.  

         Para ela, as aulas contribuíram em muito para as turmas de estudantes de arquitetura que vinham com ele da capital, como dos profissionais da área e demais amantes da cultura e da arquitetura que o acompanhavam nos sábados à tarde e domingos pela manhã.  

         Vanda lembra que o mestre repassava o ensinamento sobre a importância do Mosaico e como a cidade deveria respeitar uma obra como esta que é difícil de se encontrar em outras cidades, principalmente com relação a sua originalidade.

         “Que os pais se sintam motivados a passearem por ela com seus filhos, explicando, principalmente, a sua composição e a necessidade da preservação de seu valor histórico”.  

Neusa Cidade Garcez

         Para a professora e historiadora, Neusa Cidade Garcez, a Praça da Bandeira precisa de um carinho especial por parte do Poder Público, principalmente por ser um bem público, para que não ocorram depredações e que deve ser preservado. “Um ponto turístico fundamental, principalmente pelo seu chafariz e a Bandeira Nacional. Merece todo o apoio popular, como sugiro a colocação de um marco que identifique o seu idealizador, ou seja Francisco Riopardense de Macedo”.

Walace Soares

         Na manhã desta quarta, 11, o secretário Walace Soares pontuou que a coordenação das praças é especificamente com a Secretaria do Meio Ambiente, e com relação a circulação de veículos, especialmente o caminhão para a colocação da árvore de Natal gigante junto ao mastro da bandeira, depois que a mesma passar pelo processo de restauração haverá estudos para adequar estruturas que não a comprometam.

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