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Maio Laranja mobiliza Erechim com ações de prevenção ao abuso sexual de crianças e adolescentes

Enfrentamento à exploração sexual infantojuvenil exige participação ativa da sociedade e fortalecimento das redes de proteção

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A organização para a caminhada e mobilização da campanha do Maio Laranja aconteceu na Praça do Tanqu
Por Gabriela de Freitas
Foto Gabriela de Freitas

Erechim realizou uma série de atividades voltadas à campanha Maio Laranja, movimento nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A programação foi organizada pela Prefeitura de Erechim, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, CREAS e Conselho Tutelar.

Na quinta-feira (15), a Câmara de Vereadores sediou um ciclo de palestras. A psicóloga Liseane Madalozzo abordou estratégias de prevenção e cuidado, enquanto o promotor de Justiça Daniel Fernandes Barbosa tratou da legislação vigente e da importância da escuta especializada. Ambos ressaltaram a responsabilidade compartilhada entre instituições públicas, famílias e sociedade no enfrentamento da violência sexual infantojuvenil.

As discussões incluíram temas como o fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos, a promoção da escuta qualificada e os mecanismos legais de proteção às vítimas. O evento teve como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre as formas de prevenção e o papel de cada cidadão na denúncia e no acolhimento.

Na sexta-feira (16), a programação foi encerrada com uma caminhada de conscientização, que reuniu representantes de instituições públicas, unidades de saúde como UBS e UPA, além de membros da comunidade. A concentração ocorreu na Praça Boleslau Skorupski (Praça do Tanque), com destino à Praça da Bandeira. Durante a mobilização, foram distribuídos folders informativos, pulseiras com o número do Disque 100 – canal nacional para denúncias – e adesivos para veículos.

Segundo o Conselho Tutelar de Erechim, a ação buscou também informar sobre os canais de denúncia e alertar para a gravidade dos casos que ocorrem no município. “Em 2024, foram notificadas 40 situações de violência sexual contra crianças e adolescentes, sendo todas as vítimas com idades entre 0 e 14 anos. No primeiro quadrimestre daquele ano, foram registradas 11 ocorrências. Já em 2025, no mesmo período, esse número subiu para 14 – um aumento de aproximadamente 28%”, relatou Ademir da Rosa, conselheiro tutelar.

A coordenadora do Conselho Tutelar de Erechim, Lucimar Andréia Perin, informou que a maioria dos casos envolve crianças em situação de vulnerabilidade e que muitas ocorrências não chegam às autoridades por medo ou desconhecimento das vítimas e das famílias. Ela também ressaltou que omitir ou não denunciar situações suspeitas configura crime.

Uma das ferramentas utilizadas pela entidade é o “semáforo do toque”, metodologia lúdica que ajuda as crianças a compreenderem, por meio das cores do trânsito, quais partes do corpo podem ou não ser tocadas e a quem recorrer em caso de violação. Lucimar Andréia Perin, enfatizou a importância do diálogo dentro das famílias. “As crianças precisam saber que seu corpo lhes pertence e que devem contar a alguém de confiança se algo acontecer”, afirmou.

Por que o dia 18 de maio é símbolo da campanha?

Durante as ações do Maio Laranja, o conselheiro Ademir da Rosa explicou a origem da campanha nacional. A data remete ao ano de 1973, quando, em Vitória (ES), uma menina chamada Araceli, de oito anos, foi sequestrada, drogada, violentada e assassinada. O crime ganhou repercussão nacional, mas nenhum dos envolvidos foi condenado. Mais de 50 anos depois, o caso permanece sem solução.

Esse episódio motivou a criação da campanha “Faça Bonito – Proteja nossas crianças e adolescentes”, instituída há 25 anos pelo governo federal, por meio do CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), com o objetivo de sensibilizar a sociedade e promover ações permanentes de proteção infantojuvenil.

A mobilização em Erechim integra essa campanha, destacando que a luta contra o abuso sexual infantil deve ser contínua e envolver toda a sociedade.

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