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Segurança

Cúpula da Polícia Civil em Erechim

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Subchefe de Polícia, Delegado de Polícia, Vladimir Peukert Urach, Diretor do Departamento de Polícia
Por Alan Dias
Foto Alan Dias

Em entrevista exclusiva ao jornal Bom Dia, Delegado de Polícia Fábio Motta Lopes, conversou com a reportagem sobre desafios da segurança, integração dos órgãos e o novo presídio

O Chefe da Polícia Civil no Estado do Rio Grande do Sul esteve ontem (25), em Erechim, participando de uma reunião de trabalho com o Delegado da 11ª Delegacia de Polícia Regional do Interior, Gustavo Vilasbôas Ceccon, e outras lideranças da segurança regional. Também acompanharam a reunião o Subchefe de Polícia, Delegado de Polícia, Vladimir Peukert Urach, e o Diretor do Departamento de Polícia do Interior, Delegado Nedson de Oliveira.

A cúpula da Polícia Civil chegou ao município de helicóptero, no final da manhã, e antes do encontro com as autoridades, concedeu entrevista ao repórter Alan Delfin Dias. Entre os assuntos abordados: Erechim como uma das cidades com maior redução de homicídios em 2022, a importância da integração das forças de segurança no combate à criminalidade, o maior desafio do Estado no Setor e o novo presídio.

Este ano Erechim ganhou destaque após aparecer na lista dos índices criminais como a segunda cidade com maior redução de homicídios no Rio Grande do Sul. Nos três primeiros meses de 2022, nenhum assassinato foi registrado na cidade, já em abril, foram três casos e em maio dois. As forças policiais agiram rápido na elucidação dos casos e junho voltou a zerar as ocorrências, enquanto em julho, uma ocorrência foi registrada. Mesmo com seis casos, Erechim segue como destaque no índice criminal de homicídios.

 

Integração

“Esse é um dado importante. Há cerca de um ano, um ano e meio, Erechim aparecia com sinal de alerta na taxa de homicídios em municípios com 100 mil habitantes, mas o trabalho integrado aqui, que já vinha sendo desenvolvido de forma contínua, sempre rendeu frutos. Na segurança pública, se não tem integração entre todos os órgãos, os resultados não aparecem. E claro, a Polícia Civil, quando exerce o trabalho de investigação, focando nas organizações criminosas, focando naquelas lideranças que vem praticando os crimes de homicídio, também desenvolve um papel que é fundamental”, disse o Chefe da Polícia Civil.

 

Trabalho forte de investigação

“Você não consegue reprimir, diminuir os indicadores, principalmente os crimes violentos letais e intencionais sem um trabalho forte de investigação e é esse trabalho que vem sendo feito pelos colegas, não só em Erechim, mas na região, já faz algum tempo. E esse é o resultado, é o fruto desse trabalho intenso de investigação, de inteligência policial e um trabalho integrado com as outras forças de segurança do município e da região”.

 

Reuniões e união

A integração dos órgãos do setor no Estado é exemplo para o país e esta união que deu certo tem como um dos seus berços o município de Erechim, onde, há vários anos as forças de segurança vem trabalhando desta forma.

“Quando eu entrei na Polícia Civil, no final da década de 90, se falava muito em integração, mas ela, efetivamente, não acontecia de uma forma ampla no Estado. O atual governador, Ranolfo Vieira Júnior, que é alguém da área de segurança, quando vice-governador e secretário de Segurança, instituiu uma sistemática de reuniões periódicas, mensais, que são realizadas primeiro nos municípios, depois em determinadas regiões e por fim, em Porto Alegre, onde eu, o comandante da Brigada Militar e líderes de outros órgãos de segurança, sentamos para analisar os índices, não só de forma geral em relação ao Estado, mas também de forma pontual, regionalizada, para que a gente consiga enxergar se algum município acendeu o sinal de alerta para a gente olhar com atenção se há necessidade de reforço ou outras ações concentradas”, explica o Delegado.

 

Grande diretriz

“Depois, acontece nova reunião, mensalmente também, que ocorre com a presença do governador do Estado. Então, talvez, essa tenha sido a grande diretriz que fomentou e levou efetivamente a essa integração. Mas como eu disse, acho que o fundamental são as reuniões, chamadas A3, acontecendo com frequência nos municípios, nos comandos locais, entre Polícia Civil, da Brigada Militar, da Susepe, do IGP e do Corpo de Bombeiros Militar, para analisarem os dados locais e eventualmente identificarem uma determinada área, um determinado bairro onde ocorra aumento dos índices e na sequência desenvolver uma ação de segurança para reduzir e conter esses indicadores no âmbito local. Então, todos sentamos juntos, dialogamos e, em parceria, com inteligência policial, buscamos sempre a melhor solução para os principais indicadores de violência e criminalidade”.

 

Maior desafio

Perguntado sobre qual seria o maior gargalo na segurança pública na atualidade, o Delegado Fábio Motta Lopes, não teve dúvida ao responder: o feminicídio. “O nosso grande desafio hoje é o feminicídio, o homicídio praticado contra mulheres em razão de uma violência de gênero. É um problema histórico, um problema cultural, o machismo não é de agora. Não só no Rio Grande do Sul, mas no Brasil, e normalmente esse é um delito que acontece dentro de casa ou que envolve discussões familiares, então, é muito difícil para as forças de segurança sozinhas, darem uma resposta para a gente conter cada vez mais esse indicador.

 

Procurem a polícia

“Cada vez mais, a mulher tem que ser encorajada a procurar a polícia o quanto antes, quando ela se sentir ameaçada. Não precisa ser vítima de uma agressão física, mas uma ameaça psicológica, que já é uma forma de violência de gênero. Então, quanto mais cedo ela procurar as autoridades, procurar a Polícia Civil para registrar ocorrência, mais cedo a gente tem condições de agir, decretar, se for o caso, junto ao poder judiciário, uma medida protetiva de urgência, que irá tentar conter, inibir essa forma de violência”.

 

Novo presídio

Ao final da entrevista, o Chefe da Polícia Civil ainda falou sobre a vinda de um novo presídio para Erechim. “Cada município tem que ter o seu presídio. Se nós tivéssemos isso ao longo dos anos, a situação na área de segurança pública no Rio Grande do Sul, que já é considerada boa, estaria bem melhor. Por que eu digo isso? Por exemplo, o Presídio Central, que hoje é chamado de Cadeia Pública de Porto Alegre, chegou a ter cinco mil presos em uma única unidade prisional. Isso é terrível, porque as organizações criminosas dominam o presídio, estabelecem o controle em determinadas galerias, há circulação de dinheiro, há também uma questão econômica e eles controlam o crime de dentro dos presídios”.

 

É importante uma nova unidade prisional

“Sim, é importante uma nova unidade prisional em Erechim, porque nelas se tem um controle rigoroso, em que não se permite a comunicação do preso com o mundo externo. Então, neste aspecto, com essa estrutura moderna dos atuais presídios, em que o Estado efetivamente tem o controle e evita a comunicação desse preso com quem está do lado de fora, isso é fundamental para a gente conter cada vez mais esses índices da segurança pública”, finalizou.

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