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Segurança

Delegado Regional fala sobre combate ao crime em Erechim

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Delegado Gustavo Ceccon assumiu a 11ª DPRI em abril de 2022
Por Alan Delfin Dias
Foto Divulgação

Operações solo e conjuntas, longas investigações, trabalho de inteligência, apreensões de drogas, armas, desmantelamento de quadrilhas e prisões. Esse é o resumo do trabalho dos agentes da 11ª Delegacia de Polícia Regional do Interior (DPRI), com sede em Erechim, e que alcançou redução em alguns dos principais indicadores criminais na cidade no ano de 2023.

Delegado titular na Regional que atende 37 municípios, Gustavo Vilasbôas Ceccon, conversou com a reportagem, comemorou os números, destacou que foram alcançados em cima do esforço e dedicação dos policiais civis e também através da sólida parceria com a Brigada Militar e outros órgãos. “Aqui nós temos uma rede, são várias instituições que participam, que colaboram para a segurança do município. O próprio Poder Judiciário, o Ministério Público, Prefeitura, Câmara de Vereadores, Consepro, empresários, a sociedade civil organizada, CDL, enfim, são diversos segmentos e instituições de praticamente todos os setores que contribuem para o trabalho da polícia, auxiliam dentro das suas possibilidades, e isso faz com que Erechim a cada ano fique mais segura”.

 

Menos de 10 roubos a estabelecimentos

Para se ter uma ideia sobre o quanto o trabalho policial fez pelo município neste ano, basta analisar os dados disponibilizados pela Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Nos crimes de roubo (subtração mediante grave ameaça ou violência) os índices apontam 74 ocorrências em 2022. Já em 2023 o número caiu para sete (de 1º de janeiro a 8 de dezembro). “Roubos, são considerados graves e tivemos poucos. Por exemplo, roubos a estabelecimentos comerciais não chegaram a 10. É um número bem significativo para uma cidade no Brasil, que tem mais de 100 mil habitantes”, frisa Ceccon.

 

Quatro anos sem latrocínio

Fato bastante celebrado pelo delegado envolve o crime de latrocínio (roubo que resulta na morte da vítima pela violência empregada), colocado entre os delitos mais graves pelas policias no Brasil e várias partes do mundo. “O último latrocínio que ocorreu em Erechim foi em 2019. E esse é um dos crimes que mais nos preocupa, porque em regra, morre uma pessoa que está trabalhando, que não tem envolvimento com a criminalidade. É uma pessoa que é assaltada e que por algum motivo ali, o assalto deu errado, a vítima reagiu de um jeito que o criminoso não esperava, inexperiência do criminoso ou maldade mesmo, enfim, por algum motivo, aquele crime, que era para ser um roubo, não deu certo e a vítima é morta. Por isso aqui, a gente dá uma atenção muito especial para os casos de roubo, porque qualquer roubo, mesmo a pedestre, ele pode evoluir para um latrocínio”.

 

Aumento nos homicídios

Dado que incomodou e mobilizou os órgãos de segurança como um todo no município e surgiu na contramão dos outros indicativos criminais foi o crime de homicídio. “Em 2022 tivemos 15 e em 2023 foram 28, então aumentou bastante de um ano para o outro, embora, nossa média seja parecida com esse número”.

O delegado explica que “tivemos alguns problemas envolvendo disputas de territórios para o tráfico de drogas e alguns casos de feminicídio, que também acabou aumentando. Foram três. É uma situação que nos preocupa muito, porque a vítima é uma mulher e acontece dentro de um contesto que envolve a violência familiar”.

 

Ligação com o tráfico

“A grande maioria tem ligação com o tráfico de drogas. Se nós tirarmos os feminicídios e o homicídio em que a vítima foi o médico, teríamos no restante, praticamente em todos eles, relação com essa disputa das organizações criminosas por territórios, pontos para vendas de drogas. E a grande maioria dessas pessoas que são vítimas, tirando o caso do médico e dos feminicídios, tem extensa ficha criminal. São indivíduos que tem algum envolvimento com a criminalidade. Esse é o perfil da maioria das pessoas que estão sendo assassinadas em Erechim nos últimos anos”.

 

Elucidar todos

“Desses homicídios, é importante ressaltar que a investigação elucidou praticamente todos eles, alguns seguem sendo apurados e a gente tem a expectativa que todos sejam elucidados, com autoria identificada. Isso já ocorre há algum tempo aqui na nossa região. Gostaríamos de alcançar, pelo menos a médio prazo, uma média de 10 homicídios aqui por ano. É o número que a ONU considera como tolerável e isso já mudaria a nossa cidade de patamar nos indicadores nacionais. Isso tudo termina em desenvolvimento, porque as pessoas irão investir mais, virão morar aqui com mais tranquilidade e todo mundo acaba ganhando”.

 

Assassinos de fora

“A gente tem observado que tem vindo gente de fora para praticar os crimes. Geralmente a vítima é daqui, mas a pessoa que executou o crime é de fora. Isso é um fenômeno que veio mudando, os executores estão cada vez mais jovens, muitos são adolescentes. Houve uma redução na idade desses executores e eles vêm, cometem o crime e já vão embora”.

 

Em frente ao hospital

“Tivemos aquele caso, em frente ao Hospital Santa Terezinha, que justamente foi isso, o executor veio de outra região para praticar o crime, e inclusive iria praticar outros, só que, graças ao trabalho das policias foi preso antes e se encontra recolhido ao presídio hoje. A missão dele não era só aquele homicídio, tinha mais coisas para fazer aqui, mas ele não conseguiu”.

 

Jogo de gato e rato

“A criminalidade ela vai mudando. A sociedade muda e o criminoso, muda também, dentro dessa realidade. Eles vão entendendo como funciona o nosso sistema jurídico e legal e aí começam a agir sempre procurando alguma brecha, alguma facilidade. A polícia também procura identificar essas mudanças nas organizações criminosas e se adaptar, então, é um jogo de gato e rato.

Hoje, se um adolescente praticar um crime, um homicídio, a reprimenda que ele irá receber é muito menor do que a de um adulto e ele ganha força, ganha prestígio, ganha status dentro do grupo que ele integra”.

 

Ano para a segurança pública foi bom

“Tivemos um grande número de apreensões de armas de fogo. Realizamos diversas operações, sendo a grande maioria delas em parceria com a Brigada Militar, então, eu acredito que o ano para a segurança pública foi bom. Claro que a gente gostaria que o índice de homicídios caísse, mas isso não é tão simples. Envolve uma série de circunstâncias e muitas vezes não é só o trabalho da polícia que trará a redução, são diversas coisas acontecendo que levam para esse aumento”.

 

Cidade segura

“Essa é a nossa expectativa: melhorar. Eu já considero Erechim, dentro dessa realidade que a gente vive no Brasil, uma cidade segura, e a gente trabalha sempre para melhorar.

A obrigação da Polícia Civil é a investigação e é isso que a gente vem fazendo e agora, com essa queda nos índices criminais, a gente vem colhendo os resultados das ações desenvolvidas tanto pela Polícia Civil, como pela Brigada Militar”.

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