Um lugar, várias fotografias e objetos e histórias que recordam bons momentos. A cultura italiana é mantida à risca dentro da família Palma. Todos os anos, os familiares se reúnem para matar a saudade. O encontro aconteceu no Memorial dos Palma, em Quatro Irmãos
Neste mês de janeiro é comemorado o 5º aniversário da construção do memorial. Além do 17º encontro da família realizado no último sábado (13).
Fortalecimento dos costumes
Nelson Palma, organizador da confraternização e primogênito, esteve presente desde o primeiro encontro em 1938, na comunidade do Rio Padre, quando tinha apenas três meses. Para ele, é necessário mostrar os costumes antigos para a juventude atual. “É um estímulo de perseverança trazer o passado para o presente”, comenta.
Todos juntos
Parentes de Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Porto Alegre estiveram presentes na ocasião. O dia iniciou com um café da manhã acompanhado de pão caseiro, queijo e salame, grostoli, bolachas e cucas. Após foram feitas as homenagens ao pai Amélio Palma (in memorian) e membros da família tiveram a oportunidade de falar sobre a importância de encontrar cada um.
O almoço com churrasco e maionese não poderia falar, muito menos a sobremesa tradicional dos italianos, sagu com creme. Nelson conta que “todos vêm para essa casa fazer a comemoração do ano e relembrar o passado”.
Saudade do passado
O Memorial dos Palma foi inaugurado em 2019 e serviu de residência da família onde os 10 irmãos foram criados. A parte de cima da casa são conservadas as fotografias antigas com a história e a árvore genealógica, além de objetos da época. Já no porão são expostas as ferramentas utilizadas no trabalho diário.
“Ali tem desde uma enxada, um arado, um balancim de carroça, tudo o que se usava na colônia antigamente, porque tudo era braçal, a máquina que se tinha era o boi. Esse era o passado, uma forma de mostrar para o jovem de hoje como era o ontem”, fala Nelson.
Um dos objetivos do memorial é mostrar a tradição italiana aos visitantes, além de ser um ponto fixo para a reunião dos Palma. “A nossa saudade do passado está aqui. Antes do memorial fazíamos encontros por algum motivo especial como aniversário, mas era longe e muitos não conseguiam ir. Agora temos um ponto e a cada ano o pessoal se programa para estar aqui”, relata o membro da família.
“Culturas estão desaparecendo”
Aos 86 anos, Nelson Palma teme pelo desaparecimento dos hábitos trazidos da Itália pelos descendentes. “O que eu tenho medo do mundo futuro é não ter raízes, as culturas estão desaparecendo. Aqui no Sul, ainda conservam as tradições alemã, italiana, polonesa e judaica, mas elas já estão perdendo espaço”, expressou.
Palma declara que locais onde preservam as tradições estão ficando à mercê do acaso. “Eu vejo por aí que muitos memoriais estão quase abandonados, porque não tem quem leva pra frente e o jovem não se interessa muito”, expõe.
Legado
Quanto a tradição familiar de estar todos reunidos ele se enche de alegria. “Espero que a cada ano seja melhor. A pessoa chega aqui e volta às raízes, pois elas são dominantes”.
O legado dos Palma é mantido de pé, em bens materiais e na lembrança de cada integrante. “Nosso Memorial é um celeiro permanente que vai acompanhando o futuro e mostrando o passado”, finaliza.