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Ensino

Professora explica como funciona o ensino em braile

Ângela Malicheski é professora voluntária na ADEVE e explica como funciona o método de aprendizagem de leitura e escrita para pessoas com deficiência visual

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Professora Ângela Malicheski mostra como utilizar a reglete e a punção na escrita em braile
Ângela Malicheski é voluntária na ADEVE e trabalha há quase 30 anos com o ensino de leitura e escrit
Máquina de escrever em braile
Por Gabriela de Freitas
Foto Gabriela de Freitas

A professora Ângela Malicheski é voluntária na ADEVE (Associação dos Deficientes Visuais de Erechim) e trabalha há quase 30 anos com o ensino de leitura e escrita em braile para pessoas com baixa visão ou com deficiência visual. A história da professora voltada para essa técnica iniciou em meados de 1998, na Escola Estadual de Ensino Médio Professor João Germano Imlau, após realizar um curso em Porto Alegre que a qualificou para dar aulas de escrita e leitura em braile, o que possibilitou lecionar na área.

Por sua experiência no assunto, Ângela Malicheski explica como funciona e como surgiu o método que é primordial em garantir a autonomia e acessibilidade para pessoas com deficiência visual, pois permite que elas possam ter acesso a informações, a leitura, a escrita e a se comunicar de modo independente.

O dia 8 de abril é celebrado anualmente como o Dia Nacional do Sistema Braile com o objetivo de enfatizar a importância da inclusão do ensino de pessoas com deficiência visual. Além disso, a data é significativa, pois serve para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de se ampliar dispositivos que favoreçam o desenvolvimento intelectual, social, profissional e dar maior autonomia para as pessoas com baixa visão e deficiência visual.

O braile

“O braile foi criado por Louis Braille, um francês que perdeu a visão quando era criança. Muito empenhado em seus estudos, buscou uma forma de viabilizar a escrita para cegos a partir do auxílio de Charles Barbier de la Serre, capitão de artilharia do exército de Louis XIII, que possuía um sistema de sinais em relevo quando combinados permitiam a comunicação de soldados a noite, também conhecido como “escrita noturna”. A partir disso, criou-se o método de braile que é formado de 6 pontos em 63 conjuntos, e nesses conjuntos, formam todo o alfabeto, os números e todos os códigos necessários”, explica Professora Ângela.

Reglete e punção

Facilita na escrita à mão, a reglete é uma placa com duas peças que encaixam numa folha, podendo ser metálica ou de outros materiais, de forma que os pontos fiquem marcados e alinhados para serem lidos no outro lado da folha. A reglete possui linhas e colunas onde os pontos, que são as letras do alfabeto, serão inseridos pela punção. A punção é o instrumento de escrita e tem o formato semelhante ao de uma caneta, é composta pelo cabo e a ponta de metal para criar o relevo no papel facilitando no momento da leitura.

Ângela conta que no período de aprendizagem o primeiro contato que o aluno tem com o braile é a partir da escrita na reglete, para posteriormente ter contato com a máquina de escrever em braile. A partir de sua explicação, ela também menciona suas vivências com os alunos que teve durante o percurso como educadora e também os que são atendidos pela ADEVE.

Máquina de escrever

É parecida com um datilógrafo, mas possui seis teclas em que os usuários aprendem a partir da numeração dos pontos a reproduzir as letras para produzir textos em braile de forma mais prática, pois o que é escrito com a máquina já sai diretamente na folha.

Ângela conta que hoje em dia com a evolução tecnológica, existem impressoras em braile, além de diversos aplicativos e sistemas operacionais como DOSVOX, Virtual Vision, Jaws, NVDA, ORCA e MECDAISY que facilitam muito a acessibilidade de escrita e leitura de quem os utiliza.

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