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Ensino

Mudanças do ensino médio na contramão do desenvolvimento

Professor e especialista Arnaldo Nogaro critica aspectos da reforma lançada nesta semana pelo Ministério da Educação

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Reforma foi publicada em edição extra do DIário Oficial da União do dia 23
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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Najaska Martins/ Georgia Spilka

Professor e especialista Arnaldo Nogaro critica aspectos da reforma lançada nesta semana pelo Ministério da Educação

As mudanças promovidas pela reforma do ensino médio lançada nesta semana pelo Ministério da Educação (MEC) têm sido alvo de discussões e questionamentos. Em Erechim, um dos principais especialistas no âmbito educacional, professor Arnaldo Nogaro, contesta aspectos da medida provisória publicada em edição extra do Diário Oficial da União da sexta-feira (23). Em entrevista ao Bom Dia ele afirmou que as alterações "vão na contramão do desenvolvimento".

Doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ele não considera positiva a nova terminalidade desta etapa do ensino ao abrir a possiblidade para a tecnicização e profissionalização. "Canalizar o sistema para que o estudante tenha essa opção remete a uma formação para o mercado de trabalho que pode ter como consequência um aprofundamento da divisão social de classes. Quem tem condições financeiras terá, através de escolas particulares, por exemplo, a oportunidade e o incentivo para estudos, enquanto na escola pública veremos um empobrecimento da qualidade e da oferta do ensino", pontua.

Com vasta experiência na área de formação docente, uma das principais críticas de Nogaro se refere à permissão para que pessoas com notório conhecimento em determinadas áreas possam vir a atuar. "Temos políticas públicas de formação de professores que vinham apostando na qualidade destes profissionais. A medida vai totalmente na contramão dessa perspectiva. É preocupante porque ignora tudo que vinha sendo trabalhado em termos de carreira e qualificação profissional, caracterizando-se como um retrocesso", pondera.

O educador, que atua como professor dos cursos de graduação e pós-graduação na URI de Erechim e Frederico Westphalen, aponta ainda aspectos relacionados a diretrizes antes aprovadas. "A educação tem que se comprometer com a formação integral, científica e profissionalizante, se baseando nos pilares trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Ao negligenciar uma destas bases, temos o empobrecimento da qualidade do ensino. Com as mudanças, remetemos à aspectos da Reforma Capanema dos anos 40", enfatiza.

"Uma reforma desta magnitude não se faz em gabinete"

Embora reconheça a necessidade de reformulação desta etapa do ensino, Nogaro faz uma crítica à forma como a reforma foi feita. "A medida desconsidera discussões que vêm sendo feitas há muito tempo e ignora aspectos de extrema importância, especialmente no que se refere à discussão com entidades ligadas à educação. Uma reforma desta magnitude não se faz em gabinete, necessita de diálogo com estudiosos ligados à área, com entidades, com escolas, ou seja, com quem entende a realidade e os déficits da educação nesta etapa", pondera.

Quanto ao objetivo de melhorar índices - fato que motivou a emergência da reforma - o professor é ainda mais enfático: "Indicadores não serão solucionados com uma medida provisória. Isso se faz com um trabalho que envolva toda a comunidade, demanda uma discussão com diversos segmentos e iniciativas que venham, de fato, para solucionar problemas. Da forma como foi feita, dá a impressão que foi improviso", completa.

Ampliação de jornada

O professor chama atenção ainda para o aspecto relacionado à jornada integral. Para ele, o problema está na falta de planejamento para que os estudantes possam ser atendidos. "Além do fato de que o ensino repassado será de menor qualidade ao permitir professores que não sejam formados nas áreas em questão, outro ponto negativo está na premissa da escolha de determinadas disciplinas. Que formação integral é essa que tira componentes indispensáveis à formação? O integral só se refere à ampla jornada?", questiona.

Principais mudanças

Ampliação de jornada de 1.200 para 2.400 horas;

Formação técnica e profissional passa a ter peso semelhante às quatro áreas do conhecimento (Linguagens; ciências humanas; matemática e ciências da natureza);

A inclusão de disciplinas de Artes, Filosofia, Sociologia e Educação Física dependerá do que será estipulado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC);

Inglês passa a ser língua obrigatória em todas as escolas;

Permissão de que redes de ensino e escolas possam contratar "profissionais de notório saber" para dar aulas afins a sua formação.

Vestibulares poderão cobrar apenas as competências, habilidades e expectativas de aprendizagem das áreas de conhecimento definidas na BNCC.

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