O deputado estadual e policial civil, Leonel Radde, esteve em Erechim na noite de quinta-feira (13) participando de uma Audiência Pública, na Câmara de Vereadores, sobre o avanço de grupos fascistas nas redes sociais e suas ações em municípios do estado e do país. Na ocasião, Radde também falou sobre a Operação Bastardos Inglórios, que realiza o monitoramento de integrantes desses grupos, realiza denúncias embasadas para a polícia, busca responsabilizar os envolvidos na justiça e combate as chamadas “redes de ódio”.
Participaram do encontro diretores de universidades, vereadores, professores, líderes de movimentos sociais e de juventude, policiais, advogados, sindicalistas e comunidade em geral.
Antes de se licenciar para concorrer a vereador em Porto Alegre, Radde integrava o coletivo Policiais Antifascismo e após eleito, seguiu com sua luta contra grupos segregacionistas, criando canais de denúncias que já resultaram em prisões, na apreensão de computadores e materiais de células nazistas em ações policiais, no cancelamento de um festival de bandas neonazistas, entre outras situações. Eleito deputado, o policial fortaleceu e ampliou este combate. Até o momento, apenas no Rio Grande do Sul, a operação identificou 60 suspeitos de integrarem grupos neonazistas.
“É claro que o nosso trabalho incomoda muito a extrema-direita, os neonazistas e grupos fascistas e diversas ameaças de morte já foram dirigidas a mim e a minha família”.
Não se conhecem pessoalmente
O deputado relatou que nos últimos seis casos de repercussão no Estado, que resultaram nas apreensões de materiais envolvendo apologia ao nazismo e pedofilia, todos os envolvidos eram jovens que integravam um mesmo grupo nas redes sociais. “Eles não se conheciam pessoalmente, nunca conversaram frente à frente, mas trocavam ideias em um chat projetado para comunidades de jogos online. Esses grupos se formam, começam a lançar desafios violentos e quem cumpre vai ganhando destaque”, explica.
Ataques às escolas
Para Radde, o recente crescimento de ataques e ameaças às escolas está diretamente ligado a esta radicalização. “O primeiro ataque a uma escola no Brasil foi em 2002, depois tivemos outro em 2011, se não me engano, um hiato bastante grande. Mas nos últimos dois anos cresceu bastante e não tem como separar isso desta política de ódio que foi se desenvolvendo e ganhando força”.
Dois tipos de grupos
Ele explica que atualmente existem dois tipos de grupos neonazistas, os clássicos, fáceis de identificar porque são compostos por skinheads e pessoas que não escondem suas ideologias e que recentemente teriam feito uma perigosa aproximação com grupos paramilitares. “Com o trabalho policial e da justiça sendo intensificado e buscando a responsabilização dessas pessoas, surgiu um segundo grupo, o que tenta permanecer ocultos nas redes sociais, que não se conhece pessoalmente e que quando realiza uma ação é solitária e inesperada”.
Excelentes avanços
Segundo o deputado, é necessário frear esse crescimento com ações intensas que impeçam a propagação deste tipo de comportamento nas redes sociais. “Eles buscam notoriedade, então, apenas trabalhos preventivos não irão solucionar a questão. A lei contra o racismo no Brasil é muito branda, mesmo assim conseguimos excelentes avanços com a intensificação das ações policiais e a Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância, criada em 2020, em Porto Alegre já se transformou em uma referência para o país pelo trabalho que desenvolve”.
Bastardos Inglórios
A operação Bastardos Inglórios (referência ao filme de Quentin Tarantino, onde uma equipe de judeus americanos caça nazistas durante a 2ª Grande Guerra) recebe denúncias em suas redes sociais, pelo e-mail leonelraddecontato@gmail.com e pelo WhatsApp (51) 99676-0718. “Verificamos as denúncias que recebemos e a partir daí assumimos o caso. Vamos em busca de provas e depois entregamos todo o material para a polícia e a justiça”.