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Geral

A figura do padre na sociedade

Usando diferentes ferramentas, como a música e as redes sociais, os padres buscam a aproximação dos fiéis

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Bispo dom José Gislon
Padre Maicon Malacarne
Pe. Valter Girelli
Padre José Carlos Sala
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Leandro Zanotto

A figura do padre nos 2 mil anos de Cristianismo sempre teve um papel forte na caminhada da Igreja e da sociedade como um todo, do ponto de vista religioso e do ponto de vista social. Em determinados momentos da história o estado não tinha uma presença social forte na vida da população e a organização do cuidado das pessoas era sempre a partir da Igreja e a figura do padre estava no centro dessa organização social.

De acordo com Dom José Gislon, que completou quatro anos de ordenação episcopal na quarta-feira (3), a importância da figura do padre continua existindo nos dias de hoje, sendo um homem com um olhar para a comunidade como um todo do ponto de vista espiritual, mas também social. “As organizações que estão no âmbito da paróquia, que tem este olhar para todas as realidades do ambiente da paróquia. O padre é uma figura com forte fator de agregação comunitária social, mas também espiritual no âmbito da sociedade em que vivemos”, declara.

A atualidade requer mecanismos para aproximar o jovem da igreja e entre estas ferramentas está a rede social. Dom José diz que a rede social tem papel importante na questão da comunicação, mas também no processo de evangelização. “Os jovens de hoje se comunicam em grande parte pela rede social. Hoje se você quer reunir um grupo, o meio mais fácil são as redes sociais. Ela possibilita, no dia a dia, você estar em contato com as pessoas. Você pode postar uma mensagem que toca o coração das pessoas. É um instrumento muito bom para a questão da evangelização e muitos padres utilizam destes meios e ajuda sim, com que os jovens possam percorrer um caminho de espiritualidade, do cuidado da própria vida. Eles precisam desse suporte espiritual”, acrescenta.

Ir ao encontro

Rede social, música, a ferramenta que for, o importante é ir ao encontro, aonde estiver o jovem, o estudante, o trabalhador, o enfermo. “Vivemos outra dinâmica de sociedade e não podemos esperar que as pessoas venham hoje por vontade própria. Estamos vivendo num tempo onde existe muita ferida, muita dor, muito abandono, exclusão. E o sacerdote precisa ser o homem de Deus que viva a compaixão, mas que viva uma profunda comunhão com  o Senhor e, a partir daí, que ele possa ir ao encontro das pessoas e transmitir essa força da presença de Deus, ser sinal de esperança e ser um sinal da misericórdia de Deus na vida das pessoas”, salienta.

Dom José acrescenta que existe quase que um desespero em busca da espiritualidade e é preciso saber oferecer isso as pessoas.

Novos sacerdotes

Com relação aos novos sacerdotes, Dom José Gislon diz que é necessário fazer o convite como fez Jesus. O chamado vocacional é mais consciente. “Temos que ter coragem de lançar rede para águas mais profundas para essa nova dimensão vocacional no mundo de hoje. Por isso todo chamado é dom de Deus e toda resposta é um querer percorrer um caminho de realização dessa vocação”, conclui.

 

Formação dos seminaristas 

Hoje a procura pelo seminário já não é a mesma de algumas décadas. Conforme o reitor do Seminário e do Santuário de Fátima, Walter Girelli, atualmente as famílias são menores, muitas possuem um filho apenas e a grande maioria dos municípios da região possuem escolas de ensino médio. “No passado, os filhos eram encaminhados ao Seminário até como uma possibilidade para estudar e hoje isso mudou”, diz.

Neste sentido, ambos fatores influenciaram na redução do número de seminaristas. “O contexto em que vivemos hoje é bastante secularizado, materialista e não é fácil motivar um jovem a assumir uma vida como é do estilo de um padre, que tem que viver muito desapegado de projetos de ordem pessoal o que acaba também influenciando sobre o número dos que desejam ser padre”. Hoje a Diocese tem oito rapazes que estão estudando filosofia e teologia.

Quanto à formação, existe a formação escolar, assim como nas demais escolas e formação complementar como português, música, artes, parte religiosa e espiritual.

Depois de concluir o ensino médio, são mais oito anos, o período propedêutico, três anos do curso de filosofia e mais quatro anos de teologia.

 

Evangelização da juventude e as redes sociais

A forma de vida do padre é, talvez, um pouco distinta pelas opções cotidianas. O padre Maicon Malacarne conta que entrou no seminário com 14 anos, e se tornou padre com 25. Por isso, quase toda adolescência e juventude foi nesse meio. No entanto, as grandes alegrias dos adolescentes e jovens também são vividas no caminho de quem é padre. “Tenho muitos amigos jovens, alguns deles nem são católicos e, alguns, nem mesmo acreditam em Deus. Mas, temos caminhos comuns, alegrias comuns, problemas e dificuldades comuns. Ao mesmo tempo que há estranhamento, há também muito valor dos jovens ao padre. Uma espécie de reconhecimento que nem sempre é traduzida em palavras. Na juventude reside um grande desejo de doar a vida para algo, de sair de si, e, talvez, miram essa experiência em alguns padres que admiram pela forma como vivem”, diz.

O padre Maicon comenta que o mais importante é ajudar a juventude a fazer uma caminhada de fé e ser feliz. “E, como disse, pra viver a fé, é importante uma boa espiritualidade e uma vida que garanta a sua integralidade de direitos. Ir à Igreja, pode-se dizer, é uma consequência de uma opção, de um caminho. Muitos jovens, por conta da tradição familiar, têm uma experiência belíssima de participação na Igreja, nas comunidades. Fico tão admirado com certas experiências de jovens que peço, muitas vezes a Deus, a graça de ser como eles. Por outro lado, há muita juventude que nunca foi a Igreja, que nunca teve experiência comunitária-eclesial. Tenho certeza que participar de espaços de comunidade é importantíssimo e garanto que é uma beleza grandiosa a meninada  descobrir isso. No entanto, não pode ser algo apenas “moral”, no sentido de ameaça. Não gosto nada de certas opiniões que dizem: “aconteceu tal coisa porque nunca foi à Igreja”. Para mim, o central do trabalho da Igreja com a juventude é dar espaço, abrir as portas, acolher, dar a voz e ouvir, potencializar ações em que a meninada seja sujeita e não apenas “obediente” às normas. É uma caminhada que propõe autonomia, aquilo de mais importante que a educação da fé pode fazer acontecer. E, nesse sentido, ir à missa tem outro significado celebrativo e participativo”, pontua.

No que diz respeito às redes sociais, o padre Maicon é enfático ao afirmar que é um meio que já não se pode mais negar. A vida acontece também ali e, se há vida, necessariamente, há sociabilidade e necessidade de pautar a evangelização. Todavia, segundo ele, infelizmente, a rede também tem se tornado lugar dos piores fundamentalismos, da propagação do ódio, do diferente. “Acho que também nesse sentido, há uma responsabilidade de fomentar uma cultura virtual da paz. Os grupos de jovens das comunidades eclesiais, na sua maioria, utilizam as redes sociais para articulação e partilha das atividades. As múltiplas possibilidades favorecem nesse sentido. Não há mais como pensar a evangelização da juventude sem as redes sociais”.

 

A busca da fé

Há muitos grupos de jovens nas comunidades católicas. Grupos pequenos e grandes. “É necessário destacar a presença, na Igreja Católica, da Pastoral da Juventude que, segundo dados recentes, é a maior organização de jovens (não só eclesial) da América Latina e tem se preocupado muito em garantir processos de educação na fé a partir de uma formação integral em todas as dimensões humanas”, diz o padre Maicon Malacarne.

 

Música na liturgia 

O padre José Carlos Sala utiliza da liturgia na celebração eucarística, que é um momento forte de encontro com Deus e, ao mesmo tempo, um momento de fortalecimento da vida de fé e da vida cristã. “Minha vida de padre sempre esteve vinculada a música sacra e utilizo dessa ferramenta da música na liturgia para elevar os corações a Deus para conseguir encontrar o caminho de felicidade através da arte. Acredito que a arte e, especificamente a música é um caminho curto para mergulharmos no ministério e por isso minha ferramenta é a música litúrgica”, diz.

Segundo o padre Sala, uma celebração, um momento de oração bem conduzido com a música instrumental ou vocal tem um retorno grande. “As pessoas se sentem mais fortes e mais fortalecidas na caminhada da vida”, conclui.

 

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