O artesanato é uma expressão que vai além da técnica: é tempo, dedicação e sensibilidade em forma de criação. Em cada peça feita à mão, há um pouco da história de quem a produziu. Na Páscoa, essa conexão se intensifica — é uma das datas mais importantes para o setor, quando cresce a busca por itens que tornem o lar mais acolhedor e especial. Em Erechim, duas mulheres têm se destacado por unir talento, tradição e inovação em trabalhos que encantam e inspiram: Jane Andreolla, artesã de madeira crua e decorada, e Ionara Rebonatto, especialista em decoração de mesas.
Da madeira à arte: Jane Andreolla
À frente do Ateliê da Madeira, Jane Andreolla transformou o que era hobby em um negócio reconhecido e cheio de alma. Professora por formação e artesã por paixão, ela viu sua vida mudar durante a pandemia, quando atendeu o primeiro pedido: um apoio de celular em formato de coração. “A peça fez sucesso, e os pedidos não pararam mais”, relembra.
Hoje, Jane cria coelhos, móveis, guirlandas e enfeites em madeira crua e decorada, especialmente para a Páscoa. "A produção aumenta muito nessa época. Temos uma linha variada com diferentes tamanhos e estilos, sempre pensando no espaço que o cliente tem", explica. As peças são finalizadas com materiais naturais como juta, crochê, biscuit e a flor Marcela, típica do período pascal.
Instalado em casa, o ateliê é um empreendimento familiar. Marcelo, seu marido, cuida do corte da madeira e da aplicação de verniz, garantindo a durabilidade das peças. Já o filho Felipe contribui com a parte de marketing digital. “É tudo feito com carinho e em equipe”, resume Jane.
Além das vendas em feiras e redes sociais, ela também realiza workshops presenciais — e agora trabalha na versão online, enviando materiais e videoaulas para todo o Brasil. "É gratificante ver os alunos saírem com uma peça pronta, felizes com o que criaram."
Ionara Rebonatto: mesa posta como forma de afeto
Já para Ionara Rebonatto, contadora de formação e artesã por essência, a paixão pelo artesanato nasceu entre tecidos e bordados herdados da avó materna. “Desde pequena, vi minha avó e minha mãe cuidando dos enxovais. Era um ambiente em que o trabalho manual era valorizado”, conta.
A ligação com a decoração de mesas começou em casa, ao preparar cafés da manhã temáticos para os filhos. “Queria que eles tivessem prazer em sentar à mesa. Aos poucos, isso virou um ritual: velinhas, xícaras especiais, detalhes que faziam o momento único.”
Durante a pandemia, a necessidade financeira impulsionou o lado empreendedor. Ionara começou a vender porta-guardanapos, jogos americanos e outros itens de mesa posta. “As pessoas começaram a divulgar, e logo vieram os pedidos. Já enviei até pra Santa Catarina!”
Mesmo com poucos seguidores no Instagram, as vendas pelo boca a boca funcionam. Ela aposta em datas comemorativas, como a Páscoa, para criar kits e peças temáticas. “Cestinhas decoradas, guardanapos coloridos, tudo que remete à mesa carinhosa vende bem.”
Ionara também pensa em formas criativas de divulgação, como piqueniques no Parque Norte ou cafés temáticos com amigas. “Acredito que ver a mesa montada ajuda a pessoa a imaginar o uso da peça. É um cenário vivo, cheio de emoção.”
Criatividade, afeto e identidade
Apesar dos estilos diferentes, Jane e Ionara têm em comum o cuidado com o detalhe, a valorização da história e o amor pelo que fazem. Ambas destacam que o artesanal é, sobretudo, um reflexo de quem cria.
Neste período de Páscoa, onde o simbolismo do renascimento é tão presente, os trabalhos dessas artesãs não apenas enfeitam lares, mas tocam corações. Afinal, seja em um coelho de madeira ou em uma mesa decorada com a temática, o que realmente se transmite é aquilo que não se compra: o afeto.