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“Erechim tem algo diferente que eu acho encantador”

A artesã, Cleusa Maria Dienstmann de Moraes comenta sobre os laços criados em Erechim

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Cleusa Maria Dienstmann de Moraes
Por Vivian Mattos
Foto Vivian Mattos

Na história de uma cidade, existem pessoas responsáveis com toques especiais na sua construção. Ao celebrar 106 anos de Erechim, surgem trajetórias inspiradoras, como a de Cleusa Maria Dienstmann de Moraes, professora aposentada e artesã, cujo compromisso com o ensino e amor pelas crianças deixaram uma marca na comunidade.


Construção de laços
Há seis décadas, com 10 anos de idade, Cleusa deixou Passo Fundo com os pais em busca de novas oportunidades em Erechim. Seu lar mudou, mas não sua busca por conexões sociais. Segundo Cleusa, na nova cidade, a escola não apenas lhe proporcionou educação, mas também amizades duradouras. “A nossa vida em Passo Fundo era ligada com a família e, quando eu vim para Erechim, iniciou o lado social, a procura por novos amigos, começando pela escola e depois ambientes de trabalho”, comenta.


Direcionamento para a educação
Ela explica que com 14 anos de experiência no setor bancário, ela sempre apreciou o contato com o público. Porém, nutria um desejo latente de se tornar professora, uma paixão que foi adiada por questões de oportunidade. A vida profissional seguiu seu curso até o nascimento de sua filha, Patrícia de Moraes Garcia, que foi o incentivo para a mudança na carreira.


Botinha Amarela
Quando sua filha deu os primeiros passos na escola, ela percebeu a importância de um olhar sensível para a infância e o cuidado. Determinada, ela se aperfeiçoou na área da educação e tomou a difícil decisão de seguir esse caminho. Em 1986, ela concretizou seu sonho ao abrir a segunda escola maternal de Erechim, a “Botinha Amarela”, que deixou sua marca por 30 anos na comunidade.


Cleusa conta que a inspiração para o nome da escola surgiu de uma forma inusitava, mas foi uma escolha perfeita para fomentar as raízes da identidade local de Erechim. “Na época, o pai da minha filha me disse, ‘Você está abrindo uma escola para filhos de erechinenses. Os erechinenses são considerados os Bota Amarela, então, você estará atendendo os Botinhas Amarela”, conta.


Memórias que deixam saudade
Ela guarda com carinho as memórias e se alegra ao ser reconhecida pelos alunos e lembrada pelos pais. “Até hoje meus ex-alunos e pais me chamam de 'Prof. Cleusa' e agradecem, pois tivemos uma convivência muito boa. São tempos diferentes na sociedade. Atualmente, ser professor é mais desafiador, e naquela época, as famílias estavam mais presentes na educação dos seus filhos”, explica.


Mudança de planos
Após 30 anos, ela mais uma vez mudou seus rumos e encerrou sua jornada na escola, decidindo embarcar em um novo empreendimento: abrir uma casa de festas infantis. "Eu sempre gostei de estar envolvida com criação. Abrimos a casa de festas e mantivemos por seis anos. Eu organizei diversas festas para os filhos dos meus ex-alunos", diz.


Pandemia de Covid-19
Com a chegada da pandemia, tudo mudou. Eles fecharam a casa de festas, pois tudo estava fechado e as restrições impediam a realização de eventos. Além disso, nesse período sua filha engravidou. Então, Cleusa e seu marido, Carlos Alverto de Souza, foram a Porto Alegre conhecer seu neto, Heitor Garcia Borba. 


Nascimento da Vovó Arteira
Ao voltar para Erechim, pela distância ela sentiu a necessidade de ter alguma presença na vida de seu neto. A partir dessa ideia, ela começou a produção em feltros de livros, brinquedos e jogos educativos sensoriais que estimulam habilidades brincando. Com o tempo, os pedidos aumentaram e a produção começou a ser feita para atender pedidos de famílias, nascendo a artesã, Vovó Arteira. 


Com uma história que se entrelaça com a arte e paixão pelas crianças, Cleusa criou raízes em Erechim, a partir de seus amigos e lugares na cidade. “Erechim tem algo diferente que eu acho encantador.  Para mim Erechim é algo relacionado com a energia, existem lugares que você se realiza e que simplesmente se sente bem, isso é Erechim para mim”, finaliza. 

 

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