As altas temperaturas da estação e também as férias são um convite para aproveitar os banhos de mar, balneários de água doce, lagos, cachoeiras e piscinas para se refrescar. Opções para amenizar o calor não faltam, mas para que o momento de lazer esteja completo é necessário prevenir possíveis incidentes.
Saber nadar é essencial e estar atento aos lugares de mergulho, alguns locais possuem o serviço de guarda-vidas que estarão a postos a qualquer sinal de perigo.
Cuidados em rios, praias e piscina
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado, as orientações são: observar se o local está guarnecido por salva-vidas, não entrar em locais de forte correnteza; no caso de usar transportes aquáticos como barcos, jet-ski e botes usar colete salva-vidas; nunca nadar sozinho; entrar na água até a altura do peito e evitar saltos e mergulhos de cabeça pois o fundo de rios e lagoas podem ter troncos, pedras e objetos perigosos que podem causar graves acidentes.
Evitar entrar na água após comer e/ou ingerir bebidas alcóolicas, se avistar alguma situação de afogamento ligar para 193, tentar jogar algo flutuante para que a pessoa possa flutuar, em hipótese alguma entrar na água e colocar-se em risco.
Em praias, observar as bandeiras do local, ficar próximo dos salva-vidas, pedir orientações de locais apropriados para banho, entrar no mar com cuidado e não ir para lugares com maior profundidade e perigo, respeitar os limites e não utilizar boias.
Antes de entrar em uma piscina verificar a profundidade e evitar a sucção.
Atenção com as crianças
Jamais deixar crianças sozinhas na água, devem ter controle de um adulto. Orientar sobre brincadeiras de risco como dar caldo, fingir afogamento e empurrar os outros na água.
Proteger com barras ou telas as piscinas ao invés de telas ou lonas, não deixar brinquedos que se tornam um atrativo para crianças menores chegarem perto, tomar cuidado com objetos como “caudas de sereia”. Crianças menores devem estar sempre supervisionadas por um adulto, um afogamento pode acontecer em segundos.
O afogamento
Segundo a Sobrasa (Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático) “afogamento é a aspiração de líquido causada por submersão ou imersão.” O termo aspiração refere-se à entrada de líquido nas vias aéreas (traqueia, brônquios e/ou pulmões), e não deve ser confundido com “engolir água (esôfago e estomago)”.
Quando uma pessoa está em dificuldades na água e não consegue manter as vias aéreas livres, a água que entra na boca é voluntariamente cuspida ou engolida. Se não interrompido a tempo, uma quantidade inicial de água é aspirada para as vias aéreas e a tosse ocorre como uma resposta reflexa (evidencia de aspiração).
Efeitos e possíveis traumas
Se a pessoa não é resgatada, a aspiração de água continua e a hipoxemia (baixa de oxigênio no sangue) leva em segundos a poucos minutos à perda da consciência e parada respiratória (apnéia) que acontecem ao mesmo tempo. Em sequência a aceleração do coração (taquicardia) ocorre uma redução dos batimentos por minuto (bradicardia), atividade elétrica do coração sem pulso arterial palpável, e assistolia.
Geralmente o processo todo de afogamento, da imersão (parte do corpo dentro da água) ou submersão (todo corpo dentro da água) até a parada cardíaca, pode ocorrer desde segundos a alguns minutos.
Se a pessoa é resgatada viva, o quadro clínico é determinado pela quantidade de água que foi aspirada e os seus efeitos ao sair da água. Se a Reanimação cardiopulmonar (RCP) for necessária, o risco de dano neurológico é semelhante a outros casos de parada cardíaca. No entanto, o reflexo de mergulho e a hipotermia usualmente associadas com afogamento podem proporcionar maiores tempos de submersão sem sequelas.
A hipotermia pode reduzir o consumo de oxigênio no cérebro, retardando a hipóxia celular, o que explica casos de sucesso na RCP realizadas em pacientes com tempo prolongado de submersão onde supostamente não teriam chances de recuperação sem danos permanentes.