A data de hoje, 31 de julho, homenageia a primeira baleia da espécie resgatada, com vida, após encalhar, em 2003, no litoral de Santa Catarina. Como o resgate desta baleia ocorreu no pôr-do-sol, ela recebeu o nome “Sunset” (pôr-do-sol em inglês). Depois de 14 anos desse resgate, em 31 de julho, de 2017, ela foi novamente avistada, já com filhote. As comemorações iniciaram em 2018.
A caça às baleias no litoral catarinense existia desde o período colonial. Em grande parte, a caça não tinha como objetivo o consumo da carne. A grossa camada de gordura das baleias era usada para produzir óleo para iluminação e argamassa para construções. Com a proibição da caça, em 1973, as baleias-francas começaram a voltar aos poucos. Embora sua população esteja se recuperando, a baleia-franca-austral ainda é a única espécie de baleia ameaçada de extinção que se reproduz na costa brasileira.
Além dessa espécie, que pode ser avistada no litoral de Santa Catarina, o Brasil também recebe as baleias jubarte, principalmente, no sul da Bahia, mas é possível vê-las ainda no litoral paulista. Elas vêm da Antártida, em busca de águas mais quentes e calmas para se reproduzir e amamentar seus filhotes.
Por serem animais pouco comuns em nosso cotidiano, as baleias atraem grande público para o turismo de observação nessas regiões, todos os anos, entre julho e novembro. Na maioria das vezes, é necessário ir de barco até alto mar com uma equipe especializada para poder avistá-las, mas há, também, regiões onde é possível vê-las da terra firme.
As baleias desempenham importante função ecológica como animais no topo da cadeia alimentar e por isso são espécies fundamentais para o equilíbrio do ecossistema marinho. Suas fezes, ricas em ferro, nitrogênio e outros nutrientes, possibilitam a proliferação de fitoplânctons, que servem de alimento para vários animais no fundo do mar. Além disso, os fitoplânctons contribuem com a retirada de toneladas de carbono da atmosfera, ou seja, as baleias também contribuem indiretamente para o equilíbrio climático da terra.
Instituto Australis
O Instituto Australis de Pesquisa e Monitoramento Ambiental é uma entidade civil sem fins lucrativos criada em 2015 para auxiliar na manutenção das atividades do Programa de Pesquisa e Conservação da Baleia Franca.
Dedicado principalmente à pesquisa científica, monitoramento e proteção da população sobrevivente de baleias-franca no Brasil, o IA atua na formulação de políticas públicas, educação e sensibilização do público para a conservação da espécie, e valorização das baleias como um patrimônio ecológico, econômico e turístico.
O IA atua realizando pesquisas relacionadas à distribuição, uso de habitat, comportamento e dinâmica populacional da espécie. Além disso, promove atividades de sensibilização ambiental com o tema conservação da baleia-franca e dos oceanos.
A partir da fundação, o IA incorporou as atividades do Programa de Pesquisa e Conservação da Baleia Franca (PPCBF) criado em 1982, incluindo no seu acervo o banco de dados com informações de quase quatro décadas de monitoramento da espécie, assim como o banco de amostras de tecidos de mamíferos aquáticos proveniente dos atendimentos a encalhes.
Desde 2015 o Instituto é uma das instituições executoras Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos – PMP-BS, uma condicionante do licenciamento ambiental do IBAMA para a produção e exploração de gás e petróleo pela Petrobras na Bacia de Santos.
Em 2019 o IA iniciou a realização de um novo projeto voltado à Pesquisa e Conservação das Baleias-Franca, o Projeto Franca Austral, que conta com patrocionio da Petrobras. Para saber mais acesse ProFRANCA.
O Instituto é dirigido por Diretor Administrativo: Helder Canadas (hlder.ca@gmail.com) e a Diretora de Pesquisa: KarinaGroch, karina@institutoaustralis.org.br
Karina Groch
Além de sua diretoria, a equipe do IA é composta por profissionais com ampla experiência em pesquisa e monitoramento, principalmente com ênfase em mamíferos marinhos, tendo incorporado uma parte da equipe do PPCBF.
A Diretora de Pesquisa, a erechinense Karina Groch é a primeira doutora em Biologia Animal com foco em baleias do Brasil. Em 1998, desenvolveu de forma pioneira o programa de monitoramento terrestre das baleias-francas, utilizado desde então.
A pesquisadora também aplicou de forma inédita métodos internacionalmente utilizados para identificação individual das baleias-francas fotografadas, através do uso de um software desenvolvido especificamente para este tipo de análise.
A equipe técnica da instituição é formada por profissionais com ampla experiência nas áreas de biologia e oceanografia incluindo pesquisas realizadas sobre distribuição e uso de habitat, modelagem espacial, parâmetros populacionais, uso de sistemas de informações geográficas, monitoramento de praias, ecologia trófica e educação ambiental. A equipe do IA faz parte de diversos fóruns de discussão para políticas públicas aplicadas aos ambientes costeiros como conselhos municipais de meio ambiente e turismo.